Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Caos de hoje com o PT começou com FHC

Sob o Princípio da Multiplicação dos Efeitos, a situação do País em todos os níveis veio piorando desde os governos tucanos

Invasão de propriedade privada pelo MST: movimentos marginais confiam que não vão responder por ilegalidades | Divulgação/MST

Invasão de propriedade privada pelo MST: movimentos marginais confiam que não vão responder por ilegalidades | Divulgação/MST

Há um princípio filosófico chamado de Princípio da Multiplicação dos Efeitos, que diz o seguinte: “Toda ação ou força que atua em um meio heterogêneo multiplica seus efeitos, e tanto mais, quanto mais heterogêneo é o meio em que atua”. Se Joãozinho chuta com força uma bola no campo de futebol, um meio homogêneo, onde só há espaço e grama, os efeitos são reduzidos. No máximo conseguirá dar um passe ou fazer um gol.

Se chuta, porém, a bola com a mesma força na cozinha, um meio heterogêneo, onde a mãe está fazendo café, provavelmente vai virar a chaleira, derramar a água que está fervendo, quebrar uma ou duas xícaras, derrubar os talheres, acertar a cabeça do irmãozinho e talvez mesmo quebrar o vidro da janela. E os efeitos podem ser secundários ou terciários: a água quente pode atingir o gato, que sairá correndo e derrubará o balde, etc.

Se quisermos entender a situação caótica que vive o país hoje, basta examinarmos a multiplicação dos efeitos da ação ideológica. Ela começa no governo Fernando Henrique Cardoso, com algumas atitudes que se refletem e se multiplicam até hoje.

Poucos se lembram, mas foi no governo FHC que começou a política de direitos humanos que privilegia os bandidos e demoniza os policiais, numa absurda inversão de papéis, ditada pelo maquiavelismo gramscista. Como seus corolários, seguiram-se o desarmamento civil e com a criação do Ministério da Defesa, a marginalização dos militares, não só da política, o que seria até certo ponto aceitável, mas também dos debates nacionais, o que é preconceituoso e prejudicial aos interesses do país.

Cresceu a confiança dos bandidos, aumentou o tráfico de drogas, multiplicaram-se os assaltos e assassínios. A corrupção, como ferramenta de manutenção do poder, também começou ali, com a compra da reeleição. Hoje, ela é um método, um sistema usado pelo governo e pelos partidos do governo.

Também no governo FHC afrouxaram-se as rédeas dos movimentos marginais, ditos “sociais”, como o MST, que acabaram por se colocar primeiro, à margem da lei, assumindo aspecto informal, depois acima dela, cometendo crimes e não respondendo por eles. O pior, na multiplicação de efeitos, viria depois, com o PT e asseclas, mas não se pense, pois, que seja solução para o Brasil uma substituição do PT pelo PSDB, pura e simplesmente.

Os rumos da ação ideológica pouco mudariam. FHC declarou-se, na semana passada contra a redução da maioridade penal e contra o impedimento da presidente. Sempre foi a favor do desarmamento. Na semana anterior havia se recusado a assinar documento, que 26 ex-chefes de Estado espanhóis e da América Latina haviam subscrito, condenando os arroubos ditatoriais do venezuelano Nicolás Maduro.

E nunca poderíamos esquecer que foi FHC quem salvou Lula do impedimento, a pedido de Márcio Thomaz Bastos, quando pipocava o escândalo do mensalão. Dos líderes do PSDB, o único que parece ainda não contaminado pelo câncer ideológico é Geraldo Alckmin, mas ele não é só no partido. Terá sempre que conviver com sua circunstância.

José Serra é uma versão masculina de Dilma, apenas com um discurso um pouquinho mais articulado, e verá sempre com simpatia ditaduras como a cubana e as “bolivarianas”; e Aécio Neves, se não tem o ranço ideológico de esquerda tampouco mostra ideologia alguma, exceto o hedonismo carioca, tem que engolir o “esquerdismo politicamente correto” dos companheiros e é duvidoso do ponto de vista administrativo; tanto que foi derrotado em Minas, que governou por oito anos, na eleição para presidente da república.

O próprio líder do PSDB no Senado foi nada menos que motorista do terrorista-mor dessas plagas, o malfadado Marighella. Sim, não nos iludamos, todas as vicissitudes econômicas, sociais e políticas que vivemos, vêm de uma força única, de uma ação ideológica, que tem multiplicado seus efeitos no meio heterogêneo do país.

A incompetência administrativa é um dos efeitos desse impulso ideológico: quem já viu uma esquerda competente, capaz de implantar uma ação de desenvolvimento econômico e social em algum lugar do mundo? Alguém viu isso na União Soviética? Em Cuba? Na China, dirá alguém mais afoito. Sim, na China, que hoje se parece muito mais com os Estados Unidos do que com a Coreia do Norte.

Os chineses só conseguiram o “Grande Salto para a Frente” democratizando a economia, e tolerando certas liberdades também democráticas, como o direito (até certo ponto) de ir e vir. Hoje, chineses são empresários, e até milionários e bilionários, e seus filhos estudam nos EUA e Canadá.

Mas voltemos à nossa cozinha. Não só a incompetência é efeito do impulso ideológico que vem do Foro de São Paulo e já se espalhou por nossos vizinhos; a corrupção é outro efeito, pois vem da disposição também ideológica de manter o poder. Alternância de governo é coisa de democracia, algo insuportável para todos os que pensam numa “América latina socialista e unida”. ?

Mensalão e petrolão são efeito do impulso ideológico
Assassinatos no Brasil sobem  a mais de 60 mil por ano | Wilson Moreno

Assassinatos no Brasil sobem
a mais de 60 mil por ano | Wilson Moreno

Para a manutenção do poder é preciso dinheiro, e com muito dinheiro é mais fácil manter o poder. Amanhã, no alvorecer socialista, sem legislativo, judiciário e imprensa para incomodar, ele será dispensável. Mas enquanto isso não acontece, vamos às burras do povo. Mensalão, Petrolão e outras coisas de que nem sabemos, são também efeito do impulso ideológico, mais um estrago que faz a bola do Joãozinho vermelho chutada em nossa cozinha.

Os fundos de pensão, dinheiro da aposentadoria dos carteiros, dos bancários e de outros “proletários” que os comunistas dizem amar e de quem se proclamam “a vanguarda”, também foram escandalosamente furtados. Pois, segundo eles, “os fins justificam os meios”. E se multiplicam os efeitos da ação “bolivarizante”, eufemismo de comunizante.

Os assassinatos sobem a 60 mil por ano, em meio a uma população desarmada, acuada, e um sistema policial intimidado por bandidos cada vez mais organizados, armados e protegidos. O sistema penitenciário foi entregue, sem reação, aos grandes grupos criminosos organizados sob siglas conhecidas e não combatidas, como Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital.

A Saúde cai aos pedaços, e quando recorre a um programa como o Mais Médicos, descobre-se que a finalidade maior não é melhorar as condições dos doentes sem recursos, mas transferir dinheiro à ditadura cubana. E a Educação, transformada em ferramenta doutrinária fracassa e nos envergonha lá fora.

A diplomacia tornou-se linha auxiliar de ditaduras, neoditaduras e fundamentalismo islâmico. En­quanto a infraestrutura do país agoniza, o BNDES financia, com dinheiro de impostos, isto é, do operariado-campesinato em nome de quem os partidos de esquerda falam, por acordos secretos, a infraestrutura de Cuba, da Venezuela, do Equador, da Nicarágua.

Para defesa do governo e de seus partidos comunizantes, mobilizam-se, também com dinheiro público, os “exércitos vermelhos” do MST, da CUT, da UNE, e um exército de blogueiros amestrados. Para incentivar a “luta de classes”, que já morreu em todo o mundo civilizado, lançam-se negros contra brancos, nordestinos contra sulinos, agricultores contra fazendeiros, homossexuais contra heterossexuais, pobres contra ricos.

Patrulha-se a imprensa, enquanto não se consegue censurá-la, nunca abandonando as tentativas. Pergunto ao leitor: estou errado, ou a origem de todos os problemas que vivemos é uma só: a ideologia? Ou, mais simplesmente: quem chutou a bola em nossa cozinha.

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