Roberto Motta é um carioca especial — não aceita a violência da sua terra como coisa natural. Tem tanto apego à civilidade que se dedicou à luta contra o crime. O seu livro “A Construção da Maldade — Como Ocorreu a Destruição da Segurança Pública Brasileira” é um brado de guerra.

Em suas 224 páginas, Roberto Motta faz uma foto de corpo inteiro do desafio em que se está afundando a sociedade brasileira, da qual a maioria de nós não tem consciência. De leitura acessível, sem muito tecnicismo, mas com exemplos chocantes, assusta o leitor tal a gravidade do problema.

O texto é um despertar. A leitura mostra um mundo perigoso que nos recusamos a reconhecer. Os números da criminalidade tornam o Brasil um dos países mais violentos do mundo. É a terra da impunidade. E, pior do que tudo, mostra uma cultura contrária a eliminar o mal.

Não há região que, ainda que tenha índices menos alarmantes, como Goiás, que tem tido bons governos, pode se dar ao luxo de ignorar a ameaça. A nação tem a população nas pontas dos pés. Sair à rua tornou-se uma aventura perigosa.

O autor, é engenheiro e homem público: foi fundador do Partido Novo, secretário de Segurança do seu Estado e consultor do Banco Mundial. As suas ideias no livro, nos artigos na “Revista Oeste” ou no programa “Pingos Nos Is”, da Jovem Pan, são colocadas com método — tem começo, meio e fim.

 É uma cabeça privilegiada: lúcido, coerente e pensa com profundidade. Roberto Motta nunca deixa de perguntar pelos direitos humanos das vítimas frente aos defensores dos criminosos. É a favor de um cadastro nacional com os nomes de todos os pervertidos sexuais. Abomina com razão a pedofilia.

“A Construção da Maldade” (Editora Avis Rara) deve ser lido por todos. Ignorar, como estamos fazendo, pode custar a nossa vida e/ou de pessoas queridas. A gravidade da situação não está em nível de consciência da sociedade.

As nossas leis estimulam o crime. Os bandidos sabem que aqui o crime compensa. A impunidade e só a certeza dela poderá interromper a caminhada para o estado de guerra que estamos trilhando. Este é o ponto focal das suas ideias.

Se os cidadãos de bem não se interessarem em entrar no cerne dessa ameaça à nossa segurança, continuaremos a votar em políticos que veem os bandidos como vítimas da sociedade — o que aumenta a criminalidade.

Divulgar as ideias do Roberto Motta é uma obrigação para com uma sociedade que pretende ser pacífica e justa. Paz de circular sem medo e justiça de apenar o criminoso na exata proporção do mal que causou.

Há, porém, esperança. Segundo o autor, os Estados Unidos viveram uma fase semelhante na sua história e, com políticas corretas, tornou-se um país civilizado. Este é o mérito do livro: mostra o problema, analisa as causas e oferece solução. Não se atém ao blábláblá.

O primeiro passo para evitar um mal é tomar conhecimento dele. Isto justifica ler este livro.