Afonso Lopes
Afonso Lopes

Zé Eliton escala o xerifão

O trabalho realizado pelo secretário Ricardo Balestreri foi importante, mas há necessidade de se endurecer o jogo contra a insegurança. Irapuan Costa Junior surpreende ao aceitar o desafio

Ex-governador Irapuan Costa Junior: sim ao novo desafio

É certo que o tema segurança pública vai estar na campanha eleitoral deste ano. Não somente em Goiás, mas como pauta obrigatória em todo o Brasil. Aliás, um dos fatores que têm impulsionado o nome do deputado federal Jair Bolsonaro na bolsa de especulações sobre a Presidência da República é justamente o endurecimento do jogo contra a criminalidade que assola o país em todos os seus quadrantes. No caso extremo, o Rio de Janeiro, nem a polícia está segura. Ao contrário, os policiais se transformaram em alvo. A população que se acumula nos morros tem falado cada vez mais em guerra civil na cidade.

Não é só o Rio de Janeiro, ou Alagoas, outro Estado que igualmente vive situação de caos absoluto, que enfrenta essa realidade. É o país todo, Goiás incluído. Em cada região, há razões localizadas. No Centro-Oeste, a principal causa para a deterioração da segurança pública tem forte ligação com a expansão da economia, que gerou inúmeros impactos extremamente positivos, mas também provocou um rápido crescimento demográfico interno, especialmente através da migração de populações inteiras de praticamente todo o país, criando assim um caldo de culturas inimaginável e necessidades sociais novas. Nos últimos anos, a localização geográfica, especialmente de Goiás, fator que sempre serviu como atrativo para instalação e ampliação de empreendimentos com alcance nacional, também passou a chamar a atenção dos grupos organizados do crime nacional e internacional.

É diante desse cenário extremamente complexo que Marconi Perillo e José Eliton mapearam também eleitoralmente. Até aqui, o trabalho desenvolvido pelo secretário Ricardo Balestreri coleciona elogios em todas as áreas do governo e setores da base aliada. Ele é um dos maiores teóricos do país e demonstrou, no dia a dia, que consegue passar a teoria para a prática. O problema é entabular tais questões na efervescência de uma campanha. É onde entra num figurino perfeito o ex-governador Irapuan Costa Junior.

O vice-governador José Eliton fez
uma escolha surpreendente e certeira | Foto: Renan Accioly

Engenheiro por formação, Irapuan escalou todas as esferas da vida pública no Estado. Foi presidente da Celg, prefeito de Anápolis, governador, deputado federal e senador. É dono de uma visão administrativa privilegiada. O Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia), que se tornou a porta escancarada para a industrialização do Estado, é criação dele. E nesse ponto, Marconi e Irapuan têm afinidade. Após sair do governo, em 1979, o Daia foi sistematicamente desprezado por todos os governadores que o sucederam até 1999. Sob o comando de Marconi, a retomada e priorização do Daia redimensionou a iniciativa, e o que era no passado uma imensa área reservada a futuras indústrias tornou-se pequeno, necessitando inclusive de novas expansões.

Outra característica de Irapuan é sua paixão pela leitura. É um devorador de livros. Isso lhe conferiu ao longo dos anos uma extraordinária capacidade de interpretação dos fatos históricos e da realidade. Some-se a esse escopo cultural a vivência política. E é esse somatório que está sendo levado em conta. Irapuan, além de tudo, é um grande debatedor, e certamente será acionado para abordagem do tema segurança pública sempre que necessário.

Não se sabe exatamente como se deu o seu convencimento para ocupar a espinhosa tarefa de assumir a Secretaria de Segurança Pública em plena campanha eleitoral. É provável que tanto Marconi como José Eliton tenham se dedicado o suficiente para tirá-lo de sua “aposentadoria” através do desafio que ele terá pela frente. Irapuan é o que se pode chamar de linha dura, que não faz concessões que extrapolem suas convicções. Certa­men­te sua convocação passou pelo fato de que o Estado, e o governo, particularmente a base aliada e seu projeto administrativo, necessitam de al­guém com a sua experiência administrativa e política para o en­fren­tamento da in­segurança e também dos debates e­leitorais que vão ser travados du­rante a campanha. Mais do que qualquer outro nome que possa vir a integrar o governo de José Eliton a partir de abril, Irapuan Costa Junior é o que melhor representa a linha que se pretende adotar, e quebra o discurso dos dois prin­cipais adversários, Ro­nal­do Caiado e Da­niel/Maguito Vilela.

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