A grande expectativa em torno da última pesquisa Quaest de intenção de voto para o governo de Goiás, divulgada na noite deste sábado, 3, véspera das eleições, tinha motivo. Aliás, motivos, no plural. Um deles era saber se Daniel Vilela, governador do MDB que tenta a reeleição, manteria o favoritismo aos 45 minutos do segundo tempo da campanha ou se a vantagem construída sobre os adversários começaria, enfim, a encolher.

Havia, também, expectativa sobre o (possível) impacto da passagem de Flávio Bolsonaro por Goiânia, no domingo passado, sobre a candidatura de Wilder Morais, do PL. E restava ainda saber se a estratégia de Marconi Perillo, do PSDB, de comparar suas realizações com as das gestões de Ronaldo Caiado e Daniel e tentar colar no governador a pecha de “inexperiente” teria algum efeito concreto, mesmo que mínimo, no eleitorado.

Os números da Quaest, porém, cravaram como concretizado apenas a primeira hipótese: Daniel chega à eleição como favorito e com possibilidade real de encerrar a disputa ainda no 1º turno.

O levantamento mostrou Daniel Vilela com 57% dos votos válidos na disputa pelo governo de Goiás. Wilder Morais aparece com 20%, seguido por Marconi Perillo, com 18%, e Luis Cesar Bueno, do PT, com 5%. No cálculo dos votos válidos, são excluídos brancos, nulos e os entrevistados que não souberam ou não responderam

No cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Daniel aparece com 47% das intenções de voto. Considerada a margem de erro, pode oscilar entre 45% e 49%. Wilder tem 17%, com intervalo entre 15% e 19%, enquanto Marconi registra 15%, variando entre 13% e 17%.

Em suma, a última Quaest antes das urnas revela, basicamente, duas coisas. A primeira é que Daniel pode ser reeleito governador já neste domingo, 4 de outubro. A segunda, é que as estratégias escolhidas por Marconi e Wilder pra encurtar a vantagem do emedebista simplesmente não surtiram o efeito esperado – e não foi por falta de aviso.

A explicação para isso esteve à vista das duas campanhas durante praticamente toda a corrida eleitoral. Pesquisa após pesquisa, independentemente do instituto, Daniel aparecia confortavelmente à frente, enquanto Marconi e Wilder permaneciam a léguas de distância. Ainda assim, diante de um cenário que implorava por revisão de estratégia, os dois fizeram a escolha mais cômoda e, eleitoralmente, talvez a mais cara, que foi a de insistir na tática adotada.

Marconi construiu boa parte de sua campanha sobre o ressentimento (palavras de cientistas políticos ouvidos pelo Jornal Opção). Apresentou-se reiteradamente como perseguido, injustiçado e alvo dos adversários. Mas é importante lembrar, em tempo, que o ex-governador foi alvo de operações policiais amparadas por investigações legais, e isso não é sinônimo de perseguição.

Paralelamente, parcela considerável de sua campanha foi consumida por ataques a Daniel e Caiado, empenhado frequentemente em “acertar contas” com o passado. E isso é inusitado, usando um eufemismo, para quem precisava justamente ampliar seu eleitorado pra além de uma base já conhecida.

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Já Wilder cometeu um erro diferente, mesmo que tão previsível quanto Marconi. O “bolsonarista” (assim, entre aspas) apostou praticamente todas as fichas no bolsonarismo, como se a identificação com Jair Bolsonaro fosse suficiente para lhe entregar votos em uma bandeja de prata. E, como se vê nos números, não foi.

O candidato passou boa parte da campanha jogando parado e só pareceu perceber a urgência da partida quando o relógio da partida já marcava a prorrogação. Mas o ponto é que nem mesmo o eleitor bolsonarista parece ter enxergado Wilder como um dos seus. Faltou a ele aquilo que, no bom português eleitoral, poderia ser chamado de “22 na testa”.

A própria passagem de Flávio Bolsonaro por Goiânia corrobora isso. O presidenciável esteve ao lado de Wilder, mas poucas vezes mencionou seu nome. Antes disso, outras lideranças nacionais do bolsonarismo já tinham mostrado uma relação, no mínimo, pouco entusiasmada com a candidatura do senador.

A tendência, às vésperas da votação, é de reeleição de Daniel Vilela, possivelmente ainda no 1º turno. Leia-se: não só porque seus adversários erraram, mas porque o próprio eleitorado deu sinais de preferência pela continuidade da atual gestão. A eleição chega ao fim com Daniel ocupando justamente o espaço que Marconi e Wilder não conseguiram disputar.

Fica uma lição, caso as urnas confirmem as pesquisas: se a campanha dá sinais claros de que a rota escolhida pode levar ao fracasso, muda-se, obrigatoriamente, a rota. Mas o problema é que, para alguns, talvez nem isso fosse suficiente. Com um eleitorado inclinado à continuidade e índices elevados de rejeição pesando sobre candidaturas como a de Marconi Perillo, tem-se limites bem objetivos pra qualquer reação.