Afonso Lopes
Afonso Lopes

Sem folga, mas o pior já passou

Há uma boa e uma má notícia: a boa é que o governo estadual emite sinais de que as finanças estaduais estão sob controle; a má é que a economia brasileira ainda não se recuperou completamente

Marconi Perillo e Maguito Vilela: parceria administrativa boa para a população | Foto: Reprodução

Uma das principais ca­ra­c­terísticas do governador Marconi Perillo é o otimismo administrativo. Nesse sentido, é impressionante como ele consegue gerar positivismo ao seu redor em torno de situações difíceis. E essa particularidade de Marconi se nota tanto nas questões políticas como nas essências da administração do Estado.
De nada valeria esse otimismo todo se isso não viesse a bordo de medidas efetivas que respaldem es­truturalmente a animação. Mar­co­ni faz esse complemento de for­ma natural, no dia a dia do varejo da administração e também no atacado. Observando-se à distância, percebe-se que ele gosta do que faz.

Na ausência de boas notícias, ele costuma fazer assuntos. É o que aconteceu agora, e ainda está em curso, ao receber uma centena de prefeitos eleitos no ano passado. Deve ser a coisa mais chata do mundo ficar de plantão no gabinete vendo e participando ativamente desse tipo de ação política. Entra prefeito e sai prefeito e a cantilena de todos se repete: ninguém vai lá oferecer nada. Ao contrário, todos vão pedir alguma coisa para suas cidades.

É claro que os prefeitos estão cobertos de razão. Eles foram escolhidos pelas suas populações exatamente para fazer coisas assim. O que impressiona é que nenhum deles sai do encontro do governador da mesma forma como chegou. Não importa o tamanho da cidade, sua importância estratégica eleitoralmente ou politicamente: todos são ouvidos, e têm suas reivindicações discutidas, como se fossem únicos.

Durante anos, talvez décadas, o Palácio das Esmeraldas funcionava como uma arapuca política para “pegar” prefeitos adversários. Bastava um encontro no Palácio para o prefeito retornar à sua cidade com uma nova ficha de filiação partidária nas mãos. Ou fazia isso ou necas de audiência com o governador. Provavel­mente em razão dessa prática histórica, políticos importantes na constelação política estadual, como Iris Rezende, de Goiânia, e Adib Elias, de Catalão, tenham passado períodos inteiros de governo em suas cidades sem jamais pisar no Palácio das Esmeraldas.

O primeiro grande político de oposição ao grupo de Marconi Perillo a perceber que se acertar administrativamente com o governo e conviver politicamente de maneira cordial com o governador não significaria abandonar suas posições e partido foi Maguito Vilela. Em 2011, assim que retornou ao comando do governo, Marconi viu bater às portas do Palácio o velho adversário peemedebista, então prefeito da segunda mais populosa cidade do Estado, Aparecida de Goiânia, e líder de forte grupo dentro do PMDB, o maguitismo. Nas escadarias do Palácio, ainda antes de se fazer anunciar, Ma­gui­to foi questionado pela im­pren­sa sobre o que estaria fazendo ele ali, na “casa” do adversário. A resposta foi franca e de u­ma sinceridade total e inusitada: “Vim cumprimentá-lo pela vitória, e propor parceria com o Es­tado em Aparecida de Goiânia”. O PMDB reagiu como se o gesto fosse traição. Maguito levou “bordoadas” de quase todos os setores do seu partido.

O tempo mostrou que Ma­guito Vilela sabia exatamente o que estava fazendo e, mais do que isso, do caminho correto que tinha adotado. Hoje, Iris e Adib sinalizam em direção ao Palácio também favoráveis a acordos e convênios administrativos em benefício das populações de Goiânia e Catalão. Agem de forma adulta politicamente, e recebem em troca tratamento republicano, exatamente como devem ser as coisas na política. Nem Maguito, nem Iris e nem Adib, ou qualquer outro líder, precisa aderir ao partido do governador para ser recebido no Estado. Maguito cumpriu oito anos de mandato e saiu deixando em seu lugar Gustavo Mendanha, também peemedebista.

O fato de gerar assuntos positivos, como essa agenda de receber prefeitos de todas as regiões e partidos no Palácio, não significa que a crise financeira — muito mais do que econômica, diga-se — está superada no Estado. Goiás não é uma ilha, e certamente só vai superar completamente as principais dificuldades quando o Brasil retornar ao bom caminho na política econômica. Ainda assim, o governo emite sinal evidente de que, ao lado de medidas de controle severo nas próprias contas, a situação é hoje menos preocupante do que era no final de 2014, antevéspera da derrocada econômica de 2015/2016.

O retorno do antigo calendário para pagamento do IPVA, que se estenderá ao longo do ano, é a informação clara de que o equilíbrio financeiro foi conseguido. Não é apenas um agrado bobo, com conotação de factóide. Significa que o Estado deve, a partir de agora e em ritmo crescente, recuperar plenamente o protagonismo em nível interno. Se ocorrer o que os economistas entendem que acontecerá especialmente a partir do segundo semestre deste ano, com algum, ainda que pequeno, crescimento econômico, será aberto um novo ciclo para o Estado, e agora ainda mais sólido e estruturado. l

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