Afonso Lopes
Afonso Lopes

Prefeitos caiadistas do MDB avançam

Eles querem que Iris Rezende, principal aliado do senador democrata Ronaldo Caiado, passe a ser o coordenador geral do partido para as eleições deste ano

Prefeitos Ernesto, Roller de Formosa , Adib Elias, de Catalão, e Paulo do Vale, de Rio Verde: a trinca pró-Caiado | Fotos: Y. Maeda (Adib), Marcos Kennedy (Ernesto) e Divulgação

Os prefeitos das cidades de Formosa, Ernesto Roller, Catalão, Adib Elias, e Rio Verde, Pau­lo do Vale, frequente e abertamente apontados como francamente favoráveis ao apoio do MDB à candidatura do senador democrata Ronaldo Caiado ao governo do Estado este ano, ampliam a pressão interna contra as articulações do grupo que defende o nome do emedebista Daniel Vilela, deputado federal, filho de Maguito Vilela, ex-governador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia. Os três prefeitos, articuladamente, defendem que a coordenação do processo de afunilamento interno da candidatura do partido ao governo seja feita pelo prefeito Iris Rezende, de Goiânia.

É óbvio que a ideia não pegou nada bem entre os danielistas. Tudo porque Iris sempre foi o principal aliado de Ronaldo Caiado, desde que os dois se uniram nas eleições de 2014 após décadas de intensa rivalidade política. E a desconfiança dos Vilela faz sentido, sim. Apesar de o prefeito Iris Rezende ter insistido nos últimos tempos que o MDB deve lançar nome próprio ao governo, sua parceria com o senador Caiado poderia ser reforçada ainda mais se a coordenação geral do processo parar nas mãos dele.

Essa disputa interna se reflete nas discussões do MDB a respeito da definição do comportamento que o partido deve ter. Iris Rezende teve completo domínio sobre o MDB desde meados da década de 1980, após vencer internamente pelo menos três grupos políticos bastante fortes, liderados por Henrique Santillo, Mauro Borges e Irapuan Costa Júnior. Em 1998, no auge dessa hegemonia, seu grupo acabou atropelando a natural candidatura à reeleição do então governador Maguito Vilela, origem da atual disputa pelo poder.

Maguito, que naquela eleição disputou e venceu as eleições para o Senado, sempre aceitou a liderança — e hegemonia total — de Iris Rezende sem apresentar publicamente qualquer contrariedade. Até que em 2014 surgiu um momento adequado para mostrar suas diferenças em relação ao método exercido pelos iristas. Ele apoiou a candidatura do empresário Júnior Friboi ao governo do Estado, após ele desembarcar no MDB a bordo do aval do diretório nacional. Iris travou uma intensa batalha contra o recém-chegado e acabou conseguindo impor mais uma vez a sua candidatura ao governo.

A derrota naquela eleição e a rebeldia contra a direção nacional o enfraqueceram. Foi então que o grupo liderado por Maguito Vilela encontrou condições bastante favoráveis para receber o apoio do diretório nacional, que colocou Daniel Vilela na presidência do diretório regional. Desde então, os vilelistas ditam as regras dentro do partido — e permanecem com apoio da direção nacional.

É exatamente essa condição ímpar na direção que está em jogo, em última análise, nesse quadro de coordenação geral do processo de afunilamento. Se Iris puder decidir, de certa forma retornará ao comando, mesmo que seja de forma temporária.

E onde entra o trio de prefeitos Roller, Adib e Paulo nessa história toda? Desde a eleição de 2016, e diante da divisão entre iristas e maguitistas, eles perceberam uma brecha para trabalhar internamente numa nova corrente, que não feche nem com um lado nem com o outro, abrindo assim um terceiro polo de poder interno. No estágio atual, o apoio à candidatura do senador democrata não implica necessariamente alinhamento com Iris Rezende, mas o apoio à candidatura de Daniel poderia significar uma queda pelo poder maguitista no diretório regional. Daniel, presidente regional do MDB, percebeu a armadilha e reagiu com o poder da caneta, brecando ações do diretório da cidade de Formosa, que saiu do controle do prefeito Ernesto Roller e se alinhou à direção estadual. Se a ação serviu para demonstrar a força representada pela estrutura administrativa interna, igualmente gerou reação na direção oposta, o que terminou por reforçar a posição de Roller, acrescentada e somada aos prefeitos de Catalão e Rio Verde.

Como se vê, não se pode negar que os prefeitos conseguiram avançar, e tentam protagonizar a tematização interna a respeito da definição da candidatura ao governo, que de quebra tem consequências diretas na equalização do status quo do poder interno. O debate seria significativamente arrefecido se o senador Ronaldo Caiado deixasse a tranquila liderança inquestionável que exerce dentro do seu partido, o DEM, e topasse entrar no fervente caldeirão emedebista. Mas o risco seria muito maior do que permanecer onde está. De olho em 2014, aliás. Friboi presidia o PSB com total liberdade, e mesmo com apoio explícito do diretório nacional, ao chegar ao MDB deparou com o exército irista pronto para a batalha. Perdeu tudo o que tinha. l

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