Augusto Diniz
Augusto Diniz

Por que você precisa ir ao shopping durante a pandemia?

O que te faz sair de casa enquanto o número de casos de Covid-19 aumenta para entrar em um local fechado com várias outras pessoas no mesmo espaço como um shopping?

Shoppings reabertos Aparecida de Goiânia 1 - Foto Reprodução TV Anhanguera

Qual a explicação lógica para que 35,7% da população de Goiânia seja a favor da imediata reabertura dos shoppings? | Foto: Reprodução/TV Anhanguera

50.058 mortos. Este é o número de pessoas que perderam a vida para a Covid-19 no Brasil até sábado, 20. 295 foram aquelas que faleceram em decorrência da doença até a mesma data no Estado. E 111 apenas em Goiânia. O total de pessoas que foram infectadas pelo novo coronavírus chegou a 1.070.139 ontem em todo o País, bateu a casa dos 15.049 em Goiás e 5.035 pessoas na capital.

Os números são assustadores. Causam medo, dor e preocupação. Mas em apenas um dia, mais de 6 mil pessoas foram ao shopping na Região Metropolitana de Goiânia. Um só centro de compras. Vale reforçar que a transmissão do Sars-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19, se dá pelo ar. O contágio pelas vias aéreas parece não preocupar quem se dispõe, por vontade própria, a passar minutos, até horas, em um local fechado, com o mesmo ar em circulação nos corredores.

Para fazer o quê? Dizem que seria para comprar produtos necessários. Mas urgentes? Já não estão abertos os supermercados e as farmácias? Os postos de combustível continuam a funcionar, assim como os ônibus do transporte coletivo não pararam de rodar.

Outras formas de comprar

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Os números são assustadores. Causam medo, dor e preocupação. Mas em apenas um dia, mais de 6 mil pessoas foram ao shopping na Região Metropolitana de Goiânia | Foto: Reprodução/TV Anhanguera

A quase totalidade das lojas dos shoppings realiza vendas on-line ou no sistema de delivery na casa do cliente. Quando não, funcionam na lógica do drive-thru, em que você passa com seu veículo – ou até mesmo a pé – e busca a mercadoria encomendada. Mesmo assim, o que te faz sair de casa quando não há obrigação para sair às ruas e ir ao shopping?

O que explica o fato de 35,7% dos goianienses – pesquisa de opinião do instituto Fortiori divulgada na quinta-feira, 18 – defenderem a reabertura imediata dos shoppings. Enquanto o condicionador de ar segue ligado no corredor do centro de compras fechado, a máscara não protege 100% sua boca, nariz e olhos das gotículas contaminadas que circulam nos corredores. Mas você prefere passear e tomar uma casquinha de sorvete no shopping?

E quando voltar para casa, seus pais, mães, avôs e avós vão entender se você, mesmo que não manifeste qualquer sintoma, transmita o novo coronavírus aos seus familiares mais queridos e próximos? Você queria muito o livro novo do autor que mais gosta, mas não pode esperar até dez dias para que o exemplar chegue junto com os boletos do mês, que você paga com o internet banking para não ter de pegar fila na agência bancária ou no caixa eletrônico?

Passeio do privilégio

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E quando voltar para casa, seus pais, mães, avôs e avós vão entender se você, mesmo que não manifeste qualquer sintoma, transmita o novo coronavírus aos seus familiares mais queridos e próximos? | Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Se você vai ao shopping para se divertir ou passar o tempo, você é um privilegiado. Muita gente, até hoje, acredita que pobre não entra no mesmo lugar que você acha claro, agradável e seguro para passear com a família ou aquela pessoa que você conheceu na praça de alimentação. Aliás, área essa que não vai reabrir para consumo no local. Melhor então cozinhar ou pedir comida em casa pelo celular.

Sabe aquela roupa que você tanto queria? Aquele relógio novo que você viu ao lado da prateleira do óculos recém-lançado de uma marca que você guarda o dinheiro do almoço para conseguir comprar? Na internet, talvez, consiga um preço mais em conta. E ainda recebe em casa, sem nem ter de botar o nariz na porta.

É hora de escolher: passar os olhos distraídos em vitrines com produtos que você não precisa agora e, dias depois, procurar uma vaga na UTI por uma doença que você podia ter evitado, mas preferiu bater perna no shopping, ou abrir mão daquele passeio seguro, confortável, climatizado para que outros 111 não morram em Goiânia, 295 em Goiás e 50.058 no Brasil por causa de um vírus que se espalha no ar e causa uma síndrome respiratória aguda grave mais de 466 mil pessoas no mundo desde o início do ano.

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