Afonso Lopes
Afonso Lopes

Peemedebistas à beira de um ataque de nervos

Iris Rezende oscila entre se lançar candidato a prefeito de Goiânia mais uma vez e se preservar, o que causa apreensão em seus correligionários

Iris Rezende: desta vez a dúvida sobre candidatar-se ou  não parece não ser apenas jogo de cena | Foto: Renan Accioly

Iris Rezende: desta vez a dúvida sobre candidatar-se ou não parece não ser apenas jogo de cena | Foto: Renan Accioly

Iris Rezende será candidato a prefeito de Goiânia este ano? Ninguém, talvez nem ele próprio, responda essa pergunta com total convicção. Para o público externo, os peemedebistas dizem que ele está animado, vem conversando com as bases e tem repetido o velho ritual que precede suas candidaturas, de fazer certo suspense e só depois romper a cena em alto estilo. Na intimidade, o que se vê não se parece nem um pouco com esse clima de confiança. Há mais dúvidas que certezas em relação à candidatura de Iris a prefeito de Goiânia.

Iris tem algumas questões que podem estar minando sua autoconfiança eleitoral. Embora não seja afeito à avaliação de desempenho por pesquisas, e prefira contar mesmo apenas com sua natural intuição, é possível que ele tenha visto ou tomado conhecimento de alguns números que estão circulando nas cúpulas partidárias. E até onde se sabe, Iris não exibe um favoritismo como em outros tempos. Ele lidera todos os levantamentos diretos e quantitativos, mas sem deslanchar realmente em nenhuma das situações pesquisadas.

Isso não significa que se ele se decidir pela disputa não vá iniciar o processo sucessório na liderança. Mas até isso é um problema. Imediatamente após ser oficializado como candidato, entrará na mira como o cara a ser batido nesta eleição. Em outras eleições, com exceção das vezes em que enfrentou o governador Marconi Perillo para o governo do Estado após a surpreendente derrota de 1998, ele sempre começou com certa “gordura” de popularidade e intenção de votos. Desta vez, um pequeno deslize nos humores do eleitorado pode atirá-lo para a segunda posição. É a possibilidade de ocorrer esse “X” logo no início da campanha que dimensiona o risco eleitoral a que ele estará submetido na eleição deste ano.

No meio da semana, embora o assunto político em todos os lugares seja Brasília e o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, um deputado estadual do PMDB comentou em off sobre nova candidatura de Iris. Para ele, como não se define e tem a preferência, Iris trava qualquer possibilidade de um outro nome do partido ocupar espaço. Está, na visão dele, tudo travado internamente em torno dessa decisão de Iris.

O peemedebista não acredita que um dos problemas que frequentemente os adversários apontam como uma autêntica bomba contra Iris deva ser levada em conta. Trata-se da sua estreita ligação no passado com o prefeito Paulo Garcia, cuja administração se afoga em baixa popularidade. Para ele, o fato de o PMDB se afastar de Paulo e Iris ter sido atacado como autor de uma herança maldita, abre a possibilidade de sua defesa centrar no desempenho do governo dele, o que evitaria assim uma contaminação negativa pelo apoio decisivo de Iris a Paulo na eleição de 2012.

De qualquer forma, é inegável que o peemedebista terá que enfrentar o problema da sua estreita ligação com o PT de Paulo Garcia. Mais do que isso, o ex-aliado poderá abrir alguns dados financeiros que foram herdados, o que deixaria exposta uma linha possível de forte ataque ao propalado bom governo de Iris em seu mandato relâmpago, entre 2009 e início de 2010, quando abandonou o cargo para disputar o governo do Estado.

Mas Iris será ou não candidato? O deputado peemedebista disse que tem a impressão de que Iris quer ser candidato, mas está em dúvida. Isso, na avaliação dele, é ruim para o partido, que está atrasando o processo de negociações com os demais partidos. Em 2008, o PMDB não teve que se preocupar com coligações por causa da parceria com o PT. Desta vez, ao contrário, nenhum dos grandes partidos parece disposto a embarcar na coligação com o PMDB, mesmo diante de uma candidatura de Iris Rezende. Falta articulação que confirme a perspectiva de poder, o que inviabiliza as ações necessárias para a construção política dessa coligação.

Nesse sentido, quem mais avança no campo das composições partidárias é Giuseppe Vecci, do PSDB. Os grandes partidos do eixo governista estadual, exceção do PTB, que confirmou — e reconfirma a cada instante — a candidatura de Luiz Bittencourt, estão todos ou já previamente acoplados na coligação de Vecci ou com forte sinalização nesse sentido. Esse será, inclusive, o principal trunfo da candidatura dele, a forte e variada estrutura partidária de suporte.

A falta de definição de Iris, mesmo diante do fato de que este ano as convenções partidárias foram adiadas para meados do segundo semestre, tem deixado os peemedebistas em estado permanente de apreensão. O maior medo nem é perder com Iris, mas não ter como substituir a grande estrela eleitoral do partido no último momento.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.