Afonso Lopes
Afonso Lopes

Oposição estava melhor em 2006 do que agora

É notório que cada eleição carrega suas particularidades, mas ainda assim é possível comparar situações e candidaturas

Maguito Vilela aparecia na frente em 2005 — como hoje aparece Ronaldo Caiado —, mas ao final foi derrotado

Em meados de 2005, véspera da sucessão de 2006, a oposição em Goiás vivia uma fase de franca euforia. Desde a derrota de 1998 não se via nada parecido. O então governador Marconi Perillo, que havia aplicado uma surra história nos opositores em 2002, quando foi reeleito já no primeiro turno, com 51,2% dos votos, não poderia disputar novamente o cargo, e a base aliada era um poço de vaidades, egos e candidaturas. O DEM, liderado pelo então deputado federal Ronaldo Caiado, rompeu de vez e bancou candidatura própria, de oposição. O PMDB vinha em marcha batida atrás de consagradora vitória do senador Maguito Vilela, que liderava todas as pesquisas com alguma folga.

Foi somente no final de 2005, quando já se percebia certa movimentação do vice-governador Al­cides Rodrigues, que o quadro de can­didaturas do eixo governista começou a formar os contornos definitivos. Alcides, que assumiria o co­mando do governo com a desincompatibilização de Marconi, abriu o jogo e disse que disputaria a reeleição. O único e verdadeiro problema era seu índice de popularidade, pouco mais de traço e longe dos dois dígitos. Es­tava ali a ser escrita uma crônica político-eleitoral de uma derrota previamente anunciada? É o que parecia.

Pano rápido e corte para os tempos atuais.

Os opositores ainda não conseguem falar o mesmo idioma. Nem no interior do maior partido do setor, o PMDB. De um lado, o comando estadual, nas mãos do grupo liderado pelo ex-governador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela, trabalha pela candidatura do deputado federal Daniel Vilela; na outra trincheira peemedebista, os iristas, sob a liderança do prefeito Iris Rezende, arquirrival dos maguitistas, tenta impor a candidatura do senador Ronaldo Caiado.

Enquanto isso, o PT vive um dilema. O partido quer montar palanque para seu can­didato à Presidência, seja Lula ou algum outro que a direção nacional indicar, e só terá força suficiente se conseguir fechar aliança com o PMDB maguitista. O problema é que Daniel votou a favor da cassação da presidente Dilma Roussef, e isso para alguns setores petistas é absolutamente imperdoável. Isolado, ou apenas com o apoio das legendas do campo da esquerda — e bem menores —, o PT poderá até chegar ao palanque, mas sem muita força. Fal­ta capilaridade para o partido, especialmente nas cidades do interior. Em Goiânia e em Anápolis há bom número de militantes. Mas é só.

No Palácio das Esmeraldas, a vida agora é muito diferente das dificuldades de 2005, quando Alcides ainda era Cidinho, que de tão desconhecido do eleitorado estadual pôde até se dar o luxo de adotar o nome e abandonar o apelido que sempre o acompanhou desde Santa Helena. O candidato palaciano já está anunciado, e ele vem trabalhando partidária e politicamente. É o vice-governador José Eliton. Internamente, seu nome aparentemente está consolidado, e não enfrenta contestações. Pelo menos, não abertamente. Ele não tem grande popularidade, mas já aparece em algumas pesquisas em ótima segunda posição — atrás apenas de Ronaldo Caiado e à frente de Daniel Vilela.

É óbvio que esses levantamentos servem como um indicativo, mas não configuram posição definida. O eleitor anda muito mais preocupado e atento para o dia a dia do que necessariamente para a sucessão estadual do ano que vem. O calendário “civil” definitivamente não é o mesmo do calendário político. Há especialistas que afirmam que as pesquisas nesta altura do jogo medem muito mais a popularidade dos nomes do que necessariamente o potencial eleitoral de cada um. Ainda assim, é obviamente um indicativo.

Outra máxima inquestionável da política, e particularmente das eleições, é que nenhuma disputa carrega todos os elementos de qualquer outra. Ou seja, cada eleição é uma eleição. Toda própria e com elementos únicos, que inclui desde o humor do eleitorado até questões bem mais aleatórias, como o desenvolvimento das campanhas. Um só erro praticado dentro de uma campanha pode liquidar completamente com candidaturas de forte potencial e alegrar outras bem menos cotadas.

Ainda que seja assim, fortemente imponderável enquanto fatos e circunstâncias que não podem ser controladas, é claro que há, sim, maneiras de se avaliar política e eleitoralmente disputas diferentes. O quadro oposicionista de 2006 era muitíssimo mais forte do que este que os opositores conseguem somar atualmente. Para efeito direto de comparação, Maguito Vilela, o líder de praticamente toda a campanha, estava em posição bem melhor do que a que exibe Ronaldo Caiado, e De­móstenes Torres vivia uma fase tão boa e crescente que nem se compara a Daniel Vilela. Além disso, ainda havia um deputado federal em boa ascensão, que deixou o PMDB e juntou PSB e PT, Barbosa Neto.

Em resumo, o quadro em 2006 era muito mais favorável para os opositores do que é hoje. E nem isso garantiu a vitória.

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