Afonso Lopes
Afonso Lopes

Oposição é uma torre de Babel

Enquanto na base aliada estadual as disputas internas são de preservação ou de ocupação de espaços, do outro lado continua a velha guerra de egos

Será possível às oposições em Goiás se unirem em uma só candidatura ao governo do Estado? Possível é, mas é improvável que isso aconteça. Já na outra trincheira, na base aliada estadual, co­mandada pelo governador Marconi Perillo, o quadro é exatamente o o­posto: há unificação praticamente to­tal em torno do vice-governador José Eliton. No máximo, o que se percebe é somente movimentação deste ou daquele grupo se reposicionando internamente, sem afetar ou colocar em risco o conjunto unificado.

Esses dois cenários tão diferentes na política estadual passa por um outro campo de visão. A base aliada tem comando definido e aceito por todos, que é o governador. A oposição, ao contrário, não tem uma liderança colocada nem mesmo dentro do maior partido, o PMDB. Se antes as disputas internas eram travadas entre dois grupos, agora piorou. Há três forças com poder equivalente dentro do PMDB: os iristas, os maguitistas e a trinca municipal, formada por Adib Elias, de Catalão, Paulo do Vale, de Rio Verde, e Ernesto Roller, de Formosa. E o que é pior: nenhuma dessas forças se entende com as outras duas. É uma autêntica torre de Babel.

Como explicar esses fatos? Talvez seja a parte mais fácil de toda a equação. A base aliada tem bandeiras/discurso que a unifica, a oposição tem fogueiras de vaidades infladas. Nada além disso. Falta à oposição uma bandeira, um elo que vá além dos egos. E em tese deveria ser muito mais complicado manter a união dentro de uma base tão imensa e multifacetada em termos partidário do que no eixo central da oposição, formado por um único partido.

Isso fica claro ao se analisar o po­sicionamento das candidaturas colocadas até aqui pela oposição. Qual é a bandeira que diferencia o deputado federal Daniel Vilela do senador Ronaldo Caiado, protagonistas de ponta dessa disputa interna? Alguém saberia dizer qual seria o ponto diferente num hipotético governo de Daniel em comparação de Caiado? Não. Por quê? Porque não é isso o que está em jogo no PMDB. As candidaturas de Daniel e Caiado sintetizam somente a personificação da disputa entre os vários grupos: maguitistas contra iristas, iristas contra maguitistas, e a trinca municipal contra a hegemonia de ambos.

A base aliada, ao contrário, tem, sim, e claramente definida, uma bandeira. E olha que ela nasceu quase por acaso na campanha eleitoral de 1998 como mero slogan publicitário inserido numa música temática, o tempo novo. Assim chamado para diferenciar o que seria o velho tempo do PMDB no poder estadual. Ao longo dos anos, essa bandeira foi permanentemente renovada, e por isso continua funcionando muito embora o termo tenha caído em desuso.

O que a oposição chama de “velho tempo novo” não tem nada de velho. E não envelheceu com o passar dos anos porque essa renovação, capitaneada nos governos comandados por Marconi, sempre avança administrativamente em relação aos antigos métodos e costumes da oposição. Não seria nenhum exagero afirmar que quando a oposição está indo, a base aliada de Marconi já está voltando. E não há aqui qualquer referência política, mas apenas administrativa.

A oposição, por não debater propostas alternativas de governo e somente fulanizar o processo, acaba sempre ficando a reboque nas campanhas eleitorais. O que Daniel Vilela ou Ronaldo Caiado vai propor ao eleitorado no ano que vem? Passe-livre estudantil? Negativo. Já foi implantado. Am­pli­ação dos beneficiários no interior do Estado? Já está sendo ampliado. Que tal então Daniel ou Caiado propor moradias populares? O governo da base aliada já está voltando antes de a oposição ir ao te­ma. As casas não apenas foram e es­tão sendo construídas, como passaram a contar até com energia solar. Talvez a oposição possa pregar na campanha uma relação re­publicana com os prefeitos. Não vai funcionar porque mais uma vez o governo avançou sobre o tema e o colocou em prática. Vide as frequentes declarações dos prefeitos, inclusive dos peemedebistas, do caráter republicano das parcerias estabelecidas através do mais recente programa adotado, o Goiás na Frente.

Não é por outro conjunto de fatores que a base aliada estadual é vitoriosa desde 1998. E a oposição sempre afirmou antes das eleições que a fórmula governista tinha se esgotado. Sim, uma metodologia de governo pode se tornar obsoleta, mas não como um voo cego. O eleitorado jamais troca o comando administrativo se não perceber que a alternativa pode ser melhor e mais consistente. Esse é o fator que motiva o voto na oposição. E em Goiás a oposição apenas esquenta as mãos nas fogueiras de vaidades, e não formula absolutamente nada a não ser como passar a rasteira no grupamento adversário, inclusive interno. Enquanto o governo se renova, reinventa e avança no campo das propostas, a oposição se perde nas velhas práticas.

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