Afonso Lopes
Afonso Lopes

O diferencial Marconi Perillo

Não é a primeira vez que o governador tucano traz uma estrela fora do ramerrão político para compor sua equipe

Marconi Perillo cumprimenta a futura secretária da Fazenda, Ana Carla Abrão: conhecimento a serviço de Goiás Foto: Wagnas Cabral

Marconi Perillo cumprimenta a futura secretária da Fazenda, Ana Carla Abrão: conhecimento a serviço de Goiás Foto: Wagnas Cabral

Na semana que passou, o governador Marco­ni Perillo anunciou o segundo nome de seu futuro e diminuído secretariado. O primeiro foi o de José Eliton (PP), vice-governador, que vai ocupar uma das chamadas supersecretarias, a de Desenvolvimento Econômico, que englobará todas as áreas afins, como a Indústria e Comércio e da Agricultura e Pecuária. Agora, Marconi apresenta Ana Carla Abrão Costa para a vital Secretaria da Fazenda, uma goiana que ganhou fama como economista em plena Avenida Paulista, a meca do capitalismo brasileiro, o oitavo maior do planeta.

Apenas essa breve descrição do desempenho dessa goiana dispensa maiores detalhes sobre seu currículo. Não se vence na Avenida Paulista sem possuir conhecimento técnico específico, discernimento prático e extraordinária capacidade cognitiva do mercado. Ana Carla vai abandonar um dos cargos mais cobiçados desse restrito e extremamente competitivo mercado profissional, que é uma das diretorias do grupo Itaú Unibanco, o maior do sistema financeiro nacional, para despachar da sede do complexo fazendário estadual da Nova Vila. Da Av. Paulista, um dos centros do mundo, para a Nova Vila, uma baita mudança. Habitué das redações de economia mais importantes do Brasil, para quem era uma fonte sobre perspectivas de segurança de avaliação de capital, Ana Carla vaiconviver e gerar as notícias fiscais de Goiás.

É óbvio que prever, como fez em 2008 numa entrevista para o “Estadão”, que as economias globais sofreriam um processo de forte desaceleração, mas que o mundo não mergulharia numa recessão, é algo completamente diferente daquilo que Ana Carla vai encontrar pela frente a partir de janeiro. Ela terá agora, além de prever possíveis cenários econômicos tanto nacional como mundial, que afetam de for­ma acentuada ou não a economia goi­ana, que gerir o dinheiro que en­tra no cofre estadual e a quantia que sai dele para cobrir as necessidades do governo em sua gestão estadual. Parece complicado. E é mesmo.

Ana Carla tem relações cultivadas por anos de convivência profissional com alguns dos maiores cérebros da área econômico-financeira do Brasil, tanto em Brasília quanto em São Paulo. Entre os quais estão os principais mentores do Plano Real, que ainda hoje serve como referência máxima para a gestão global da economia brasileira. Isso conta muito a favor dela na sua tarefa futura. No atual modelo fiscal do país, praticamente todos os recursos das administrações públicas se concentram em Brasília. Os Estados conseguem somente fazer, bem ou mal, o dever de casa. Conseguem governar o que aí está, e mais nada. Os investimentos dependem de capitais novos, sejam eles de origem pública, sejam privados. Ana Carla, com o conhecimento que acumulou, sabe onde estão e quais são as portas que guardam esses recursos, e quem fica com as chaves.

No campo político, a escolha e anúncio de Ana Carla Abrão Costa como futura secretária da Fazenda de Goiás revela mais uma vez que o governador Marconi Perillo tem um diferencial em relação aos seus concorrentes diretos. Num mero exercício de imaginação e raciocínio, torna-se oportuna a pergunta: quem ocuparia a Fazenda em um hipotético governo de Iris Rezende, Vanderlan Cardoso ou Antônio Gomide? Alguém com mais credenciais que Ana Carla, e que nem aqui no Estado estava atuando? Ou algum integrante de seus próprios grupos?
Nesse aspecto, Marconi realmente demonstra na prática que gosta de inovar, de buscar novas experiências enquanto governador. Em 1999, quando assumiu o governo pela primeira vez, recuperou os salários dos servidores públicos estaduais como jamais havia sido feito. Para se ter uma ideia, na época, os mais baixos salários recebiam uma complementação no contracheque todos os meses para se atingir o salário mínimo vigente. Além disso, colocou em prática algo absolutamente impensado e que se tornou uma prática nacional: o pagamento rigorosamente em dia dos servidores, dentro do mês trabalhado, e não no décimo dia do mês seguinte, como determinava a legislação — que nem era cumprida. Também introduziu o pagamento integral do 13º salário nos meses de aniversário dos servidores.

Mais recentemente, em seu terceiro mandato, convidou e convenceu Simão Cirineu, ex-secretário da Fazenda de Minas Gerais, terceira maior economia do Brasil, a ocupar a mesma função aqui em Goiás. Ele veio, e como conhecia do riscado, ajeitou a casa e indicou as portas do dinheiro de Brasília, habilmente abertas por Marconi posteriormente no campo político.
Alguns opositores chegaram a sussurrar, não mais do que isso, que a indicação de Ana Carla Abrão Costa é composição política para agradar a mãe dela, Lúcia Vânia, e de quebra seu pai, ex-governador Irapuan Costa Júnior. Se todas as indicações políticas nas máquinas públicas brasileiras fossem nesse nível, certamente seriam muitíssimo bem-vindas. Além do mais, quer algo melhor que ter em sua equipe, na vital Secretaria da Fazenda, uma economista com o gabarito de Ana Carla e que, de quebra, é filha de uma senadora da República e de um ex-governador que entre outras coisas criou o Daia, o maior e mais importante distrito industrial do Centro-Oeste brasileiro? Esse é o diferencial que levou o eleitor de Goiás a eleger Marconi em 1998 e repetir o voto mais três vezes.

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