Afonso Lopes
Afonso Lopes

No embalo das inaugurações

Governador Marconi Perillo corre o Estado nos próximos meses para participar da inauguração de obras do Programa Goiás na frente

Governador Marconi Perillo inspeciona obra em
rodovia: realizações dão impulso ao projeto governista

O governador Marconi Perillo (PSDB) tem passado menos tempo na capital. Praticamente todos os dias, inclusive nos finais de semana, ele tem percorrido as regiões do Estado para participar da entrega de obras nas cidades, principalmente rodovias. A lista é imensa, e faz parte do conjunto de obras do Programa Goiás na Frente, que começou em meados do ano passado. Através de convênio, os prefeitos indicaram quais as obras que as suas populações mais querem de imediato, e receberam o dinheiro suficiente para que o serviço fosse feito. A assessoria do Palácio Pedro Ludovico informa que esse rush de inaugurações vai até o início de abril, e beneficiará quase 60 cidades, a maioria delas governadas por prefeitos do PSDB e do PMDB, consequência natural para o fato de que foram esses partidos que mais elegeram prefeitos em 2016.

Marconi vai encerrando assim seu segundo ciclo de sete anos e seis meses como governador. Eleito em 1998, ele administrou o Estado entre 1999 e início de 2006. Em 2010, voltou a ser eleito governador, e foi reeleito em 2014. Na primeira semana de abril ele deve se desincompatibilizar para disputar uma das duas vagas de senador que vão estar em jogo nas eleições deste ano.

Sob todos os aspectos, o saldo extremamente positivo do Programa Goiás na Frente traz reflexos administrativos e também, obviamente, influência político-eleitoral. Lideranças oposicionistas foram surpreendidas e fizeram a aposta errada, de que as obras não gerariam impacto porque o Estado não conseguiria bancá-las. Na campanha eleitoral, é claro que o tema vai ser explorado pelos candidatos, especialmente aquele que carregar o estandarte da base aliada estadual — o vice-governador José Eliton, que assumirá o governo em abril com a desincompatibilização de Marconi, está consolidado como candidato à reeleição, e só não irá disputar o cargo se não quiser.

O candidato governista vai tentar pegar carona muito favorável no desempenho do Goiás na Frente — que segundo o palácio só foi possível por causa da forte reforma administrativa iniciada no final de 2014 e concluída em 2015, que manteve o nível fiscal do Estado num patamar suportável e bem melhor financeiramente do que três das quatro unidades mais ricas da Federação: Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Até por falta de definições e, além disso, total ausência de debates internos, os dois principais candidatos da oposição, o deputado federal Daniel Vilela, do PMDB, e o senador Ronaldo Caiado, do DEM, vez ou outra apresentam argumentações que não levam tão em conta assim a realidade. Mais ou menos como ocorreu no governo anterior, quando foi implantado a cogestão dos grandes hospitais públicos através de organizações sociais, e que teve rápida aprovação da maioria das populações atendidas.

Essa descontextualização pode levar os oposicionistas a fazer uma campanha restrita e genérica ao mesmo tempo, podendo atingir mais o eleitor da capital e não chegando ao eleitorado do interior. É claro que esse curso pode ser corrigido antes que a campanha comece. Ou seja, antes que o erro grave seja cometido. Para se ter melhor ideia do que ocorre em situações assim, basta relembrar a campanha de 2006. Na liderança em todas as pesquisas, o pai de Daniel, Maguito Vilela, virou chacota dos eleitores da região sul ao prometer asfaltar uma rodovia que já tinha sido asfaltada. O governista Alcides Rodrigues, que disputava a reeleição após receber o governo de Marconi Perillo, que disputou a vaga de senador, explorou a falha. É impossível dimensionar exatamente quantos eleitores deixaram de votar no emedebista por causa dessa descontextualização entre o discurso e a realidade, mas certamente não foram poucos. Alcides venceu os dois turnos e se manteve no Palácio das Esmeraldas.

A questão, porém, não é tão simples. O governo tem formatada a sua plataforma com base naquilo que a população percebe como positivo, e com aquilo que ainda falta fazer — e sempre faltará muito. Os oposicionistas vão bater no que consideram errado, mas vão ter que sair dessa zona natural e de conforto para quem faz oposição. É necessário estruturar um discurso que possa ser apresentado como alternativa ao que se tem, e não exatamente apenas de mudanças de nome.

O eleitor, bem mais antenado do que muitos imaginam, até vota contra, mas desde que tenha alguma oportunidade para acreditar que uma mudança radical nos rumos vai oferecer a possibilidade de melhorar. Essa mensagem tem que ser bem formatada e muito bem apresentada para gerar esse resultado. De outra forma, e muitas vezes é o que se vê, a pancadaria verbal de campanha serve somente para deleite popular e muito pouco se transforma em voto.

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