Afonso Lopes
Afonso Lopes

Meta da oposição é garantir 2º turno

Restando três semanas de campanha, objetivo principal dos opositores é evitar que Marconi vença já no 1º turno

Marconi Perillo (PSDB) é o favorito, mas precisa lembrar que eleições não são decididas pela frieza da análise

Marconi Perillo (PSDB) é o favorito, mas precisa lembrar que eleições não são decididas pela frieza da análise

Em 2010, Iris Rezende tinha apoio e perdeu. Em 2014... Vanderlan Cardoso: não conseguiu emplacar na disputa Antônio Gomide, o novato da disputa, só aparece como coadjuvante

Em 2010, Iris Rezende tinha apoio e perdeu. Em 2014…
Vanderlan Cardoso: não conseguiu emplacar na disputa
Antônio Gomide, o novato da disputa, só aparece como coadjuvante

Quem ainda tem fôlego para acelerar a campanha vai ter que usá-lo a partir de agora. Faltam apenas três semanas para a realização do 1º turno. Ao to­do, vão ser oito programas eleitorais, sete ainda este mês e apenas um an­tes do primeiro domingo de ou­tubro. Desde o início das sondagens de opinião pública, em julho do ano passado, pelo Serpes/O Popular, não se verificou nenhuma virada de posição entre os quatro principais candidatos. Quem mais deslanchou desde então foi o governador Marconi Perillo (PSDB), que aparecia com 25,7%, apenas 1,2% à frente de Iris Rezende (PMDB). Vanderlan Cardoso (PSB) tinha 9 pontos e Antônio Gomide (PT), 6.

Essa pesquisa, porém, não serve como parâmetro para as atuais porque abrangia uma relação de nomes bem mais ampla, como Ronaldo Caiado (DEM), que optou por disputar o Senado, e Júnior Friboi (PMDB), que renunciou à candidatura após violento processo de afunilamento interno no PMDB. Se não pode ser utilizada para a comparação direta, a pesquisa de julho de 2013 revela pelo menos o que aconteceu de lá até aqui. Marconi se apresenta atualmente na faixa próxima de 40% e Iris está situado em torno de 10 pontos atrás. Vanderlan e Gomide praticamente somam as mesmas intenções de voto que tinham antes.

Fôlego

Teoricamente, há tempo suficiente para provocar uma reviravolta legal no quadro sucessório atual. Pelo menos, em teoria, repita-se. Na prática, o tempo trabalha contra, principalmente Vanderlan e Gomi­de, que até agora cumprem apenas papel coadjuvante, como possíveis agentes provocadores de um 2º turno. E os problemas dos dois candidatos não é apenas o tempo que resta de campanha. De­ficiências não corrigidas lá atrás podem se revelar ainda mais graves no período que começa a partir desta semana.

O principal desses problemas é a falta de boa estrutura de chapas de deputados estaduais e federais. Apesar de ter bons nomes, até com possibilidade de grandes votações individuais, nem Van­derlan e nem Gomide tem redes partidárias e de candidaturas suficientes para cobrir bem todas as regiões do Estado. E são exatamente os candidatos a deputado estadual e a deputado federal que carregam as cores dos candidatos ao governo e ao Senado para o varejinho do voto, no corpo a corpo. Iris menos e Marconi mais nadam de braçada nesse quesito, com chapas bem mais abrangentes do ponto de vista da cobertura territorial e também política.

Outro ponto ruim especialmente para Vanderlan e Gomide é que seus índices atualmente não são nada empolgantes. Ou seja, no exato momento da campanha que a empolgação geral pode animar eleitores e definirem os votos, ambos ainda vão precisar de algum mecanismo mágico pra quebrar a forte polarização entre Marconi e Iris, fator que dificulta a inserção de ambos na avaliação massiva do eleitor. É como se o eleitor os visse, como fez até agora, como coadjuvantes. Eles precisam quebrar isso rapidamente.

Marconi e Iris

A disputa até agora é entre Marconi e Iris. Como foi há quatro anos, na única eleição em que os dois realmente disputaram voto a voto diretamente e com condições de vencer. Antes, em 1998, a vitória de Marconi extrapolou qualquer análise politicamente racional e não há como citar aquela campanha sem realçar o fenômeno que ocorreu, quando o tucano começou com quase 70% a menos que Iris e promoveu a mais espetacular virada eleitoral da história de Goiás.

Em 2010, ao contrário, Iris e Marconi começaram a campanha praticamente iguais. Exatamente como está ocorrendo agora. Aos poucos, Marconi cresceu e conseguiu fechar o 1º turno com vantagem de 10%. No 2º turno, confirmou a vitória com 6 pontos de frente. Os números mais recentes dos institutos de pesquisa, que vão ser atualizados com novos levantamentos, mostram Marconi na liderança, um pouco acima dos 10%. É aqui, portanto, que Iris precisa reagir. Em 2010, com apoio total da Prefeitura de Goiânia, do Palácio das Esmeraldas – no 2º turno – e do Palácio do Planalto, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como cabo eleitoral, ele não conseguiu virar a eleição no turno decisivo. Diminuiu a diferença, mas foi derrotado.

Desta vez, Iris vai ter que contar somente com ele e seus aliados. Não tem mais a força da Prefeitura de Goiânia, que enfrenta inúmeros desgastes de imagem, não é o candidato do Palácio do Planalto, e o Palácio das Esmeraldas está sob o comando do próprio Marconi. Em tese, se em 2010 ele não conseguiu derrotar o grande rival, agora está bem mais difícil.
Em tese, que fique claro. Em eleição, nem sempre as coisas acontecem sob a lógica racional da análise. Definitivamente, campanhas eleitorais não são ciências exatas, mas, ao contrário, muito humanas. Mas também não dá para esperar por salvadores fenômenos. É necessário trabalhar bem e duríssimo. Iris tem pela frente uma tarefa difícil, e precisa mostrar se ainda tem fôlego para virar a eleição agora ou no 2º turno.

Quanto a Marconi Perillo, so­mente em 2002 ele teve vida mais tran­quila numa eleição. Exatamente, co­mo agora, durante um processo de reeleição. Naquela eleição, ele con­seguiu romper a barreira dos 50% – 51,2% dos votos válidos – e de­finiu a parada já no 1º turno. Foi por muito pouco, sem grandes so­bras. O problema lá foi o excesso de confiança da militância em vitória tranquila. Desta vez, ao contrário, ele chega à reta final da campanha com condições até de vencer no 1º turno, mas ele e seu poderoso exército eleitoral vão ter que trabalhar mais do que trabalharam até aqui.

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