Afonso Lopes
Afonso Lopes

Habilidade driblou o conflito

Oposição, especialmente os pensadores da bancada do PMDB, tentou criar 3º turno na disputa pela presidência da Assembleia Legislativa. Helio de Sousa desarmou a jogada

Deputado Helio de Sousa: capacidade de articulação  para se impor a um nome que inicialmente era o preferido  do Palácio das Esmeraldas

Deputado Helio de Sousa: capacidade de articulação para se impor a um nome que inicialmente era o preferido do Palácio das Esmeraldas

O cenário para enfiar um conflito no meio da disputa pela Presidência da Assembleia Legislativa estava armado e com todos os personagens em seus lugares. Os principais articuladores da futura bancada da oposição, principalmente no PMDB, criaram um enredo em que o apoio à candidatura do democrata Helio de Sousa, governista eleito pela coligação PMDB/DEM, significaria uma pequena derrota para o governador Marconi Perillo (PSDB).

Nessa articulação, os peemedebistas foram os primeiros a fechar questão em torno da candidatura do democrata, e levaram os demais deputados eleitos pela oposição para esse mesmo caminho, inviabilizando de imediato o campo de atuação dos deputados Lincoln Tejota (PSD) e José Vitti (PSDB), mas ainda sem conseguir barrar as ações do deputado recém-eleito Francisco Chiquinho Oliveira (PHS), que tinha sinal verde do Palácio das Esmeraldas para buscar a presidência da Assembleia.

E entre os opositores era evidente o suposto terceiro turno eleitoral através da disputa na Assembleia, inclusive com articulação de um autêntico batalhão de choque como cabo eleitoral de Hélio. Lincoln e Vitti não suportaram a pressão e se retiraram. Chiquinho se manteve, principalmente por causa da declarada preferência dos palacianos pelo seu nome.

O resultado desse conjunto de ações é que Hélio de Sousa será realmente o próximo presidente da Assembleia Legislativa, mas sem o caráter de disputa contra o Palácio das Esmeraldas como imaginavam inicialmente os opositores. O democrata teve habilidade suficiente para costurar apoios sem permitir o crescimento do sentimento dessa disputa, inclusive ao atuar de forma completamente independente em relação ao presidente de seu próprio partido, o senador eleito Ronaldo Caiado, arquirrival do governador Marconi Perillo como protagonista político do Estado. Não se ouviu de Caiado uma só declaração a favor de Helio. Nem se soube de qualquer trabalho dele nos bastidores, nem mesmo entre os seus novos aliados, os peemedebistas.

Mas se o parto dessa eleição parece ter sido dos mais tranquilos, o processo foi bem mais hardcore. Sem mais que 14 votos, Chiquinho precisava de outros sete deputados para garantir a vitória, chegando aos necessários 21 votos. Para isso, e desde sempre, ele contava com o apoio direto de Marconi Perillo nos momentos derradeiros da definição. Foi exatamente esse empurrão final que não veio. Marconi preferiu apaziguar a situação entre Helio e Chi­quinho colocando os dois frente a frente, em duas oportunidades, dentro do Palácio das Esmeraldas.

Palacianos dizem que em um desses encontros, o primeiro, Marconi participou, ouviu, mas nada disse. Apenas teria se referido ao fato de que um confronto entre os dois aliados, numa decisão apertada e por votos, poderia não ser exatamente positiva para a imagem de todos. Na segunda reunião, o governador teria novamente colocado ambos em uma sala, e se retirou, pedindo apenas que eles chegassem a um entendimento definitivo.

E esse entendimento finalmente a­conteceu. Helio, com habilidade, desarmou qualquer espírito beligerante contra Chiquinho, e demonstrou que estava apoiado pela maioria absoluta dos deputados. Ou seja, ele já teria mais do que os 21 votos necessários para ser eleito. Isso tornaria absolutamente insano qualquer for­ma de recuo de sua parte. Chiquinho resignou-se certo de que Marconi não se pronunciaria sobre a eleição na Assembleia Legislativa, e sem essa ação a sua candidatura estava com destino certo, a derrota em plenário.

O quadro está absolutamente definido, conforme explicou um dos palacianos a esta Conexão. Na visão dele, que estava articulando em prol de Chiquinho desde o primeiro momento, era impossível fazer frente ao rolo compressor pilotado por Helio de Sousa. “Foi a habilidade do deputado Helio que impediu uma qualquer ação direta mais contundente. Ele conseguiu desarmar o espírito de revanche que a oposição, especialmente a bancada do PMDB, havia montado para a eleição na Assembleia”, sacramentou. “Não haverá terceiro turno”, concluiu. l

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