Afonso Lopes
Afonso Lopes

É possível evitar a vitória de Marconi?

O arsenal usado até aqui contra a reeleição não funcionou. Oposição ainda tem bala na agulha para levar a disputa para o 2º turno? Por que o discurso oposicionista não deu certo?

Iris Rezende: o mesmo discurso de “escolhido de Deus”  Vanderlan Cardoso: sem messianismo, mas sem nada de novo Antônio Gomide: petista vive o drama de convencer o eleitor

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Vanderlan Cardoso: sem messianismo, mas sem nada de novo
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Marconi Perillo mudou sua forma de se apresentar ao eleitorado goiano, destacando o perfil gerencial

Marconi Perillo mudou sua forma de se apresentar ao eleitorado goiano, destacando o perfil gerencial

Como evitar uma vitória acachapante de Marconi Perillo logo no primeiro turno? Se alguém conhecer uma resposta realmente eficaz para essa pergunta poderá suprir a maior demanda atual nas hostes oposicionistas. Se antes a meta era crescer o máximo possível visando diminuir fortemente a vantagem estabelecida pelo governador até aqui para criar certa perspectiva de vitória num segundo turno, agora o objetivo é acordar do pesadelo que seria a reeleição de Marconi no primeiro turno. Pesadelo que já está instalado nos sonhos dos oposicionistas. Percebe-se um clima francamente desanimado e até mesmo pesado nos comandos das principais campanhas diante da, cada vez maior, possibilidade de Marconi ultrapassar a barreira dos 50% dos votos válidos nas eleições de 5 de outubro. Até agora, todo o esforço oposicionista não deu em nada.

Não é difícil observar o fracasso até aqui das tentativas dos opositores. As linhas de projeção e acompanhamento das pesquisas de praticamente todos os institutos que tem monitorado as tendências do eleitorado goiano, indicam para uma única direção: a tal barreira mágica que separa a vitória inapelável e/ou a prorrogação. Ou seja, se não acontecer algo realmente grandioso nas campanhas oposicionistas urgentemente, será muito complicado impedir que Marconi não saia desta campanha muito mais consolidado do que quando entrou nela.

Apenas essa informação já é muito ruim do ponto de vista dos opositores, mas esse não é o único aspecto que tem impregnado esse ar carregado e pessimista nos comandos. O maior problema é que o grande arsenal prometido e anunciado para as campanhas das oposições parece estar no fim sem que se tenha atingido ao menos minimamente as metas previstas. O que mais ainda resta para se usar nesta campanha e, assim, evitar que as linhas de projeções avancem cada vez mais em direção aos 50% dos votos válidos? Mais do que isso: o que ainda pode ser usado rapidamente para, pelo menos, bloquear ou retardar esse avanço do exército marconista? Ninguém sabe, e é por isso que se aponta para a pergunta inicial desta Conexão e que tem pronta e grande demanda na oposição atualmente: o que fazer?

O maior e definitivo erro estratégico das oposições talvez tenha sido apostar tudo e mais um pouco num possível desgaste da imagem política de Marconi Perillo. Parecia óbvio demais que bastaria atacar esse flanco para atingir o objetivo. Afinal, 16 anos de poder pesam mesmo nesse desgaste de imagem política. São anos e anos de dissidências, adesões, encontros e desencontros, encantos e desencantos políticos. O grande problema é que esse não é mais o perfil com que Marconi navega no eleitorado. Enquanto os oposicionistas imaginavam que poderiam derrotar o político Marconi até por “fadiga de material”, para usar um dos termos mais recorrentes empregados por alguns pensadores da oposição há coisa de um ano, quando previam a virada de página do poder em Goiás, Marconi construía na realidade o perfil atual, em que sobressai o aspecto gerencial.

Difícil entender isso? Talvez, mas uma olhada profunda nas campanhas percebe-se a nuance, a sutileza da diferença que marca o atual Marconi daquele moço de 1998 ou o Marconi de 2002. Não existe mais aquele ser político que saía distribuindo abraços relâmpagos, beijando crianças e dando tapinhas nas costas de multidões enlouquecidas e apaixonadas. O Marconi da atual campanha é o reflexo de seu terceiro mandato, o gerente, o técnico capacitado pela experiência acumulada de gestão da administração estadual. E nesse perfil não cabe a figura do político tradicional, beijoqueiro e popularesco. Ele migrou da tradição para a modernidade na forma de agir politicamente.

Provavelmente, é isso que o faz resistente a tantos ataques e dificuldades desde 2011, crescendo ao ponto de abrir a perspectiva de romper a mágica barreira dos 50% já no primeiro turno. A diferença de atuação política de Marconi atualmente para os demais opositores é brutal. Seu principal adversário, por exemplo, Iris Rezende, ainda se rende aos possíveis apelos tradicionais com certa dose messiânica que atravessa décadas. Há 20 ou 30 anos, “dom de Deus” para governar o povo soava fascinante. Hoje não é mais assim. Não é atual. Não num mundo cibernético, em que as necessidades e sonhos das populações são atendidas tecnicamente por meio da administração pública. Os discursos de Vanderlan Cardoso (PSB) e Antônio Gomide (PT), mesmo sem o messianismo, tem o idêntico tom déjà vu (pronuncia-se déjà vi). Não oferecem e nem prometem nada além de um sonho intuitivo.

Resta saber se ainda há fôlego entre os oposicionistas para reverter um quadro tão desfavorável. Fácil não é, mas quem disse que seria? Muitos disseram, é verdade. O problema foi a mira desatualizada. Tentaram acertar uma imagem politicamente tradicional de Marconi, que ficou no passado, e não perceberam que a fila do tempo andou, e o político Marconi é hoje um agente de apelo gerencial. Assim, e a um mês do primeiro turno, resta à oposição acreditar no imponderável. Difícil? Sim, mas não impossível. Como diria Bil, o inesquecível craque e boa praça do Goiânia Esporte Clube, eleição só termina quando acaba.

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Mario Borges

Qual o projeto de Governo que as oposições tem para Goiás ??? Ele só acusam o Governo atual, falam que segurança é fraca , falam na Celg , como fazer para trazer a Celg de volta, ai incluindo a Cachoeira Dourada e Corumbá ?? Estamos bem em estradas e na Educação o Estado de Goiás ganhou até premio, Qual o Projeto de Iris para Goiás ??? e do Vanderlan ???