Afonso Lopes
Afonso Lopes

Cidinho 2005 ou Zé Eliton 2017

É claro que se trata de uma situação completamente absurda do ponto da vista
da realidade, mas, no fundo, o que se quer saber é quem, um ano antes da eleição, soma mais para a eleição do ano seguinte

O ano é 2005. O governador Marconi Perillo acelera seu final de governo para, em pouco mais de oito meses, desincompatibilizar-se do cargo para disputar mandato de senador. Em abril do ano seguinte, naturalmente, o vice-governador Alcides Rodrigues, naqueles tempos ainda muito mais conhecido pelo apelido diminutivo, Cidinho, está, como sempre, calado em seu canto. Foram sete anos de vice-governadoria apagada, discreta, com um breve voo como interventor na cidade de Anápolis após afastamento do então prefeito pela Câmara Municipal da cidade. Cidinho, muitos desconfiam, guardava um segredo que só os amigos confidenciais dele sabiam: o vice seria candidato ao governo um ano depois.

Tempos atuais. O governador Marconi Perillo coloca em operação um dos programas de execução de obras mais audaciosos do país em plena recessão econômica, que inclui também parcerias com todas as cidades do Estado, independentemente da ficha de filiação partidária dos prefeitos. Em abril do ano que vem, o atual vice-governador José Eliton assumirá duas funções absolutamente importantes para o grupamento governista: comandar o Estado com a desincompatibilização do governador Marconi Perillo, e disputar a reeleição. Não há segredos sobre sua candidatura a governador como representante da base aliada estadual.

As coincidências sobre os dois processos sucessórios, como se pode constatar, existem, mas há também diferenças que saltam aos olhos. Cidinho sempre foi um vice discreto, quase amuado no seu canto. Quando surgiram as primeiras pesquisas, seu nome mal era citado por livre escolha do eleitor ou apontado quando o pesquisado era estimulado. A vice-governadoria de José Eliton foi carregado do tom político em tempo integral, além de pessoalmente ter segurado protagonismo dentro da equipe em consonância direta com o governador Marconi Perillo. Pesquisas realizadas pelos partidos, tanto da base como pelas oposições, o colocam imediatamente na segunda posição, atrás apenas de Ronaldo Caiado quando também é avaliado o deputado federal Daniel Vilela como candidato do PMDB.

Num quadro comparativo, a situação atual de José Eliton é infinitas vezes melhor e mais densa do que era a de Cidinho um ano antes da eleição. Mais do que isso, seu nome é consensual dentro da base, enquanto o ex-vice teve que apresentar a força da caneta que teria em mãos alguns meses depois ao ser anunciado pelo governador Marconi Perillo como candidato à sua sucessão em 2006. Aliás, seu nome, mesmo já no exercício do cargo de governador, enfrentou problemas bastante sérios às vésperas das convenções partidárias, e foi necessária a intervenção de Marconi para garantir a sua aprovação. Já a indicação de José Eliton caminha como fator agregador da esmagadora maioria dos partidos que integram a base aliada estadual comandada por Marconi.

Como se sabe, graças à força de Marconi e de toda a base, Cidinho se transformou em Alcides Rodrigues, e fez uma trajetória durante o processo eleitoral meteórica, ultrapassando um a um os principais adversários até chegar à frente de todos no primeiro turno.

A situação de José Eliton, embora muito mais favorável atualmente do que era a de Cidinho em 2005, igualmente depende da ajuda de Marconi. O governador é o elã do eleitorado de toda a base aliada e principal general da máquina eleitoral. A diferença é que Eliton tem feito a sua parte, e conseguido um retorno positivo quanto a sua imagem. Ele não precisará surgir no processo como um meteoro ou um foguete.

Pensadores da oposição entendem que a força de Marconi em 2006 era muito maior do que será em 2018. É provável que essa tese se comprove. Marconi viveu um auge jamais igualado a qualquer outro líder político em Goiás, que se iniciou nas eleições de 2002, quando se tornou o único candidato a vencer as eleições no primeiro turno. Ele próprio, em 2010 e 2014, não conseguiu repetir esse desempenho tão extraordinário. Esse fato, porém, tem menor relevância em relação a 2018 do que teve em 2006. José Eliton é um peso muito leve, mais ágil e organizado do que Cidinho. Ou seja, a força político-eleitoral de Marconi, que vem de sua segunda reeleição ao concluir quatro mandatos, deve ser suficiente para carregar as candidaturas da base aliada para a competitividade plena. Fato que é admitido pelas lideranças opositoras, que adotaram como modelo principal de discurso a unidade em torno de um só candidato.

Num hipotético balanço das possibilidades dentro desse quadro, E­li­ton é uma aposta muito mais se­gura do que foi Cidinho em 2006.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.