Afonso Lopes
Afonso Lopes

Caiado divide o MDB e Daniel Vilela agrega novas forças

Para reforçar sua candidatura ao governo do Estado e ao mesmo tempo minar Daniel Vilela, seu adversário de mesma trincheira, o senador Ronaldo Caiado avança sobre setores do MDB. O emedebista também busca reforço, mas na base aliada estadual, e não no DEM

Senador Ronaldo Caiado e deputado federal Daniel Vilela: pré-candidatos ao governo em busca de alianças

O festivo lançamento de setores emedebistas no apoio à candidatura do senador Ronaldo Caia­do, presidente regional do DEM, ao governo do Estado, representa, sem nenhuma dúvida, duas pontas de um mesmo jogo. Primeiramente, Caiado reforça seu time. Afinal, ele passa a contar com prefeitos de cidades importantes, como For­mo­sa, na região do Entorno, Catalão, no Sudeste, e Rio Verde, no Sudoeste. Como todos eles, Ernesto Roller, Adib Elias e Paulo do Vale são filiados do MDB, na segunda ponta da estratégia dos caiadistas é enfraquecer Daniel Vilela, presidente do partido e também candidato ao governo estadual.

Olhando desse modo, é evidente que a candidatura de Ronaldo Caiado avançou no panorama geral. Daniel perde o apoio entre três dos principais prefeitos do seu partido. Mas, por incrível que possa parecer dentro do antagonismo da análise, o candidato emedebista conseguiu neutralizar o estrago causado pelos caiadistas em suas hostes ao abrir as portas para duas lideranças até então bem posicionadas da base aliada estadual, os atuais presidentes regionais do PP, senador Wilder Morais, e do PSD, ex-deputado federal Vilmar Rocha.

Pode-se até alegar que ambos provavelmente não vão conseguir levar muita coisa na bagagem caso realmente fechem em torno de Daniel. A tendência tanto no PP como no PSD é a manutenção do status quo dentro da base. Mas olhando para a dissidência emedebista, a situação se torna bastante parecida. Os prefeitos desembarcam no barco de Caiado sem levar o partido.

Inicialmente, portanto, qualquer balanço que se faça observando essas ondulações pré-eleitorais, bastante comuns na montagem das estruturas de apoio das campanhas, percebe-se claramente que o grupo de Daniel Vilela não apenas se manteve na disputa tão estruturado quando antes como talvez venha até a conseguir alguma forma de vantagem no futuro. Seu leque se ampliou na direção externa, e não internamente, como ocorreu com a candidatura do senador Ronaldo Caiado, que buscou somar o que já estava computado dentro do guarda-chuva oposicionista. Ou seja, Daniel somou para o grupo oposicionista enquanto Caiado conseguiu se reforçar somente dentro desse grupamento.

É evidente que a fase atual é de estruturação das campanhas, e as águas ainda são turbulentas. O que hoje parece ser, pode não se revelar da mesma forma no futuro próximo. Algumas vezes isso é difícil de se entender quando não se vive internamente o mundo político e todas as suas nuances que resultam em posições finais.

Aqui entra a velha máxima de que a política tem velocidade própria, bem diferente do mundo fora dela. Dentro disso, as candidaturas de Ronaldo Caiado e Daniel Vilela parecem tão sólidas quanto estavam antes da semana passada, com cada grupo atuando com estilos bem diferentes, mas visando o mesmo objetivo. Caiado somou dentro do MDB e Daniel se reforçou fora. no futuro, conforme a situação for sendo moldada tanto por um quanto pelo outro, o emedebista ainda pode tirar importantes coelhos da sua cartola.

Na sexta-feira, 23, o prefeito Iris Rezende, principal estrela e condutor do MDB goiano, deu declarações que trouxeram um significado interno que quase passou desapercebido. Iris disse que trabalhou para que as duas candidaturas, de Caiado e Daniel, se unissem. Como ele próprio admitiu que essa possibilidade, se ainda existente, está cada vez mais distante, anunciou que seu candidato será o emedebista. Ou seja, Iris limitou a dissidência interna ao tamanho que ela já está, sem abrir muita brecha para novas adesões de emedebistas à candidatura de Ronaldo Caiado.

Daniel ainda pode ter um último trunfo em termos de aliança partidária, mesmo que não consiga atrair PP e PSD. O PT, de Antonio Gomide e Rubens Otoni, os dois principais nomes do partido em Goiás, praticamente lançou um nome ao governo do Estado sem maiores apelos além dos limites geopolíticos do partido, a presidente regional Kátia Maria. Isso abriu a possibilidade de que o PT pode acabar fechando uma coligação com o MDB dos Vilela, especialmente através da influência do mais petista de todos os emedebistas de Goiás, Maguito. O estilo Daniel consegue agregar mais do que o seu rival de trincheira, Ronaldo Caiado, mas esse jogo está muito longe do fim, e não há nada definido.

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