Afonso Lopes
Afonso Lopes

Base aliada já tem nome para 2018

Vice-governador e secretário de Segurança Pública está consolidado internamente como virtual candidato a governador 

Governador Marconi Perillo e vice-governador José Eliton

Governador Marconi Perillo e vice-governador José Eliton

O vice-governador José Eliton (PSDB), que tam­bém ocupa a Se­cretaria de Segurança Pública, é o nome da base aliada estadual para a batalha eleitoral de 2018. Ponto final. Ponto final? Sim, essa questão está consolidada.

Diante disso, a primeira pergunta a seguir surge de forma natural: mas não está muito cedo para fazer uma afirmativa tão forte, peremptória, sem deixar qualquer margem para escapar desse determinismo afirmativo? Poderia haver essa válvula de escape, claro, como acrescentar que ele é, neste momento, o nome da base aliada para 2018. Mas isso, além de ser óbvio, é desnecessário. José Eliton só não seria candidato a governador em 2018 se não quisesse. E ele quer. Não apenas ele quer, mas também é o preferido de ninguém menos que o governador Marconi Perillo, o grande maestro da base aliada estadual.

Outro ponto que também entra naturalmente nessa abordagem é sobre a antecipação. Não há pressa demais nessa definição, afinal de contas 2018 ainda está no horizonte longíquo da política? Não, não há. Para o mundo do dia a dia, é mesmo natural que se tenha a eleição sucessória como algo tão distante que só possa ser avistado com binóculos poderosos. Para o mundo político, 2018 já começou. Está logo aí. A política vive sempre com um pé no futuro da próxima eleição.

É fácil constatar isso. Veja-se então o que tem acontecido entre os opositores, especialmente nas hostes do maior partido do grupo rival da base aliada, o PMDB. O prefeito eleito de Goiânia, Iris Rezende, nem assumiu o comando administrativo da capital e a disputa interna está pegando fogo, e envolve ainda o maior aliado de Iris, o senador democrata Ronaldo Caiado.

Voltando à base aliada, a consolidação do nome de José Eliton tem razão de ser por diversos ângulos de análise. O primeiro deles é que entre os maiores nomes cogitados para a sucessão do governador Marconi Perillo, ele é o menos conhecido ainda do grande público. E deve continuar assim até as vésperas da disputa, quando os nomes dos pretendentes afloram de vez. Isso também conta a favor dele, e não contra como inicialmente pode se imaginar.

O resultado das eleições municipais deste ano mostrou que há um movimento silencioso nas camadas do eleitorado que indica para um direcionamento inédito na política brasileira: o novo. Em todas as cidades, com exceção somente de casos pessoais extraordinários, como Iris Rezende em Goiânia, e alguns outros poucos gatos pingados consagrados aqui e acolá, candidatos bem estruturados e com discurso centralizado na realidade foram vencedores. O maior e mais acabado exemplo, citado nacionalmente quase todos os dias, é João Dória Júnior, em São Paulo.

O paulistano vencedor se apresentou como sendo um político gestor. Essa foi a sua temática. José Eliton teria condições de fazer a mesma apresentação? Mais ou menos. Não com tanta ênfase, mas poderá, sim, se mostrar como gestor público. Sua experiência nesse campo se dá pela vivência íntima com o núcleo das decisões do governo de Marconi Perillo. Mas José Eliton é um político, e Dória, não. Não mesmo? Ao contrário, embora tenha ressaltado o seu lado gestor, o prefeito eleito de São Paulo jamais negou o óbvio, de que não apenas é filho de um político tradicional como ex-secretário de governos anteriores. Obede­cidas as proporções, e se retirar os nomes, a discrição caberia como inicial de João Dória e José Eliton.

O atual vice-governador tem outro importante trunfo a ser utilizado no devido tempo. Como a legislação atual — que não deve sofrer mudança até 2018 — exige a desincompatibilização para os atuais governadores que queiram se lançar candidatos para outros cargos — e é certo que esse será o caso de Marconi Perillo —, José Eliton estará no exercício do governo como candidato à reeleição. É uma baita condição. Desde a introdução da reeleição no Brasil, em meados da década de 1990, cerca de 88% dos candidatos nessa condição conseguiram êxito. As chances aumentam ou diminuem em razão do desempenho das máquinas administrativas. Quanto melhor e mais aprovadas, maiores as chances de reeleição.

Observando-se o desempenho histórico dos governos comandados por Marconi Perillo, há um ponto coincidente em todos eles: o fato de que há uma decolagem bastante clara e evidente a partir do terceiro ano. É sempre a partir daí que as soluções equacionadas internamente vão aflorando em ritmo crescente. É como se o governo equacionasse internamente todas as questões até encontrar o caminho ideal a ser rigorosamente seguido depois até as metas serem atingidas. O período inicial é de baixa, enquanto a parte final é de alta.

Será, provavelmente, nesse quadro que José Eliton assumirá o comando do Estado e também a candidatura à reeleição. Isso o faz candidato previamente natural, mas sem problemas internos em razão de sua vivência dentro da base aliada estadual. Seu espírito conciliador, em­bora igualmente combativo no debate com os opositores, o coloca na linha de frente da maior máquina eleitoral do Estado, que tem como principal referência exatamente Marconi Perillo. Somente como efeito comparativo, em 2006, Marconi carregou um pesado eleitoralmente Alcides Ribeiro e o entregou no Palácio das Esme­ral­­das. Desta vez, o trabalho do líder da base será muito mais leve.

Os opositores esfregam as mãos visualizando um 2018 alvissareiro, enquanto se estranham em duríssimas e francas disputas internas. Esse é um dos vários fatores que permitem na navegabilidade eleitoral da base aliada de Marconi por mares nem tanto problemáticos. A oposição não é capaz de formular estruturalmente uma alternativa ao governo, e bate sempre em questões conjunturais. Essa é a diferença brutal que existe: o governo sempre formula avanço, enquanto seus opositores pregam somente a troca de nomes. E mesmo entre eles nem esse nome é consenso. Na base, ao contrário, o comando e presença forte de Mar­coni garantem a unidade — com raríssimas dissidências. O governo não forma coligações para as eleições, mas coalizões feitas para governar depois. É por essa razão que José Eliton desponta naturalmente, ele é fruto dessa prática, a coalizão.

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