Afonso Lopes
Afonso Lopes

Alguém vai querer a ajuda dele em 2016?

Reeleito no 1º turno em 2012, prefeito de Goiânia viu sua administração derrapar dois anos seguidos. Ele precisa se recuperar em 2015

Prefeito Paulo Garcia: se não reagir logo, corre o risco de virar pária político / Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Prefeito Paulo Garcia: se não reagir logo, corre o risco de virar pária político / Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Restam dois anos de mandato para o prefeito de Goiâ­nia, Paulo Garcia. Estrela do PT em 2012, quando foi reeleito no primeiro turno com quase 58% dos votos válidos, sua administração não conseguiu decolar, e hoje nem de longe lembra aquela liderança em plena ascenção, e que chegou inclusive a ser apontado como um dos possíveis candidatos ao governo do Estado. Há dois anos o governo de Goiânia coleciona desgastes sucessivamente, sem ter demonstrado em nenhum momento alguma forma de reação. O tempo dele está acabando. Ainda é possível tirar a administração do atoleiro em que se meteu, mas tem que começar a reagir agora, já em 2015.

Jamais ficou clara a origem dos problemas administrativos de Paulo Garcia. Ou ele não pode, por questões políticas e de lealdade, revelar o que originou tamanha encrenca, ou foi ele próprio que não conseguiu equacionar os problemas do cotidiano. O drama é imenso. Tanto num caso como no outro, é uma sinuca de bico. E, assim sendo, vai ser necessária uma extraordinária capacidade de superação, inclusive dos problemas que ainda não estão definitivamente solucionados, como são os casos do serviço de recolhimento do lixo, manutenção das vias públicas e da iluminação, além das fortes pressões sobre a folha de pagamento. O ano de 2014 chega ao fim sem que nada disso tenha sido resolvido. No máximo, ganhou-se algum tempo.

É claro que todos esses problemas bastante sérios podem ser resolvidos com dinheiro. Haven­do caixa, lâmpadas são trocadas, ruas esburacadas são rapidamente consertadas, o lixo é recolhido com certa rotina, e ainda se atende às demandas salariais dos servidores, que este ano foram represadas. A questão é: cadê o dinheiro?

Não se sabe exatamente como e nem em qual proporção, mas a Secretaria de Finanças acenou para Paulo Garcia com uma varinha mágica que encheria os cofres da Prefeitura instantaneamente e da forma mais fácil do mundo. Bastaria aumentar o IPTU-ITU em níveis estratosféricos, que em alguns casos, denunciados pela bancada de oposição na Câmara Municipal, atingiria 4.000%. Uma insanidade total. O custo operacional para se aprovar uma pancada dessas na Câmara sem contar com uma sólida e absolutamente fiel bancada majoritária é impagável. Principalmente levando-se em conta o nível de desgaste da imagem da administração, que tem batido sucessivos e históricos recordes, provavelmente só comparável ao auge da crise na administração de Daniel Antonio, na década de 1980, e que resultou numa intervenção estadual.

A varinha mágica, portanto, nasceu morta. Tanto que ninguém fala mais em correção/au­mento do IPTU-ITU nos níveis cogitados inicialmente. Mas a freada não foi suficiente. O aumento linear do imposto em quase 100% em dois anos, sendo 57% agora e outro tanto em 2016, também foi rechaçado até pela bancada, cada vez menor, da base do governo. Vai ter que ser menos que isso, talvez a metade, 30%, e mesmo assim certamente não vai ficar barato. Haverá, sim, algum custo operacional.

Aumentar impostos é a medida mais fácil e rotineira encontrada pelas administrações públicas no Brasil para corrigir seus próprios erros no campo da despesa. É sempre assim. Se algum governo perde as condições de administrar seus problemas, corre para o bolso do cidadão. Claro que, ao mesmo tempo, anuncia algum tipo de corte nos gastos públicos, mas que nunca é suficiente.

Qualquer que seja o índice de aumento — e neste caso não se pode falar em reajuste —, é certo que vai ser mais um golpe na popularidade de Paulo Garcia. Mas não há maneira de se combater efetivamente a crise administrativa se não tiver dinheiro além daquilo que já tem. Ou seja, dinheiro novo, limpinho e pronto para custear o equacionamento dos problemas que assolam Goiânia desde meados de 2013. Sem o aumento, Paulo poderia evitar esses novos danos de imagem, mas estaria se condenando e condenando a cidade a continuar mergulhada na crise. Dos males, portanto, o menor.

Como não será mais candidato à reeleição, até por força da legislação em vigor, o prefeito Paulo Garcia tem agora que se concentrar na recuperação de seu governo, para não virar um pária a ser evitado por todos os candidatos em 2016. Não apenas um pária, mas um zumbi a ser espancado todos os dias na campanha sucessória. Ele tem o ano que vem para fazer isso. Se ele não conseguir normalizar a vida administrativa em 2015, no ano eleitoral será praticamente impossível. Até porque lhe faltará até credibilidade para isso. E sem credibilidade, ninguém vai querer a ajuda dele em 2016.

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