Do Leitor
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Cartas

“Literatura saborosa no trem de Thomas Wolfe”

ADALBERTO DE QUEIROZ

“O trem e a cidade” é uma pequena obra-prima. Terminei de lê-lo num vagão de um trem rápido de Helsinque a São Petersburgo e me deparei com trechos saborosos, em que Thomas Wolfe descreve a emoções da partida de um trem.

O narrador é um americano que viaja na França – similar a este brasileiro que o lia muitos anos depois –, viajando num trem russo: “As pessoas estavam falando a língua universal da partida, que não varia no mundo inteiro – a língua muitas vezes banal, trivial e até inútil, mas por isso mesmo curiosamente tocante, já que serve para esconder uma emoção mais profunda no coração dos homens, para preencher o vazio que há em seus corações ante o pensamento da partida, para servir de escuro, uma máscara que esconda seus sentimentos verdadeiros. E por isso havia para o jovem, o estranho e o forasteiro que via e ouvia essas coisas, um caráter emocionante e comovente na cerimônia da partida do trem. Enquanto ele via e ouvia essas atitudes e palavras – que, transposta a barreira de uma língua estranha, eram idênticas àquelas que ele vira e conhecera toda a sua vida, entres os seus –, ele de repente sentiu, como nunca tinha sentido antes, a terrível solidão da familiaridade, a percepção da identidade humana que tão estranhamente une todas as pessoas do mundo, e que está arraigada na estrutura da vida dos homens, muito além da língua que eles falam, da raça da qual são membros” (tradução de Marilene Felinto).

Só o jornalista Euler de França Belém para escrever algo assim nesta altura da geografia jornalística do Brasil Central – ou, se preferem, da província de Goyaz. Parabéns, genial! [“Filme e livro ressaltam relação produtiva entre o escritor Thomas Wolfe e o editor Max Perkins”, Jornal Opção, 2157, coluna “Imprensa”]

Adalberto de Queiroz é escritor e empresário.

“Que os governantes do País precisam acabar com o Uber”

Protesto de taxistas em frente a Câmara Municipal de São Paulo | Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas

Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas

CLEBSON CERQUEIRA

Os táxis e a profissão de taxista estão sendo sucateados por um aplicativo que não respeita as leis já existentes em nosso país, as quais não permitem transporte individual remunerado com carros particulares. Nossos governantes têm de tomar uma providência urgente e proibir de vez o Uber, que está aproveitando-se da crise para explorar as pessoas e desrespeitar leis que controlam nosso sistema.

Se continuar assim, vai virar uma bagunça em todo o sistema de transporte. Por exemplo, podemos comprar um ônibus com placa particular (placa cinza) e sair por aí transportando passageiros a um preço menor do que as em­presas cobram e por aí a fora. O aplicativo em questão, além de desrespeitar as leis e normas do País, ainda ilude as pessoas propondo ganhos que não são reais. Esse aplicativo ilegal e imoral pratica preços que não cobrem despesas mínimas nesse tipo de serviço. Mas não há preocupação em relação a isso, querem simplesmente acabar com os táxis e os taxistas no País para, assim, monopolizarem o serviço e escravizar esses motoristas que se sujeitam ao aplicativo, que se preocupa somente com os 20% a 25% que descontam do valor praticado, sem que exista nenhuma forma de controle de quantidade de frota, local para atuar ou trabalhar.

Há tantos motoristas, que ficam batendo cabeça entre eles, pois, como não existe critério algum, em pouco tempo terão de transportar um ao outro para trabalhar um pouco e pagar pelo menos o combustível Fazem os donos do aplicativo infame ficarem cada dia mais ricos e poderosos, enquanto trabalham de 12 a 18 horas por dia, sem sobrar tempo nem mesmo para um lanche no horário em que estão trabalhando – que dirá pagar outras contas.

Que os governantes deste País abram os olhos e acabem com isso. Esse assunto deve ser tratado como questão de honra, pois é mais um escândalo em nossa terra. Não merecemos isto. [“Taxistas goianos vão a Brasília pedir aprovação de lei que proíbe Uber no Brasil”, Jornal Opção Online]

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“Um projeto ridículo para um país de tanta pluralidade religiosa”

CELSO ASSIS

Trabalhei em um colégio estadual no interior onde a biblioteca era abarrotada de Bíblias (aquela versão de bolso como as da primeira foto na matéria). Ora ou outra os alunos apareciam com algumas nas mãos, como se fossem panfletos. Não sei como elas surgiram lá no colégio, mas pareciam infinitas. Também não por qual motivo. Não é da competência do estado (não merece letra maiúscula) garantir educação religiosa para ninguém. Sou desses que querem o fim do MEC. Chega a ser ridículo um projeto como esse em um país de tanta pluralidade religiosa como o nosso. [“Há um projeto de poder que se esconde por trás de distribuição de exemplares da Bíblia em escolas”, Jornal Opção Online]

Celso Assis é professor.

“Ideólogos de gênero deveriam receber território para fundar sua própria civilização”

MURILO RESENDE FERREIRA

É, esse projeto de poder começou uns 500 anos atrás quando um bando de portugueses cravou a primeira cruz lá pelos lados de Porto Seguro. Os ideólogos de gênero deveriam receber um território livre para fundar sua própria civilização.

Murilo Resende é líder do Movimento Brasil Livre (MBL)

 

“O momento pertence à turma de ‘cantores’ que está aí”

JOSÉ SILVA

Esta lista é pessoal e não há nada de errado com ela. Se pedissem a um garoto de 18 anos para fazê-la, provavelmente 80% dela seria composta por “cantores” da atualidade. Este terreno é controverso e resta-nos subir na arquibancada da vida e contemplá-lo. Não importa o que digamos, o momento pertence a essa turma que está aí, que pessoalmente rejeito veementemente, até que algo bom possa florescer neste pântano! [“As 13 maiores duplas sertanejas de todos os tempos”, Jornal Opção, 2089]

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“Lembro-me da foto de Ademar Ferrugem”

VANESSA MACHADO BARIANI

Morei na Avenida Ademar Ferrugem [bairro de Campinas], e Dona Nicole [Nicolina Honório Borges, mãe do soldado Aldemar Ferrugem] morava em frente a nossa casa. Já a conheci viúva. Lembro-me da foto de Ademar na parede, porém como era muito jovem, não me apeguei a esse detalhe – até porque ninguém tocava no assunto, pois era algo penoso para a boa senhora, ninguém queria fazer sangrar essa ferida na nossa querida Dona Nicole. [“A história do primeiro goiano morto na Segunda Guerra Mundial”, Jornal Opção, 2138]

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