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A.C. Scartezini

A presidente ensina comportamento ao novo comando da economia como se fosse tutora

Ela se trai e revela a intenção de intervir no plano de ajuste de Levy, Barbosa e Tombini como se continuasse a determinar a linha econômica

Ainda ministro Guido Mantega: constrangimento de ter sido demitido por incompetência na condução da economia l Ainda ministro Guido Mantega: constrangimento de ter sido demitido por incompetência na condução da economia

Ainda ministro Guido Mantega: constrangimento de ter sido demitido por incompetência na condução da economia l Ainda ministro Guido Mantega: constrangimento de ter sido demitido por incompetência na condução da economia

Em almoço de três horas, a presidente Dilma instalou o novo comando da economia e, com um gesto simplório, sugeriu a vontade de tutelar a reordenação econômica junto aos futuros ministros Joaquim Levy e Nelson Barbosa, mais o chefe do Banco Central, Alexandre Tombini. Recomendou o óbvio: o entrosamento entre os três; e respeito ao ainda ministro Guido Mantega.

Ao ensinar o beabá em matéria de regras de comportamento aos três economistas calejados na administração pública e privada, a presidente expõe a dificuldade que o trio terá para contornar as ansiedades da chefe e definir o plano de ajuste da transição econômica como eles acreditam que deva ser para romper com o modelo atual.

Do outro lado do balcão, ou melhor, da mesa de almoço do Alvorada, na quinta-feira, Dilma comprovou que sua vocação intervencionista e centralizadora se estende a minúcias da vida diária de sua equipe. Os três economistas, do outro lado, entenderam o que devem esperar ao longo da jornada inicial de trabalho, a da transição.

É verdade que Dilma se rendeu ao grupo de transição porque não tinha saída. O modelo econômico que determinou, diretamente, durante quatro anos a Mantega, na Fazenda, faliu a política fiscal e levou à adulteração contábil para esconder o malfeito. Porém, parece que a presidente não se conscientiza de que suas ideias estão fora do lugar.

Por isso, o arrocho previsível e próximo, renega todo o discurso de campanha da reeleição, que atribuiu à oposição o projeto de reduzir programas sociais, elevar juros e aumentar impostos. As mentiras de campanha se expõem, agora, à luz do sol e às páginas do “Diário Oficial”. Ainda sem dia para deixar a Fazenda, Mantega insinua que evitará Brasília durante a transição.

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