A.C. Scartezini
A.C. Scartezini

O jogo entre a política na Copa e as pesquisas uniu e depois afastou Dilma e Lula da Silva

Em baixa também no Ibope, presidente encara pressão contra decreto de conselhos populares, que retirou da gaveta como se faltasse confiança na reeleição

Presidente Dilma Rousseff no estádio Itaquerão, na abertura da Copa do Mundo: discrição com medo de vaias | Foto: Reprodução

Presidente Dilma Rousseff no estádio Itaquerão, na abertura da Copa do Mundo: discrição com medo de vaias | Foto: Reprodução

A. C. Scartezini

Eram previsíveis as hos­tilidades que a pre­­sidente Dilma Rou­s­seff enfrentou na abertura da Copa do Mundo, mesmo assim ela encarou o estádio em São Paulo, com a cautela de procurar uma posição discreta para não chamar a atenção da massa. Lula ficou em casa, em­bora seja o responsável pela construção do estádio em Ita­quera e tenha tudo a ver com a Copa em terra brasileira.

Dez dias antes, Lula voou de São Paulo a Brasília para uma reunião de emergência com Dilma e outros petistas que aconselham sobre os rumos da campanha presidencial. Em torno de uma mesa no Alvorada, examinaram as quedas sucessivas da reeleição nas pesquisas e concluíram que Lula deveria se aproximar mais de Dilma para transmitir um pouco de carisma à candidata.

Combinaram que Lula e Dil­ma compareceriam juntos à abertura da Copa em São Paulo e ao encerramento no Rio. Aconteceu que a queda da candidata continuou nas pesquisas. A dois dias do jogo entre as seleções do Brasil e da Croácia, saiu o levantamento do Ibope. Viu-se que, pela primeira vez em três anos e meio, a rejeição ao governo Dilma derrotou a aprovação.

Mais de um terço dos eleitores, 35%, julgaram o governo ruim ou péssimo. Menos de um terço, 31% consideram a gestão boa ou ótima. Entre a pesquisa anterior do Ibope em maio e a de junho, a rejeição aumentou cinco pontos. Os que não votariam nela de jeito nenhum passaram de 33% para 38.

Entre os três principais candidatos, a presidente foi a única a aumentar a rejeição em um mês. A rejeição a Aécio Neves (PSDB) caiu de 20% para 18. O índice de Eduardo Campos (PSB) manteve-se em 13%, a menor entre os três. Não por acaso, Campos é o mais desconhecido entre eles.

Com números coletados pelo Ibope menos de uma semana antes, a pesquisa constatou ainda que, entre os três, a disposição de votar em Dilma foi a única a cair em relação à rodada apurada em meados de maio. A presidente desceu de 40% para 37. Aécio subiu de 20 para 22 pontos. Cam­pos passou de 11 a 13%.

A pesquisa introduziu a figura do candidato a vice-presidente de cada um. Se o eleitor sabe que o vice de Dilma continua a ser Michel Temer, ela vai daqueles 37% para 38. Aécio também sobe apenas um degrau se o vice é o ex-ministro José Serra, chega a 23 pontos. Campos é que mais sobe quando o eleitor sabe que a vice é Marina Silva, passa de 13 a 17%.

As minúcias das pesquisas revelavam que São Paulo é um território delicado para o PT e a presidente. Uma semana antes da abertura da Copa, o mais recente levantamento do Datafolha atribuiu apenas 3% de votos ao candidato a governador criado por Lula, o ex-ministro Alexandre Padilha. Ele não foi ao estádio, como o padrinho.

Favorito na pesquisa com 44% de apoio, o governador tucano Geraldo Alckmin foi ao estádio Em segundo lugar com 21%, o peemedebista Paulo Skaf foi outro que preferiu ficar em casa. Agiu como o prefeito petista Fernando Haddad, outra criação de Lula que se elegeu em São Paulo, mas depois se tornou impopular.

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