A.C. Scartezini
A.C. Scartezini

A investigação de Calheiros e Eduardo Cunha por desvio de dinheiro da Petrobrás garante a crise

Eduardo Cunha na relação do petrolão é mais problema para Dilma | Foto:  J.Batista / Câmara dos Deputados

Eduardo Cunha na relação do petrolão é mais problema para Dilma | Foto: J.Batista / Câmara dos Deputados

A acolhida do Supremo Tri­bu­nal Federal à investigação dos presidentes do Congresso, senador Renan Calheiros e deputado E­duardo Cunha, pela participação de ambos no petrolão é ga­rantia de turbulências perenes en­tre o governo Dilma e o PMDB. Pior ainda para o Pla­nalto se uma legião do PT também está sob a mesma investigação.

Todos os petroleiros pensarão que faltou cobertura do governo para evitar as novas investigações autorizadas pelo ministro Teori Zavascki como relator do petrolão. O ex-presidente Lula, que não retornou a Brasília nos últimos dias para submergir na conflagração geral entre crises tem, agora, motivo para uma reflexão em torno de sua relação com o governo Dilma e a eleição presidencial de 2018.

Não é nada, Dilma tem quatro ex-ministros sob a investigação do Supremo. Começa pela senadora Gleisi Hoffmann, ex-chefe da Casa Civil e do PT. Tem ainda o senador Edison Lobão, que respondeu até dezembro pelo Ministério de Minas e Energia por indicação do PMDB do ex-presidente Sarney – no Maranhão, também a ex-governadora Roseana Sarney entra em investigação. Os outros dois ex-ministros dirigiram Cidades em nome do PP, Mário Negromonte (BA) e Aguinaldo Ribeiro (PB).

O impacto no Senado é especial. Além de Calheiros, outros dois senadores do PMDB continuam investigados, Edison Lobão e Valdir Raupp (RO), presidente em exercício do partido. Afora Gleisi, mais um senador do (PT) enfrenta o Supremo, Lindbergh Farias, do Rio. O PTB tem Fernando Collor (AL). O PP, Ciro Nogueira (PI). O PSDB tem o senador Antonio Anastasia, ex-governador de Minas.

Além de Anastasia, o PSDB tinha o senador Aécio Neves na lista do procurador Rodrigo Janot por causa de denúncia sobre propina que surgiu no sistema elétrico de Furnas. Mas Janot considerou o caso irrelevante e propôs a Zavascki que o arquivasse. O relator aceitou a sugestão, assim como ocorreu com a presidente Dilma, também mencionada.

Janot sugeriu, não afirmou porque pode haver controvérsia, que a menção a Dilma merecia o arquivo: a Constituição diz que presidente não pode ser responsabilizado por fato estranho ao exercício do mandato presidencial. Outra sugestão acolhida foi o arquivo para o caso do ex-deputado Henrique Alves (RN), presidente da Câmara até dezembro.

Goiás tinha dois representantes na lista do procurador-geral como mencionados nas primeiras investigações. Ambos do PP. Um é o deputado Roberto Balestra, tratado na lista como Renato. Balestra responderá a inquérito. O mesmo destino coube ao ex-deputado Sandes Júnior, que já se envolveu no escândalo de Carlinhos Cachoeira.

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