A.C. Scartezini

Em cinco dias, a ascensão da reeleição de Dilma na pesquisa e o abalo na Copa

A dificuldade da presidente em sair do malogro do futebol e buscar novo rumo contamina os rivais, acostumados a apenas reagir

Alemanha impõe goleada humilhante ao time nacional: ruim para o ânimo dos brasileiros e para Dilma Rousseff  | Foto: Hassan Ammar/AP

Alemanha impõe goleada humilhante ao time nacional: ruim para o ânimo dos brasileiros e para Dilma Rousseff | Foto: Hassan Ammar/AP

Em cinco dias ocorreram três fatos que mudaram o ambiente eleitoral. No dia 3 pela manhã, surgiu a pesquisa do Datafolha que reergueu o ânimo da reeleição da presidente Dilma ao divulgar a satisfação dos brasileiros com a Copa do Mundo. À tarde, desabou o viaduto em Belo Horizonte feito pelo PAC para os jogos. No dia 8, a goleada alemã sobre a seleção brasileira.

Agora, o marketing da reeleição, atordoado pelos alemães, tateia em busca de mensagem para a campanha de Dilma atualizada à nova realidade. Acostumados a apenas reagir ao governo, os outros dois principais concorrentes, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), contaminam-se com a indefinição da candidata favorita.

A saída seria mais segura para os candidatos se houvesse uma nova pesquisa com a força daquela para recolocar a sucessão em seu lugar. O prestígio de Dilma avançava e o povo sentia mais confiança no futuro pessoal naquele momento, em que a Copa era um sucesso e a seleção brasileira estava no jogo, apesar das dificuldades. E agora, como estará autoestima nacional?

Os principais partidos dispõem de pesquisas internas que, dizem, refletem uma sintonia fina com a tendência de eleitores padrões, mas elas não possuem a mesma expressão que outras feitas para o conhecimento público. As pesquisas conduzidas para clientes especiais não possuem o mesmo impacto na opinião pública, não conquistam eleitores diretamente.

A expectativa é nervosa no go­ver­no. O estrategista Lula sumiu e o PT aguardou o retorno do líder pa­ra u­ma palavra de ordem. Dilma iniciou a semana em recolhimento no Al­vo­rada para reestudar o rumo da campanha com os conselheiros à dis­po­si­ção. Apenas na quarta-feira foi ao ex­pe­diente no Planalto para quatro audiências.

Numa delas, veio a entrevista à televisão em que pregou a volta por cima da nação depois da Copa. “Nós crescemos na adversidade”, apelou Dilma, em linguagem de autoajuda, à reconstrução nacional, como quem deseja reerguer a au­toestima dos brasileiros, o que facilitaria o caminho para a reeleição, co­mo no início do mundial de futebol.

Entenda-se, subliminarmente, que a candidata afirmou que nem tudo está perdido para a reeleição, como se a satisfação dos brasileiros com o futebol e a gestão pública possa se impor nos 84 dias que faltam para o primeiro turno da eleição presidencial em 5 de outubro. Até lá, são 12 semanas para inverter a carestia nas ruas e aperfeiçoar os serviços públicos.

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