A.C. Scartezini
A.C. Scartezini

“Eles querem nos levar para as barras dos tribunais”, advertiu Carvalho. Eles quem?

Gilberto Carvalho, o grilo-falante de Lula: “Nós não somos ladrões” | Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Gilberto Carvalho, o grilo-falante de Lula: “Nós não somos ladrões” | Marcelo Camargo/ Agência Brasil

A partir dos anos 70 da ditadura, o advogado José Costa se elegeu sucessivamente deputado federal por Alagoas, desde o velho MDB, sob o impacto de uma palavra de ordem pichada nos muros das cidades: “Contra eles, Zé Costa!” Quem eram eles? Não precisava afirmar. Seria até temerário tentar explicar aquilo na ditadura.

O universo imaginário de cada pessoa é povoado por fantasmas, vultos malignos que sobressaltam diariamente o portador. Cada eleitor que aplicasse o alerta de Zé Costa aos demônios que infernizam a vida pessoal do indivíduo, às antipatias íntimas da pessoa eleitora.

Na mensagem de Gilberto Carvalho aos militantes petistas, extensiva a quem mais se expôs à repercussão da fala do companheiro lulista, “eles” são mais do que a oposição institucional ao governo Dilma, instalada em partidos.

“Eles querem nos levar para as barras dos tribunais”, discursou o companheiro Gilberto Carvalho aos militantes do PT. Eles quem? Todos os que se opõem aos rumos do poder petista 12 anos depois de sua instalação com Lula. A mira está na oposição em geral, não apenas aquela sustentada em partidos.

Eles são todos os insatisfeitos com a gestão da presidente Dilma, mais aqueles que condenam Lula pelo aparelhamento que vai além do governo e contamina o Estado. Associação que se estende aos empreiteiros que se aliaram ao PT para o saque da Petrobrás e, neste momento, alegam que foram pressionados por petistas em busca do projeto de poder infinito do partido.

“A leitura que se impõe diariamente na cabeça do nosso povo é esta de que a corrupção nasce conosco e por isso não temos condição de continuar governando o país”, queixou-se Carvalho de que a resistência ao PT está fazendo a cabeça da sociedade – certamente com apoio da mídia, à qual o companheiro não se referiu por gentileza.

Como anotou a repórter Fer­nanda Krakovics, na opinião de Carvalho há um aparelhamento amplo para bloquear o poder do PT:

“Tem uma central de inteligência disposta a fazer o ataque definitivo ao Partido dos Trabalhadores e nosso projeto popular. Não vamos subestimar capacidade deles para nos criminalizar, nos identificar com o roubo para nos chamar de ladrão, para tentar impingir em nós uma separação definitiva em relação à classe média, para tentar nos isolar e inviabilizar, em 2018, a candidatura do Lula.”

Nisso, Carvalho condenou empreiteiros que, hoje, defendem-se com a alegação, por advogados, de que não foi de empresas a iniciativa de corrupção, que o emissário de Lula não aceita:

— São empresas que se unem e corrompem funcionários de uma estatal para auferir lucros, fazer lavagem de dinheiro.

E as empresas que contribuem aos partidos com dinheiro? “A contribuição política é apenas um pequeno capítulo do grande crime que é todo o processo de acerto com empresas que fazem seu cartel, como fizeram no metrô de São Paulo e fazem na Petrobrás”, Carvalho estendeu a acusação ao PSDB paulista e admitiu roubo na petroleira.

No fim da fala, o companheiro procurou resgatar Dilma para o lulismo Abriu uma porta à reconciliação com a presidente. Solici­tou aos militantes que não façam restrições em público ao governo, “para não colocar água no moinho da oposição”. Pediu paciência com a política econômica da presidente. O que mais Dilma poderia desejar dos lulistas?

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