A.C. Scartezini

Ao voltar da praia, Dilma revela os cinco companheiros que se tornam seus conselheiros

Aloizio Mercadante, Jaques Wagner, Miguel Rossetto, Pepe Vargas e Ricardo Berzoini: os cinco homens da presidente Dilma Rousseff

Aloizio Mercadante, Jaques Wagner, Miguel Rossetto, Pepe Vargas e Ricardo Berzoini: os cinco homens da presidente Dilma Rousseff

Nenhum deles lidera o PT ou se destaca como articulador político. Nem são propriamente populares no PT, partido multiplicado em correntes e subcorrentes internas. Mas são os cinco ministros que a presidente Dilma chamou para conversar na noite de terça-feira, quando ela voltou um dia mais cedo da nova temporada na praia baiana.

Ao lado da presidente na mesa do Alvorada se sentaram Aloizio Mercadante (Casa Civil), Jaques Wagner (Defesa) ,Miguel Rossetto (Secretaria-Geral), Pepe Vargas (Relações Institucionais) e Ricardo Berzoini (Comunicações). Dois nomes chamam a atenção no grupo: Wagner e Berzoini, que não trabalham ao lado na vizinhança de Dilma no Planalto.

Entre os dois, o judeu Wagner sempre foi mais chegado e, agora que deixou o governo da Bahia, poderia estar no Planalto, mas a chefe preferiu que ficasse ao lado dos militares na Defesa. Nasceu no Rio, militou no sionismo e depois no movimento estudantil. Perse­guido pela ditadura, escondeu-se em Minas, um dia fugiu de ônibus para a Bahia e lá ficou.

O movimento de Berzoini é di­fe­­rente. Estava no Planalto, como ar­ticulador político, até se mudar pa­ra o Ministério das Comunica­ções, mas agora se demonstrou que ele continuará presente no palácio. A ida seria um agrado a Lula e aos petistas mais à esquerda, pois teria no ministério a missão de desengavetar o projeto de controle da mídia.

Porém, parece que não será bem assim. Ao se retirar do Planalto, demonstrou que pretende fazer um novo projeto a começar pelo zero, a partir de um amplo debate com empresas, sindicatos e a sociedade. Na discussão, seriam recolhidas sugestões a serem, então, seriam enviadas ao Congresso como colaboração. “Quem regulamenta é o Congresso Nacional”, avisou.

Enfim, não haveria mais aquela pressa que a assessoria petista de Lula desejava quando, há quatro anos, ao deixar o governo legou para a sucessora Dilma o duro projeto pronto e acabado feito pelo companheiro e jornalista Franklin Martins, secretário de Comunicação Social, que encerrou ali seu expediente ao entregar o texto a Lula.

A matéria não empolgou a presidente, que preferiu repassar o projeto ao então novo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, pois o projeto abrange televisão e rádio. O companheiro percebeu que seria melhor esquecer ao assunto numa gaveta. Dilma não reclamou. Lula se lembrava do projeto apenas quando se sentia perseguido pela imprensa, como a TV Globo.
Agora, quando chegar ao Congresso, se chegar, a matéria deve voltar a dormitar. Se a presidente revelar interesse pela tramitação do projeto, oferecerá aos insaciáveis mais uma oportunidade para negociar com o Planalto verbas e posições. Os únicos estímulos que viriam da mídia seriam conselhos para esquecer o assunto.

Agora, a acolhida ao projeto se tornaria ainda mais sinistra depois do histórico e bárbaro espetáculo proporcionado por terroristas muçulmanos em Paris, na quarta-feira, com o atentado contra a irreverência do jornal satírico “Charlie Hebdo”. O que queriam os terroristas? Controlar os jornalistas, censurar com morte a ironia deles diante de mitos religiosos, de Cristo a Maomé.

A missão dos novos conselheiros não seria a de abrir novas frentes de conflitos em tempo tão difícil para o governo. Ao contrário, é momento de o palácio fazer amigos e influenciar pessoas de modo que fluam pelo Congresso, o mais levemente possível, as duras propostas para o reordenamento da economia.

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