Dinheiro não aceita desaforo

Você tem que escolher entre o trabalho de “formiguinha”, que vai te levar aonde você quer, ou com a “grande tacada”, que vai depender de escolhas acertadas e sorte

Rodrigo Bussab

Especial para o Jornal Opção

Com uma certa prudência, aqueles almoços prolongados de sábado com os amigos estão voltando. Hora de colocar a conversa em dia, falar de experiências inéditas vividas na pandemia e trocar ideias sobre o que mais nos fez agonizar no processo do “fique em casa”: a relação com o dinheiro – que, pouco ou muito, acabou por tornar-se um problema. Muita gente, para protegê-lo em situação completamente atípica, acabou caindo em velhas e novas trapaças de mestre.

É a aquela história: quando você se levanta de manhã tenha sempre a certeza de que haverá um estelionatário mais esperto que você na esquina, pronto para o grande golpe. E a suscetibilidade das condições atuais é o combustível perfeito para que ele se concretize. Exemplos prontos e acabados? Temos!

A atriz Juliana Paes contou recentemente o tombo que levou de uma dessas manjadas pirâmides financeiras; no caso dela relacionada à compra e venda de carros usados. Trata-se de um mercado em franca efervescência — apesar do preço dos combustíveis —, então, margem pequena de dar errado, certo? Não se houver um golpista ardiloso do outro lado da negociação.

Depois, veio à luz o caso do ex-garçom Glaidson, que movimentou R$ 38 bilhões em uma espetacular pirâmide financeira com uma “pegada” nas criptomoedas. Viu na oportunidade degrau fácil para deixar de servir chope e comprar logo a fábrica. Basta “googar” a palavra golpe e a internet vai lhe oferecer um cardápio robusto, para todos os gostos.

Quando a bomba explode, vem a certeza de que o melhor lugar para guardar seus avanços financeiros é nos trilhos. Mas, saiba que não existe fórmula ideal, por óbvio! A palavrinha mágica é planejamento ajustado aos seus ganhos e suas necessidades. Aqui entra o projeto de planejamento financeiro e patrimonial.

Você deve formar uma “rede de segurança”, por intermédio de uma carteira administrada de produtos de baixo risco, composta por ativos de renda fixa lastreados em pré e pós-fixados, em inflação e com debêntures incentivadas de alta qualidade (triplo A) escolhidas por um especialista

Nele precisa constar qual o seu ciclo financeiro, o momento da economia que você está inserido, como está o seu orçamento, quais são seus planos de médio e longo prazos, a estabilidade da sua atividade remunerada, por quanto tempo você ainda terá dependentes, como estão as suas proteções de vida e saúde… enfim, não é tarefa fácil! Mas ter um bom plano, feito por um especialista, recheado de metodologia, é infinitamente melhor do que contar com a sorte — ou, nos casos explicitados, com o azar.

Independentemente do seu momento financeiro, você deve formar uma “rede de segurança”, por intermédio de uma carteira administrada de produtos de baixo risco, composta por ativos de renda fixa lastreados em pré e pós-fixados, em inflação e com debêntures incentivadas de alta qualidade (triplo A) escolhidas por um especialista. E um pedaço, por volta de 10%, numa boa cesta de ações ou um bom fundo multimercado. Essa combinação está dando hoje 1% ao mês mesmo com o soluço da bolsa destes dois últimos meses. Também dá 1% quando a bolsa está indo muito bem, obrigado.

Nesse momento você tem que escolher entre o trabalho de “formiguinha”, que aos poucos, com disciplina e planejamento, vai te levar aonde você quer, ou com a “grande tacada”, que vai depender de escolhas acertadas e porção generosa de sorte.

Aí você arranja outro assunto para contar na roda de amigos durante o almoço de sábado. Com o dinheiro protegido, o cardápio não será indigesto nem na hora de pagar a conta.

Rodrigo Bussab é administrador especialista em finanças.

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