Veja os cinco bairros de Goiânia que estão na mira do mercado imobiliário além dos chamados “eixo de luxo”
30 março 2026 às 19h38

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O mercado imobiliário de Goiânia passa por uma fase de expansão acelerada. Com os preços elevados nos setores tradicionais de luxo, como Marista, Bueno e Jardim Goiás, incorporadoras e compradores voltam seus olhos para regiões vizinhas que oferecem conveniência, localização estratégica e valores mais acessíveis.
Em entrevista ao Jornal Opção, Ronaldo Dantas, sócio-fundador da My Broker, e especialista no setor imobiliário, detalhou, nesta segunda-feira, 30, por que Parque Amazônia, Pedro Ludovico, Serrinha, Jardim América e Nova Suíça despontam como os próximos polos de valorização da capital.

Segundo Dantas, a principal vantagem desses bairros é a proximidade com os setores mais desejados. “Eles são, geralmente, confrontantes dos principais bairros. O Jardim América está junto com o Bueno, ao lado do Parque Vaca Brava. O Nova Suíça também. O Bueno hoje é o que gera mais conveniência, então você tem tudo muito próximo, como escola, academia, supermercado, todos os tipos de serviço. Mas você não paga o metro quadrado desses bairros mais caros”, explica.
Para ele, essa combinação de infraestrutura e preços mais acessíveis torna os setores alternativas atrativas para novos lançamentos.
A qualidade de vida também é um fator decisivo. “Quando você compra um imóvel, você não está preocupado somente com o que tem dentro dele, mas no entorno de tudo que ele oferece. Como o trânsito está ficando cada vez mais caótico, você ter as coisas próximas proporciona uma qualidade de vida maior; você gasta menos tempo no trânsito e sobra mais tempo para aproveitar a vida”, afirma.
O perfil do comprador nesses bairros difere daquele que busca imóveis em regiões como Marista ou Bueno. “Os imóveis não pararam de subir, até por uma questão de custo de construção. Desde a pandemia tivemos uma aceleração no custo material. E em Goiânia principalmente, porque foi a segunda cidade que mais cresceu no Brasil. Dentro da composição de um imóvel, o terreno é um custo significativo. Nesses outros bairros, os terrenos são mais baratos, o que permite manter uma metragem maior, apartamentos mais amplos, pagando menos”, explica Dantas.
Outro fenômeno que vem mudando o cenário urbano é a verticalização. “A gente tem um fator que se chama Plano Diretor, que define o que pode ser verticalizado ou não. A prefeitura, de dez em dez anos aproximadamente, faz essa votação para entender qual região já está bem adensada. Algumas perderam gabarito, não podem mais verticalizar, e outras ganharam. No caso do Jardim América, por exemplo, houve regiões que voltaram a permitir verticalização. Isso impulsiona a região, porque quando vão moradores, naturalmente vai conveniência. Uma coisa retroalimenta a outra”, observa.
Sobre os tipos de empreendimentos mais competitivos nesses setores, Dantas aponta para os residenciais tradicionais. “Estamos tendo uma oferta maior de apartamentos de dois quartos, duas suítes, três suítes. Eles atendem tanto o público que está saindo do aluguel ou da casa dos pais, quanto aquele que já comprou em regiões mais afastadas no primeiro ciclo do mercado imobiliário, lá em 2010 a 2014, e agora busca um upgrade. Ele vem para um imóvel mais moderno e uma localização melhor, que oferece mais conveniência”, afirma.
O especialista também destaca o impacto das taxas de juros na expansão do mercado. “A cada 1% de queda na taxa de juros, acrescenta mais ou menos 260 mil famílias com acesso à compra de imóveis. Com a mesma renda, você consegue financiar imóveis mais caros. Naturalmente, a tendência é que a procura aumente ainda mais. E aí, lei da oferta e procura: quanto mais busca, mais valoriza”, explica.
Para Dantas, esses bairros vivem um momento de transformação que deve gerar valorização acelerada. “Você tem um bairro em ascensão, saindo da horizontalidade para a verticalidade. Isso o torna mais atrativo. Você ganha uma dupla valorização: compra hoje num preço mais acessível e, com a chegada de conveniência e comércio, ele naturalmente vai valorizar mais. Além disso, mais pessoas terão capacidade de compra. Isso faz com que o preço dos imóveis suba naturalmente”, conclui.
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