A paralisação anunciada pelos revendedores de gás de cozinha em Goiás começou nesta segunda-feira, 21. Os caminhões que fazem o abastecimento das revendas estão parados no Centro de Destroca, em Goiânia, onde os veículos realizam a troca dos recipientes vazios por botijões cheios das diferentes distribuidoras.

Ao Jornal Opção, o presidente do Sindicato dos Revendedores de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (Sinergás GO/MT/MS), Zenildo Dias, confirmou que a categoria já está mobilizada. Segundo ele, cerca de 50 caminhões estão no local na manhã de hoje e a expectativa é que o número chegue a 100 caminhões ao longo do dia.

Segundo ele, veículos que chegam de diferentes Estados também estão impedidos de realizar a operação. Entre eles estão caminhões vindos de Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso e de outras regiões de Goiás.

A paralisação no local interrompeu uma etapa importante da distribuição. Sem realizar a destroca, os veículos não conseguem retirar os botijões que serão levados às revendas. Na prática, a categoria tenta interromper a circulação do produto a partir do ponto de abastecimento.

Segundo Zenildo, o movimento já provoca a retenção de veículos que aguardam para realizar a operação. “Já tem companhia fechando as portas. Porque não tem o gás para pegar para lá”, disse.

O movimento ocorre após o sindicato contestar os reajustes aplicados pelas distribuidoras no preço do botijão de 13 quilos (P13). Na última semana, o Sinergás havia informado ao Jornal Opção que os aumentos poderiam variar de R$ 4 a R$ 8 e cobrado explicações sobre a formação dos preços.

Reajustes e o Gás do Povo

Segundo Zenildo, a categoria também cobra uma revisão nas condições do programa Gás do Povo. O presidente do sindicato afirma que os revendedores recebem atualmente R$ 104 por botijão dentro da operação e defendem que o valor seja elevado para R$ 112.

“O governo precisa pagar, ajustar o Gás do Povo. Está R$ 104 o Gás do Povo hoje. Eu tenho que ajustar para R$ 112 para trabalhar”, afirmou.

De acordo com o presidente do Sinergás, os revendedores precisam arcar com a compra e a logística de distribuição dos botijões e consideram que o valor atual não cobre os custos da operação.

“Como nós vamos entregar o Gás do Povo pagando de graça? Nós compramos o gás, aí a taxa paga nós”, questionou Zenildo.

O programa é apontado pelo sindicato como um dos motivos para a mobilização. Na semana passada, Zenildo já havia afirmado que a categoria poderia suspender as entregas caso não houvesse uma solução para as condições comerciais.

Além da questão do Gás do Povo, os revendedores questionam os aumentos anunciados pelas distribuidoras. O sindicato defende maior transparência na composição dos preços e afirma que os reajustes acabam pressionando também o consumidor final.

De acordo com Zenildo, a categoria já esperava que os reajustes anunciados pelas companhias chegassem ao consumidor. “As companhias iam passar o mês passado, no dia primeiro. Não passou esses quatro reais. Então, ia chegar a oito reais ao consumidor”, afirmou.

Paralisação ainda não tem prazo para terminar

Apesar de os caminhões já estarem parados, Zenildo afirma que ainda não há uma definição sobre quanto tempo a mobilização vai durar.

A categoria aguarda uma possível manifestação das distribuidoras e também do governo federal. Segundo o presidente do sindicato, há expectativa de que representantes do setor discutam o problema em Brasília, inclusive em relação ao funcionamento do Gás do Povo.

“Vamos ver até a tarde o que vai ser, se vai ter algum contato com as companhias, se as companhias vão expressar alguma coisa, ou o governo vai entrar na jogada”, afirmou.

Segundo Zenildo, a decisão sobre a continuidade do movimento deve depender justamente de uma eventual abertura de negociação. “Hoje não. Vamos ver até a tarde o que vai ser”, disse, ao ser questionado se a paralisação seguiria por tempo indeterminado.

Na avaliação do sindicato, a paralisação pode começar a provocar reflexos no abastecimento caso se prolongue. Na reportagem publicada no sábado, Zenildo havia estimado que dois ou três dias de interrupção poderiam comprometer a reposição dos estoques das revendas.

Por enquanto, porém, a entidade não estabeleceu um prazo para encerrar o movimento. A decisão deverá depender das conversas com as distribuidoras e com o governo.

O que pode encerrar a paralisação

Para o Sinergás, dois pontos estão no centro da negociação: a revisão dos reajustes aplicados pelas distribuidoras e a atualização do valor pago aos revendedores pelo Gás do Povo.

Zenildo afirma que a categoria espera uma resposta das empresas e do governo ainda nesta segunda-feira. Caso haja abertura para negociação, o sindicato poderá avaliar a continuidade ou não da mobilização.

A expectativa é de que as conversas ocorram ao longo do dia. Para o presidente do sindicato, a paralisação poderá ser reavaliada caso as distribuidoras ou o governo apresentem uma proposta capaz de atender às reivindicações dos revendedores.

Enquanto isso, os caminhões permanecem concentrados no Centro de Destroca, em Goiânia. A previsão apresentada pelo sindicato é de que a quantidade de veículos parados aumente ao longo do dia.

Até o momento, a paralisação não tem prazo determinado para terminar.

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