A transição entre estações, especialmente a passagem do período chuvoso para a seca, traz preocupações importantes para a saúde de cães e gatos. Ao Jornal Opção, o médico veterinário, Júlio Cesar de Castro, especialista em clínica médica e nutrologia de pequenos animais, explica, nesta terça-feira, 10, que essas mudanças climáticas podem agravar patologias pré-existentes e favorecer o surgimento de novas enfermidades.

O médico veterinário, Júlio Cesar de Castro | Foto: Acervo Pessoal

Segundo ele, na primavera os animais passam por mudas naturais de pelo para se adaptar ao calor intenso do verão, e o contrário ocorre no inverno, quando o pelo se torna barreira de proteção contra o frio. “Nesse meio-tempo, quando a estiagem de chuva acaba, sentimos a umidade relativa do ar cair, o que influencia diretamente a ação de patógenos oportunistas”, afirma.

Durante a época de chuva, a pele úmida favorece enfermidades bacterianas. Já na seca, poeira e ácaros podem desencadear dermatites atópicas, além de carrapatos transmitirem hemoparasitoses.

Entre os riscos mais comuns estão as doenças transmitidas por carrapatos, como babesiose, erliquiose e anaplasmose, além de problemas respiratórios. “A baixa umidade relativa do ar pode precipitar alterações no trato respiratório, como espirros contínuos e crises alérgicas”, alerta.

Os tutores devem ficar atentos a sinais precoces de alergias e problemas respiratórios. Júlio destaca sintomas como prurido recorrente (coceira), pele avermelhada (eritema), espirros frequentes e até alopecia (queda de pelo). “Cabe ao médico veterinário investigar esses padrões alérgicos, muitas vezes com exames de raspado, imprint, swab e até biópsia”, explica.

Check-up de outono

O veterinário recomenda que o check-up inclua hemograma para identificar alterações inflamatórias e possíveis hemoparasitoses. Em casos suspeitos, exames como PCR e testes rápidos (Snap) podem ser solicitados. “É fundamental porque os carrapatos transmitem doenças graves, e em regiões endêmicas do Cerrado também há risco de leishmaniose”, ressalta. Para gatos, há ainda hemoparasitoses transmitidas por pulgas.

Controle ambiental

Além do tratamento direto nos animais, Júlio enfatiza a importância da higienização do ambiente. “Nem sempre tratar o pet é suficiente. É necessário higienizar a casa para eliminar agentes alérgicos”, afirma.

Ele recomenda evitar água sanitária, por ser tóxica e irritante, e optar por produtos como amônia quaternária (lisofórmio), sabões hipoalergênicos e amaciantes específicos. “Produtos com embalagens que remetem a bebês geralmente são seguros para uso doméstico. Também há soluções próprias disponíveis em pet shops”, acrescenta.

Ele lembra ainda que gatos apresentam sensibilidade diminuída a alguns produtos de limpeza, especialmente os de pelo longo. “Esses produtos em especial são seguros para serem utilizados com pacientes felinos e caninos, sem trazer prejuízos a longo prazo”, afirma.

Além disso, é fundamental higienizar com frequência os potes de água e comida, bem como a caixa de areia dos gatos. “Vetores podem ser transmitidos até mesmo por contato direto com outros pets ou pelo, então manter o ambiente limpo é essencial para reduzir quadros alérgicos”, completa.

Hidratação e cuidados extras

Outro ponto crucial é a ingestão de água. “Apesar de ser um período seco, os animais precisam estar hidratados. É importante estimular o consumo de água”, destaca.

Ele sugere técnicas simples, como oferecer petiscos naturais em forma de sorvete. “O sorvete é uma técnica interessante, porque além de enriquecimento ambiental, ajuda na hidratação de forma recreativa. Pode ser feito com morango, blueberry, banana e água de coco, batidos e congelados em forminhas”, explica.

Júlio também recomenda o uso de produtos com pH neutro para higienização dos pets, especialmente aqueles que frequentam pet shops, evitando que alérgenos fiquem grudados no pelo. “Essas medidas ajudam a manter os animais saudáveis durante a seca, prevenindo alergias, doenças parasitárias e respiratórias”, conclui.

Leia mais:

CCJ da Alego mantém fim da “taxa do agro”

Inscrições para 496 apartamentos a custo zero em Goiânia começam na próxima semana; veja detalhes

Projeto de pavimentação da GO-237, em Água Fria de Goiás, avança com contrato de R$ 5,7 milhões