A presença de áreas voltadas para animais de estimação em novos empreendimentos imobiliários deixou de ser apenas um atrativo e passou a ser considerada indispensável. Essa percepção é compartilhada tanto por especialistas da área de saúde animal quanto por incorporadoras que já incorporam esses espaços em seus projetos.

Em entrevista ao Jornal Opção, o médico veterinário Rinaldo Carneiro destacou, nesta segunda-feira, 16, os principais benefícios dessas áreas de socialização. “Os principais benefícios são a socialização do cão, a socialização do pet e dos seus tutores, visando principalmente a saúde dos animais. Eles vão ter interação, não vão ter estresse, e isso corrobora para que não haja patologias que possam se instalar devido ao isolamento e à baixa de resistência pela falta de contato”, explicou.

Rinaldo Carneiro | Foto: Acervo Pessoal

Segundo ele, o isolamento em apartamentos sem contato com outros animais pode gerar estresse e problemas de saúde. “Isso leva geralmente a lambeduras, problemas de pele que abrem porta para infecções. Sem contar alterações de comportamento, como agressividade e medo. Tudo isso pode se desenvolver devido à falta de socialização e ao fato de ficarem restritos a ambientes pequenos”, afirmou.

Para o especialista, os espaços coletivos ajudam a prevenir problemas comportamentais. “O pet que fica muito retido dentro de casa pode se tornar extremamente agressivo ou extremamente medroso. Já em ambientes como pet places e pet showers, há vantagens: por serem restritos ao empreendimento, supõe-se que os animais estejam vacinados e com controle de parasitas. Isso reduz riscos em comparação a grandes parques, onde não há esse controle”, disse.

Ele também ressaltou que cães de grande porte sofrem mais em espaços reduzidos. “Sempre o pet que tem acesso a espaços maiores para se exercitar e socializar vai ter muito menos estresse e menos desenvolvimento de patologias”, afirmou. Para evitar acidentes, como mordidas, Rinaldo defende que os espaços sejam planejados para permitir gasto de energia e socialização adequada.

Na visão do veterinário, os empreendimentos que oferecem áreas para pets já se diferenciam no mercado. “A população de pets cresce a cada dia, principalmente os de companhia. Como eles fazem parte da convivência familiar, é preciso pensar não só no conforto das pessoas, mas também dos animais. Esses espaços vão fazer uma grande diferença para o convívio familiar e para a integração do pet na sociedade”, avaliou.

Sobre as características ideais, ele defende que o foco deve ser em espaço amplo e arejado. “Alguns brinquedos ajudam, mas o essencial é que o cão tenha espaço para correr e socializar. E quando a família estiver escolhendo um imóvel, deve avaliar se o espaço pet existe, se é arejado e se permite interação saudável”, concluiu.

Animais de estimação

A presença de áreas voltadas para animais de estimação em novos empreendimentos imobiliários deixou de ser apenas um diferencial e passou a ser um item decisivo na escolha de muitos compradores. Essa é a avaliação de Carolinne Maldi, sócia-diretora de incorporações da WV Maldi, uma das incorporadoras responsáveis pelo projeto Bioma, no Setor Marista, que terá pet shower e praça aberta para convivência com animais.

Carolinne Maldi | Foto: Acervo Pessoal

Em entrevista ao Jornal Opção, Carolinne apontou que a demanda por espaços dedicados aos pets já vem crescendo há alguns anos e hoje se consolidou como tendência. “Nas pesquisas de mercado que a gente faz quando vai começar a desenvolver um produto, já há alguns anos já tem uma crescente nessa demanda por espaços para pets. E eu acho que a tendência é cada vez mais isso ser mais importante e mais relevante nos produtos, para poder ser um diferencial na hora de o cliente escolher o produto que ele quer comprar”, afirmou.

Ela destacou que a pandemia, em 2020, foi um marco nesse comportamento. “O fato de as pessoas na pandemia terem ficado mais sozinhas contribuiu para essa crescente na tendência de ter animais de estimação. Já é natural do ser humano querer ter um pet, mas depois da pandemia isso se intensificou. O pet acaba suprindo também essa necessidade de ter um ser para ser cuidado, às vezes até como um filho, mas com uma certa facilidade maior de cuidar”, explicou.

Carolinne acredita que na prática, os diferenciais voltados para os animais já pesam na decisão de compra de um empreendimento. “Se um cliente estiver olhando dois empreendimentos e ver que um tem um item a mais para contribuir na criação do pet dele, eu acho que acaba sendo decisivo”, avaliou.

Entre os espaços mais comuns estão os chamados pet places, áreas externas destinadas ao lazer dos animais. Mas Carolinne observou que os empreendimentos têm avançado em soluções mais completas.

“Hoje, além do espaço para o cachorro brincar, a gente está colocando o que chamamos de pet care ou pet shower, que é o lugar do banho do cachorro. O morador pode descer no prédio e fazer isso com todos os atributos: água quente, espaço para secar o cachorro, pias. Ele mesmo pode dar banho ou contratar alguém para ir até o prédio, sem precisar transportar o animal, que muitas vezes não gosta de andar de carro e se estressa. É um diferencial ainda maior do que o próprio pet place”, detalhou.

A questão da escassez de espaço nas cidades também é considerada. “Quanto mais ambientes pet friendly forem criados, mais é um atrativo para os clientes. No caso do nosso empreendimento, o Promenade, na torre Bioma e no complexo como um todo, a gente tem embaixo uma praça que é pet friendly, com várias comodidades e serviços. O morador vai descer com o cachorro dele e terá mais um local para sair e fazer atividades junto com o pet”, disse.

Para equilibrar a criação desses espaços sem comprometer áreas de lazer tradicionais, Carolinne explicou que a solução foi abrir parte da estrutura ao público. “Essa área pet friendly é aberta, a gente até chama de gentileza urbana. Não está dentro do prédio em si, então já tem esse diferencial”, afirmou.

Além da funcionalidade, os espaços voltados para animais também contribuem para a convivência entre vizinhos. “Passear com o cachorro é mais uma comunidade que se cria. Quando você passeia com seu animal e conversa com outras pessoas que também estão ali, cria-se novas conexões que antes não se teria”, concluiu.

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