O Rio Meia Ponte, que corta Goiânia e é vital para o abastecimento da capital, registrou nos primeiros meses de 2026 uma vazão de 40.651 litros por segundo, segundo dados do Centro de Informações Hidrológicas, Meteorológicas e Geológicas de Goiás (Cimehgo). O volume é resultado das chuvas intensas e irregulares que marcaram o início do ano.

Em entrevista ao Jornal Opção, André Amorim, gerente do Cimehgo, explicou que o índice pluviométrico foi elevado, mas concentrado em tempestades. “Tivemos registrados na parte central da cidade 904 milímetros. A climatologia prevê 743. Mas essa chuva não veio com uma qualidade mais regular. O que puxou o índice pra cima foram tempestades, que acabam trazendo números elevados, mas sem refletir nos córregos e ribeirões”, afirmou.

André destacou que o Meia Ponte responde diretamente às chuvas. “Ele sobe e desce. Hoje estamos com 40 mil litros por segundo, mas já esteve em cenários piores em janeiro. Fevereiro deu uma melhorada e março também, porque está chovendo. A tendência é que ele caia mais rapidamente agora em abril, já que a previsão é de chuvas abaixo da média”, explicou.

Ele também comparou os dados atuais com os de 2025. “Você vai observar que ele subiu em fevereiro e agora em março está um pouco mais alto que no ano passado, mas a tendência é cair. Abril será mais seco este ano”, disse.

Apesar do cenário momentaneamente positivo, Amorim faz um alerta que apesar de estar transparecendo que está bom, “essa é uma leitura imediatista”. “No geral, não está tão legal assim. Ele tem água, mas quando a chuva parar, a tendência é de uma vazão bem mais baixa”, apontou.

Sobre os próximos meses, o especialista reforça a necessidade de acompanhamento. “Maio em diante é período seco e a situação pode se complicar para Goiás e Goiânia. Falar em risco de falta d’água agora é complicado, porque ainda temos chuvas. Mas vamos acompanhar no começo de abril. Aí sim teremos um cenário mais definido e poderemos alinhar melhor a situação”, disse.

Segundo Amorim, as chuvas de 2026 foram irregulares, com tempestades concentradas que elevaram os índices pluviométricos sem garantir regularidade hídrica. Esse padrão gera picos de vazão, mas não assegura estabilidade a médio prazo.

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