Apagões em Goiânia colocam hospitais em risco de colapso, diz presidente da Associação dos Hospitais Privados
19 janeiro 2026 às 18h11

COMPARTILHAR
Os apagões em Goiânia colocam hospitais em risco de colapso, disse, nesta segunda-feira, 19, Haikal Helou, presidente do Conselho de Administração da Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg). Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, Haikal expôs a preocupação crescente das instituições de saúde diante das constantes interrupções no fornecimento de energia elétrica na capital.
Segundo ele, a frequência dos apagões, “inclusive a de ontem, 18”, tem colocado em risco o funcionamento de hospitais que dependem de energia para manter equipamentos vitais.

Ao Jornal Opção, a Equatorial Goiás informou que, às 21h55 do dia 18, houve o desarme de um equipamento na Subestação Xavantes, sob responsabilidade da transmissora EDP, o que provocou a interrupção no fornecimento de energia. O serviço foi restabelecido gradativamente e normalizado às 22h40, após manobras telecomandadas com apoio das equipes operacionais. A distribuidora declarou que segue acompanhando a ocorrência em conjunto com os agentes responsáveis para identificar as causas da falha.
A EDP, informou ao Jornal Opção, que na noite de ontem, 18, identificou um desligamento na Subestação Xavantes, em Goiânia, que provocou falha no processo de distribuição de energia. “As equipes da EDP atuaram prontamente no restabelecimento e o fornecimento de energia foi normalizado junto à Equatorial. As causas desta ocorrência estão sendo apuradas”, finalizou.
Haikal citou como exemplo hospitais localizados na região central de Goiânia, como Santa Helena, Anis Rassi, Hospital do Coração e Hospital São Francisco de Assis, todos atingidos pelo apagão mais recente. “Ontem foi uma loucura! A energia voltava por alguns segundos e acabava de novo. Nós temos mecanismos de emergência que não são para serem usados o tempo inteiro; a preocupação é essa”, afirmou.
O dirigente destacou que não existe atendimento médico sem energia elétrica. Respiradores, aparelhos de diagnóstico e equipamentos de suporte à vida dependem de fornecimento contínuo. Embora todos os hospitais do grupo possuam geradores, o uso prolongado desses sistemas preocupa. “O gerador é para ser usado só em uma emergência e acaba que ele fica funcionando muito tempo. Se o gerador tiver um problema, não tem um ‘plano C’”, alertou.
A Ahpaceg tem feito contatos frequentes com a concessionária responsável, mas, segundo Helou, as respostas não têm sido satisfatórias. “O argumento é que não depende deles, que foi uma tempestade, que caiu uma árvore, que estão dando atenção e que investiram na rede. Tudo isso pode ser verdade, mas não quer dizer nada quando você está com um paciente entubado no respirador dependendo daquela energia para sobreviver”, disse.
O temor da entidade é que, caso os geradores falhem, vidas sejam perdidas. “É uma questão de tempo. Nosso sistema de gerador não pega o hospital inteiro, apenas as áreas críticas. Se ele quebra nesse ‘liga e desliga’, não temos alternativa. Isso precisa terminar e, na eventualidade de acontecer, as instituições de saúde devem ter prioridade no restabelecimento do fornecimento”, reforçou.
Haikal defendeu que regiões com maior concentração hospitalar, como Setor Oeste, Sul e Setor Aeroporto, recebam prioridade no atendimento da concessionária. “Os hospitais ficam muito perto um do outro, a cerca de 600 metros a um quilômetro de distância. Não é possível que não tenha como priorizar essas áreas de alta agregação de prestadores da área hospitalar”, finalizou.
Leia também:
William Panda avalia futuro político e revela tratativas avançadas com o Podemos: “Eu não saí ainda”
Em Goiás, mais de 10 mil motoristas já tiveram CNH renovada automaticamente por bom comportamento

