Bastidores
O ex-deputado e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Frederico Jayme diz que está acompanhando com atenção as declarações do deputado federal Ronaldo Caiado, candidato a senador pelo DEM na chapa de Iris Rezende, candidato a governador pelo PMDB. “Aprecio quando Caiado diz que ‘não pressiona pessoas’ e ‘não protege escândalos’. Espera-se que não discuta apenas possíveis escândalos do governo de Marconi Perillo. É preciso verificar se o deputado, político sério e de palavra, vai criticar os escândalos que supostamente envolvem Iris Rezende e seu grupo político. O que Caiado terá a dizer sobre a carne contaminada de Chernobyl, os casos Caixego e Astrográfica, a quebra do BEG e do Banco de Desenvolvimento (BD), os armazéns da Casego, a ação da Delta na Prefeitura de Goiânia? Caiado combateu tais desmandos em tempos idos e, portanto, espera-se que não tenha esquecido deles.” Frederico, peemedebista atuante, não vai apoiar Iris para governador. “Não quero o retorno do passado. Goiás precisa avançar, e não recuar. No caso de Caiado, devo dizer que tem chance de ser eleito senador, porém, se permanecer muito hostil a Marconi e se apresentar como defensor de Iris, tende a perder a eleição. Caiado não é e não pode ser visto como bate-pau de Iris”. “Caiado deve perceber”, assinala Frederico, “que é candidato a senador — e não a governador. Ele precisa agregar suas bases eleitorais, que, a rigor, são as mesmas do governador Marconi Perillo. Ao atacar o líder tucano, ele gera desconforto em sua base. Menos empolgação e mais racionalidade — é o que se espera de um líder como o democrata”.
O presidente da OAB-Goiás, Henrique Tibúrcio, chegou a ser convidado para assumir uma secretaria no governo Marconi Perillo. Por enquanto, o jovem prefere ficar no comando da instituição que representa os advogados. Porém, se o tucano for reeleito, é praticamente certo que ocupará uma secretaria — que pode ser a Casa Civil, a Segurança Pública ou a Justiça. Tibúrcio não é apenas um novo aliado do governador. Ele é amigo de Marconi, que o admira e respeita.
O próximo alvo da aliança PMDB-DEM é o vice-governador de Goiás, José Eliton (PP). Um democrata diz que vai aparecer “chumbo grosso” sobre as ações do jovem advogado no comando da Celg. É provável que o vice não tenha responsabilidade na quebradeira da companhia de eletricidade, mas o DEM vai apresentá-lo, principalmente, como uma pessoa que, por não ser do ramo, atrapalhou um acordo mais positivo entre o governo de Goiás e a Eletrobrás.
A escolha do deputado Luiz Carlos do Carmo (PMDB) como primeiro suplente foi uma tacada de mestre do candidato a senador pelo DEM, Ronaldo Caiado. Por três motivos. Primeiro, agrada a comunidade evangélica, que avalia que não tem sido contemplada pelo grupo do governador Marconi Perillo. Segundo, puxa o PMDB para sua campanha. Terceiro, enfraquece Vanderlan Cardoso (PSB) na Assembleia de Deus. Não foi, portanto, uma escolha aleatória. Foi racionalizada tática e estrategicamente.
O candidato do PT a governador de Goiás, Antônio Gomide, foi inteiramente bancado pela cúpula nacional na semana passada. Mas, em entrevista ao Jornal Opção, o petista diz que não está nada fácil montar a chapa majoritária, ao menos não com alguns partidos políticos. Ele se recusa a “comprar” partidos, pois quer formatar alianças qualitativas, estabelecidas com base em ideias e projetos. “Estamos disputando uma eleição, não a nossa vida. Se necessário, vamos com chapa pura, por exemplo, eu para o governo, Marina Sant’Anna para senadora e outro petista para vice.” O vice poderia ser o ex-reitor da Universidade Federal de Goiás Edward Madureira? “É um ótimo nome, uma pessoa da mais alta qualidade moral e de grande capacidade administrativa, uma referência para a sociedade goiana. Mas pode ser que prefira disputar mandato de deputado federal.”
Depois de perder o PROS (que fechou com o governador Marconi), Gomide está conversando com a cúpula do PC do B.
A chapa composta por Iris Rezende (PMDB), postulante ao cargo de governador, Armando Vergílio (SDD) na vice e Ronaldo Caiado (DEM) para o Senado é considerada pesada no sentido de que não dialoga com os movimentos sociais. Há o entendimento de que dificilmente os três conseguirão ouvir os anseios e acatar as bandeiras que a juventude levantou ao sair às ruas nos protestos de junho de 2013. A base governista é mais flexível. O governador Marconi Perillo, logo após as manifestações, foi o primeiro gestor do Estado a considerar o passe livre estudantil. Vilmar Rocha, ao inverso de Caiado, tem boa desenvoltura no meio acadêmico e é benquisto pelos jovens e estudantes universitários. O problema de Armando Vergílio é que, se tem dinheiro, tem pouca ligação com as ruas.
O governador Marconi Perillo vai criar quatro coordenações gerais para a campanha deste ano. Carlos Maranhão deve ser o coordenador de marketing e imprensa (terá o apoio do marqueteiro Paulo de Tarso). Sérgio Cardoso deve ser o coordenador dos eventos da campanha. O nome mais cotado para coordenador de Finanças é o do presidente da Agetop, Jayme Rincon. O nome do coordenador político ainda não foi definido, mas Marconi já sondou dois líderes (um é peemedebista). O tucano-chefe quer uma campanha ágil, não burocratizada e de baixo custo. Os coordenadores terão de trabalhar tanto com os aliados quanto com a sociedade. Marconi quer uma equipe entrosada, que funcione por música.
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Ruimar Ferreira corta o cabelo do deputado federal[/caption]
O deputado federal Heuler Cruvinel (PSD) só corta cabelo com o príncipe dos cabeleireiros goianos, o empresário Ruimar Ferreira, dono da barbearia New Star, na Praça Tamandaré, em Goiânia. Desde que ficou sabendo que Ruimar é uma espécie de amuleto — seus clientes raramente perdem eleições —, Cruvinel não deixa ninguém mais mexer no seu louro. Ele sai de Brasília ou de Rio Verde, com sol ou com chuva, e senta-se na cadeira do barbeiro símbolo do Cerrado.
Na semana passada, quando Ruimar cortava o cabelo de Cruvinel, um repórter do Jornal Opção conversou longamente com o parlamentar. “Meus adversários, contrariando meus levantamento e pesquisas, assegurou que não vou ser reeleito. Trata-se de um engano. Possivelmente, terei mais votos na eleição de outubro deste ano do que em obtive em 2010, porque agora conto com o apoio de 28 municípios.”
Principal representante político do Sudoeste, Cruvinel está montando estrutura de campanha em Goiânia. “A capital tem quase 1 milhão de eleitores. Sei que não serei o mais bem votado na cidade, mas qualquer votação ajuda no cômputo geral.”
Enquanto Cruvinel fala, explicitando a sua estrutura e comentando rapidamente sobre os outros candidatos — “estou mais preocupado com minha campanha do que de ficar falando mal ou bem de outros candidatos”, frisa —, Ruimar ouve a conversa, sem se manifestar. Quando o deputado termina de expor seu ponto de vista, frisando por fim que o governador Marconi Perillo (PSDB) deve ser reeleito, “pela capacidade de modernizar Goiás e, sobretudo, por fazer obras de qualidade e ampla utilidade pública”, Ruimar decide falar: “Heuler é jovem, mas é um político ponderado e articulado. Acredito que deverá ser reeleito”.
Cruvinel ouve as palavras de Ruimar e, em seguida, diz, rindo: “Ganhei o meu dia, caro amigo Ruimar”.
O empresário Júnior Friboi apresentou um nome para vice do candidato a governador de Goiás pelo PSB a Vanderlan Cardoso.
Trata-se do agrônomo e professor universitário Leonardo Veloso. Ouvido pelo Jornal Opção, Veloso frisou que prefere disputar mandato de deputado estadual.
Leonardo Veloso é de Rio Verde, região mais próspera de Goiás, em termos de agronegócio.
O pré-candidato do PSB a governador de Goiás, Vanderlan Cardoso, vetou o nome de Francisco Gedda — sugerido por Júnior Friboi — como vice na sua chapa.
Os socialistas alegam que há uma gravação comprometedora contra o presidente do PTN e uma história de uma fazenda que não foi devidamente explicada. Um aliado de Gedda diz que não passa de papo furado e maledicência.
Gedda era uma aposta de Júnior Friboi. Eles são amigos íntimos.
O vereador Djalma Araújo, do Solidariedade de Goiânia, deve ser candidato a deputado federal.
Ex-petista, Djalma Araújo está mais moderado e se sente mais livre para fazer articulações. Não está mais engessado pela rígida disciplina partidária do PT goiano.
Um marqueteiro diz que é possível fazer uma boa campanha de televisão — para uma candidatura de governador — com 5 milhões de reais. E com equipamentos e profissionais da mais alta qualidade.
Outro marqueteiro assegura que com menos de 10 milhões de reais não se faz uma campanha de excelente nível.
Comentário do mercado persa da política: Iris Rezende colocaria 50 milhões de reais na campanha para governador, Armando Vergílio arranjaria mais 20 milhões de reais. Não se sabe quanto Ronaldo Caiado estaria disposto a conseguir.
O fato é que os pré-candidatos estão dizendo que está muito difícil arrancar dinheiro dos empresários, sejam empreiteiros, banqueiros. Já fazendeiros não dão dinheiro para campanha nem que a vaca tussa em aramaico.
A cúpula do PTB diz que o PP de José Eliton quer ficar casado com a base aliada mas levando vida de solteiro.
Explica-se: o PP, segundo os petebistas, quer composição para deputado federal, mas rejeita para deputado estadual. O PSD, o PTB e o PSDB já estão fechados, mas o PP planeja uma aliança apenas com o PRB.
A base do governador Marconi Perillo ficou muito incomodada com a indicação do deputado evangélico Luiz Carlos do Carmo, irmão do respeitado pastor Oídes José do Carmo, para suplente do candidato a senador pelo DEM, Ronaldo Caiado.
Mas o incômodo maior foi com a confirmação do apoio do bispo Manuel Ferreira, chefão das Assembleias de Deus no Brasil, à candidatura de Ronaldo Caiado.
O bispo Manuel Ferreira, um dos evangélicos mais respeitados do país, apoia Marconi Perillo para governador, mas não abre mão do apoio a Ronaldo Caiado para senador. Ambos “defendem a família”.

