Bastidores
No interior, o nome do deputado federal eleito Giuseppe Vecci ganhou nova pronúncia. No lugar de “Vequi”, as pessoas dizem “Veci”. Curiosamente, os homens calejados do interior gostaram de lidar com a franqueza, às vezes rude, de Vecci. Quando é preciso dizer “não”, o economista não titubeia. Várias vezes, os eleitores disseram: “Pelo menos ele não mente para nós”.
O jornalista Danin Júnior, prestigiado por Leonardo Vilela e bancado por Alexandre Baldy (PSDB), deputado federal eleito, e por Virmondes Cruvinel Filho (PSD), deputado estadual eleito, deve permanecer na Agência de Comunicação como um de seus principais diretores. Danin, além de competente, é visto como um gentleman por donos de jornais e de agências de publicidade.
Há quem, no governo do Estado de Goiás, avalie que não será preciso trocar Orion Andrade. O primo de Jayme Rincon tende a ficar na presidência da Agecom. É discreto, eficiente e não cria problemas. “Por que mudar o que está funcionando?”, pergunta um dos homens fortes do governo Marconi. Detalhe: em 2015, o orçamento para a comunicação será bem menor.
Se Carla Santillo não se aposentar do cargo de conselheira do Tribunal de Contas do Estado, o médico Leonardo Vilela deve assumir a vaga de Virmondes Cruvinel no TCM. Para a vaga de Tião Caroço, é cotado Júnior Vieira.
O deputado estadual eleito Jean Carlo (PHS) é cotado para um cargo de proa no possível quarto governo de Marconi Perillo. Ele tem sido apontado, com frequência, para a Secretaria de Gestão e Planejamento. Jean Carlo tem experiência com gestão, pois, durante anos, atuou como dirigente do grupo Superfrango, do empresário José Garrote.
Para a vaga de Jean Carlo, na Assembleia Legislativa, pode ir o pastor Elismar Veiga, de Anápolis, filiado ao PHS. Isto claro se o deputado eleito assumir mesmo uma secretaria de um possível quarto governo de Marconi Perillo. O respeitado pastor Elismar Veiga teve uma votação pequena, mas, além de ser de Anápolis, integra a Assembleia de Deus. O governador Marconi Perillo tende a agradar a cidade e a igreja.
A senadora tucana Lúcia Vânia está feliz da vida: conseguiu eleger seu sobrinho Marcos Abrão (PPS) para deputado federal e sua aliada política Lêda Borges (PSDB), ex-prefeita de Valparaíso, para deputada estadual. A senadora Lúcia Vânia agora está forte tanto na Câmara Federal quanto na Assembleia Legislativa. O PPS, por sinal, não desistiu do passe da política, considerada como uma das mais atuantes senadoras do País. Lúcia Vânia é discreta, avessa aos holofotes da mídia, mas é uma gigante nas comissões. A Sudeco só saiu do papel graças aos seus esforços pessoais.
Pouca gente sabe, mas o famoso Bolso Família é tão-somente um programa social criado por Lúcia Vânia, quando fazia parte do governo de Fernando Henrique Cardoso, e por Ruth Cardoso, doutora em antropologia e mulher do presidente-sociólogo.
O deputado Fábio Sousa (PSDB) poucas vezes apareceu na lista de possíveis eleitos. Mas, com uma campanha azeitada e profissional, conseguiu se eleger deputado federal. A missão de Fábio Sousa, a partir de agora, é se tornar um político mais ecumênico e menos evangélico. Não, ele não vai deixar de ser evangélico, mas quer espraiar suas ações em outros campos da sociedade. Porque Fábio Sousa, ainda bem jovem, pretende, um dia, disputar a Prefeitura de Goiânia. Se ficar com a “pecha” de que é apenas evangélico, sem contatos fora do meio, dificilmente conseguirá ser candidato. Além disso, Fábio Sousa precisa ampliar seu raio de ação em outros setores evangélicos — para além da respeitada e poderosa Igreja Fonte da Vida. Para crescer politicamente, não pode ficar circunscrito a um grupo religioso. Precisa ter mais abertura para a sociedade.
João Campos, embora evangélico, mantém contatos, de primeiro grau, com setores da Igreja Católica. É seu diferencial. João Campos terá menos dificuldade, por exemplo do que Fábio Sousa, para disputar as prefeituras de Goiânia ou de Aparecida de Goiânia. O deputado federal tucano, reeleito pela terceira vez, tem uma atuação espraiada pela sociedade, para além das igrejas evangélicas. As igrejas são o seu forte, mas em atua em outras, como a polícia, e é respeitado por setores da Igreja Católica.
Políticos em campanha, ao passarem por Luiz Alves, nas proximidades de São Miguel do Araguaia, encontraram o conselheiro Sebastião Caroço pescando. “Estou aqui pescando uns dourados e umas piraíbas”, revelou. Ao lado, estava sua mulher, também pescadora experimentada.
É consenso entre todos os grupos políticos de Formosa: a gestão ruim e equivocada do prefeito Itamar Barreto, do PSD, contribui para eleger Ernesto Roller para deputado estadual. Mais: tende a eleger Roller para prefeito, em 2016. O peemedebista agradece, aos deuses da política, por ter um adversário como Barreto.
Conta-se que, quando discutia como o suíço Carl Gustav Jung, o pai da psicanálise, Sigmund Freud, às vezes desmaiava. Relata-se que, quando ouve o nome de Aécio Neves, porque este bate duro e está se tornando tão teflon quanto Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff assusta-se e passa mal, como no debate da semana passada. Dilma teria dito que não está acostumada a apanhar tanto. Nos quatro anos de seu governo, ela bateu duro em alguns ministros. Política decente, sem envolvimento pessoal em qualquer falcatrua, a presidente também lamenta o fato de que não pode pôr a boca no trombone no caso Petrobrás.
Se a presidente Dilma Rousseff for derrotada, é praticamente certo que o prefeito de Goianésia, Jalles Fontoura, vai tentar aproximar Edward Madureira, ex-reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG) e um gestor de primeira grandeza, do governador Marconi Perillo. Por ser professor, e sobretudo por ter sido reitor, Edward terá facilidade para lidar com os professores do Estado. Por enquanto, a única rival de Edward é a professora Raquel Teixeira, que foi uma das mais qualificadas secretárias da Educação da história de Goiás.
Não se comenta outra coisa na Câmara de Vereadores da capital: se o governador Marconi Perillo for reeleito e se Aécio Neves for eleito presidente, o prefeito de Goiânia pode sofrer impeachment em 2015. Mas por que impeachment se Paulo Garcia foi eleito pelo voto e, até onde se sabe, faz um governo com dificuldades mas honesto?

