No domingo, 8, manifestantes extremistas bolsonaristas enfrentaram forças de segurança e invadiram ilegalmente os prédios do Congresso, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Planalto. Os prédios e suas dependências foram depredados. Os golpistas goianos que participaram do ataque aos três Poderes começaram a ser identificados.

Alguns deles são servidores públicos e foram punidos ou estão sendo investigados. Eles postaram vídeos e fotos em redes sociais e rapidamente foram reconhecidos.

Na lista dos goianos estão: políticos, policial militar, servidora comissionada, estagiários da Polícia Civil e empresário.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública criou na segunda-feira, 9, um e-mail para receber denúncias e informações sobre os terroristas que praticaram os atos de vandalismo.

Veja quem são os invasores:

Mário Furacão, presidente da CDL de Rio Verde

O empresário e presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Rio Verde, Lucimário Benedito Camargo, conhecido como Mário Furacão, se filmou em Brasília na tarde deste domingo, 8, durante os atos antidemocráticos. Nas imagens, enrolado com uma bandeira do Brasil no pescoço, ele aparece dentro do Palácio do Planalto e, ao som de bombas e gritos, ataca o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a polícia.

A direção da CDL de Rio Verde repudiou os atos terroristas e informou que a presença de Mário Furacão não tem relação com a entidade e que ele está no local somente como empresário. A CDL de Rio Verde afirmou que ele vai renunciar ao cargo. “No final do ano passado, Mário Furação já tinha decidido que iria renunciar ao cargo de presidente da entidade”.

Silvério Santos, policial militar

O policial de Goiás Silvério Santos, que postou fotos durante a invasão do Congresso Nacional, em Brasília, foi afastado nesta segunda-feira (9), segundo o governador Ronaldo Caiado (UB). Na publicação em uma rede social, o militar convocou os seguidores para participar da invasão. Caiado informou que, além de afastado, o militar foi apresentado à Corregedoria da Polícia Militar. Um procedimento administrativo disciplinar foi aberto para apurar o fato.

Diana Karla Ribeiro Soares, servidora comissionada

A servidora trabalhava na Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa). Ela também é advogada. Ela foi exonerada. Em redes sociais, Diana postou uma foto num acampamento, ao lado de mulheres e uma criança, dizendo que os “terroristas” estavam em ação.

Estagiários da Polícia Civil

O delegado-geral da Polícia Civil, Alexandre Lourenço, informou que dois estagiários da Polícia Civil foram afastados após serem identificados entre os participantes do ato antidemocrático. Em um dos casos, a pessoa fez vídeo invadindo o Congresso Nacional. Um policial civil está sendo investigado também por envolvimento na ação. Os nomes deles não foram divulgados.

Capitão Pires, vice-prefeito de Porangatu

O vice-prefeito de Porangatu, Marcilio Costa Pires, conhecido como Capitão Pires, postou fotos durante o ato golpista. Em um grupo de mensagens, ele escreveu: “Tive que ver de perto. Basta o povo querer”.
A prefeitura informou que reprova qualquer ato que vá contra os poderes constituídos. Já o vice-prefeito afirmou que “o direito de ir e vir é sagrado a qualquer cidadão de bem” e que acompanhou a manifestação junto da família. Ele disse que, quando chegou, os manifestantes já tinham entrado nos prédios e se retirou quando a repressão da polícia começou. Por fim, repudiou os atos de vandalismo.

Márcia Angelina de Jesus, servidora pública

A servidora pública Márcia Angelina de Jesus postou uma foto participando do ato antidemocrático. Ela posou ao lado de grades caídas e em frente ao Congresso Nacional ocupado.

Ela tinha cargo efetivo na Secretaria Estadual de Administração “e por determinação do gabinete da governadoria foi exonerada da função comissionada que exercia na Secretaria de Estado da Educação”, afirma uma nota do órgão.

José Ruy, vereador de Inhumas

O vereador José Ruy (PTC) aparece em um vídeo ao caminhar e acenar para câmera enquanto estava na área do Congresso Nacional.

O político disse que foi com amigos e que pensou se tratar de uma manifestação pacífica. Ele disse subiu a rampa do Congresso, mas negou que tenha cometido ato de vandalismo.