O mercado de trabalho brasileiro segue evidenciando diferenças sociais causadas por cor, conforme dados do estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, divulgado nesta sexta-feira, 11, pelo IBGE. Segundo o levantamento, desemprego e informalidade são maiores entre pretos e pardos no país, que estão até duas vezes mais abaixo da linha da pobreza do que brancos.

O levantamento também apresenta outras informações sobre a situação desigual para pretos e pardos, como condições de moradia com maior insegurança; salários 50% menor, mesmo entre pessoas com nível superior; maior índice de vítimas violência física, psicológica e sexual; e a ausência de postos de poder, como propriedade de estabelecimentos, cargos políticos ou cursos conceitos de graduação, como medicina.

Desequilíbrio

Tomando como referência a linha de pobreza monetária proposta pelo Banco Mundial (renda de US$ 5,50 por dia, ou R$ 486 mensais per capita), o índice de brasileiros brancos pobres é de 18,6%. Quando o mesmo referencial é colocado sobre as populações de pretos e pardos, o número quase dobra entre pretos (34,5%) e passa disso entre pardos (38,4%).

Na linha da extrema pobreza, (US$1,90 diários ou R$ 168 mensais per capita), as taxas foram 5,0% para brancos, contra 9,0% dos pretos e 11,4% dos pardos.

A condição está diretamente ligada a falta de oportunidades de trabalho ou melhores rendimentos entre essa faixa da população. Isso porque, segundo os números do IBGE, o ganho médio de trabalhadores brancos está em cerca de R$3 mil, novamente quase o dobro do observado entre pretos (R$1.764) e pardos (R$1.814), em 2021.

Os baixos salários dizem respeito ao espaço ocupado pelos trabalhadores. Em 2021, a taxa de informalidade da população ocupada era 40,1%, sendo 32,7% para os brancos, 43,4% para os pretos e 47,0% para os pardos. Além disso, pretos e pardos empregados são a maioria no país (53,8% da população), mas não chegam aos principais cargos de liderança. Nesse grupo, brancos ocupam 69% das vagas disponíveis.

Falta de espaço

A ausência de pretos e pardos também é notada em diversos outros setores. Segundo o Censo Agro 2017, 79,1% dos donos de propriedades rurais com mais de 10 mil hectares eram brancos. Nesse caso, pretos estão em desvantagem ainda maior, com apenas 1,6% de proprietários, diante de 17,4% de pardos.

Pretos e pardos também são minoria em áreas de graduação presencial com maior número de matrículas. Em 2020, foram registrados apenas 3,2% de matriculados pretos e 21,8% de pardos em cursos de medicina pelo país. O número cresce, mas ainda fica em desvantagem na comparação com brancos, em cursos de pedagogia (11,6% de pretos e 36,2% de pardos) e enfermagem (8,5% de pretos e 35,2% de pardos).

as maiores proporções de pretos e pardos estavam em pedagogia (11,6% de pretos e 36,2% de pardos) e enfermagem (8,5% de pretos e 35,2% de pardos). Já o curso de medicina tinha apenas 3,2% de matriculados pretos e 21,8% de pardos.

Insegurança

As desigualdades também mostram maior falta de segurança para populações pretas e pardas no país. Em 2020, houve 49,9 mil homicídios no país, equivalente a média de 23,6 mortes por 100 mil habitantes. Entre brancos, porém, o índice cai para 11,5 mortes a cada 100 mil habitantes. Dessa maneira, o maior peso fica com pretos (21,9 mortes por 100 mil habitantes) e pardos (34,1 mortes por 100 mil habitantes).

A insegurança também fica constatada para além da violência física direta. Segundo Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, 20,6% das pessoas pretas sofreram alguma dessas formas de violência, incluindo abusos psicológicos ou sexuais. A taxa fica acima da média nacional, de 18,3% da população. O número também é maior do que a média entre pardos (19,3%), e menor entre brancos (16,6%). Nesse quesito, vale destacar que as mulheres são mais atingidas (19,4%, no geral), especialmente as pretas (21,3%).

Pretos e pardos também enfrentam maior insegurança de posse da moradia: 20,8% das pessoas pardas e 19,7% das pessoas pretas residentes em domicílios próprios não tinham documentação da propriedade, enquanto a proporção entre as pessoas brancas era praticamente a metade (10,1%).