Cinco ovos de dinossauro foram encontrados durante as escavações nas obras de uma rodovia que liga Minas Gerais e Goiás. A descoberta da ninhada com mais de 80 milhões de anos foi feita pelo  paleontologia Paulo Macedo, da empresa Geopac Consultoria Ambiental, contratada pela concessionária para desenvolvimento de pesquisas na área do Trevão.

O material foi encontrado em uma escavação nas obras do Trevão de Monte Alegre de Minas, no entroncamento com a BR-153, e foi depositado no Laboratório de Paleontologia da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) do campus de Ituiutaba-MG.

Ainda não é possível afirmar a qual espécie pertencia a ninhada, com chances de serem de crocodiliformes, dinossauros carnívoros de pequeno porte ou até mesmo aves.

A postura dos ovos ocorreu às margens de um rio há 80 milhões de anos | Foto: Paulo Macedo/Geopac Consultoria Ambiental

O ninho estava imerso em rochas sedimentares, denominadas arenitos, ou seja, com baixo teor de argila. Segundo as primeiras análises, a postura possivelmente ocorreu às margens de um rio que drenava a região há 80 milhões de anos, em um ambiente totalmente distinto do cerrado que encontramos hoje.

O fóssil apresenta bom estado de conservação, apesar de ser bastante delicado, com cascas com 1 milímetro de espessura. Dois dos exemplares estão inteiros, o que abre a possibilidade de realizar exames para detecção de embriões em seus interiores.

A coordenadora de Sustentabilidade da Ecovias do Cerrado, Daniela Almeida, destaca as boas práticas de geoconservação adotadas pela concessionária, que permitiram que descobertas como essa pudessem acontecer.

“Maior parte da nossa concessão, que engloba as BRs 364 e 365, passa pelo Triângulo Mineiro, um território muito rico em material paleontológico. É por essa razão que a Ecovias do Cerrado fez parcerias com empresas e universidades para o desenvolvimento de pesquisas em áreas próximas a nossas obras. É um compromisso que adotamos junto aos órgãos competentes pelo licenciamento ambiental, o que inclui a preservação do patrimônio histórico da região, que tem gerado grandes retornos para a comunidade do nosso entorno”, afirma.

O material ficará sob responsabilidade da UEMG de Ituiutaba, que vai desenvolver estudos para análise, caracterização e detalhamento do fóssil e de sua importância para o conhecimento paleontológico do país.