Lívia Barbosa

Durante a madrugada desta quinta-feira, 2, o senador Marcos do Val (Podemos-ES) comunicou por meio de suas redes sociais que deixará a política definitivamente. A atitude aconteceu horas depois do parlamentar afirmar em uma live que foi coagido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para se aliar a um golpe contra o Estado. Após a denúncia do caso, Marcos do Val anunciou que renunciará ao cargo no Senado Federal.

Segundo ele, os quatro anos de dedicação exclusiva acarretou em problemas de saúde e também a perda de convivência com sua família, além de muitos ataques e ofensas ao longo de seu mandato. “Não adianta ser transparente, honesto e lutar por um Brasil melhor, sem os ataques e as ofensas que seguem da mesma forma. Nos próximos dias, darei entrada no pedido de afastamento do Senado e voltarei para a minha carreira nos EUA. As ofensas que tenho vivenciado estão sendo muito pesadas para a minha família”, disse.

Marcos do Val é natural de Vitória (ES), tem 51 anos, é militar do exército Brasileiro no 38º Batalhão de Infantaria e ganhou notoriedade ao ser instrutor de agentes de segurança pública e privada. O nome cotado para assumir o posto é da suplente Rosana Foerst.

Atos golpistas

Um conjunto de mensagens revelado pela revista Veja mostrou revelou nesta quinta que Marcos do Val esteve presente em reunião no Alvorada, com Bolsonaro, que pretendia gravar conversas com o ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A ideia era que alguém de confiança do presidente se aproximasse de Moraes, na intenção de gravar conversas de teor comprometedor, a fim de provocar medidas que colocassem um país em meio a uma confusão institucional. Em uma das mensagens, enviada três dias após a reunião, Marcos Val pede para conversar pessoalmente com o ministro. “Precisava falar como foi o encontro com o PR e o DS”, em referência ao Presidente da República e a outro aliado presente na reunião, o deputado Daniel Silveira, preso na manhã desta quinta.

O agora ex-senador teria mantido contato com Moraes na intenção de comunicar os ocorridos e se proteger de qualquer eventualidade que gerasse prejuízo a sua imagem. O plano era conhecido somente pelos três, que apontaram Do Val como escolhido pela relação que já tinha com o ministro há mais de dez anos.

A Do Val, Silveira e Bolsonaro insistiam que a missão iria “salvar o Brasil” e já estava arquitetada, pronta para ser executada a partir do registro de áudios. Enquanto Marcos do Val mostrava hesitação em seguir com o plano, Silveira insistiu na ausência de riscos, destacando até que nem Flávio Bolsonaro, filho do presidente conhecido como 01, saberia dos andamentos.

Em breve encontro com Moraes, porém, Marcos do Val narrou a conversa com o então presidente, apresentando detalhes do plano golpista. Na mesma noite, o senador comunicou a Silveira que estaria abandonando a missão.