O empresário Roberto Justus disse estar surpreendido ao descobrir que um dos principais sócios da Steelcorp, empresa de construção modular em aço, era o Banco Master. Para o Jornal de Brasília, após a operação Carbono Oculto, ele contou que a participação estava vinculada a um fundo de investimentos. O empresário acrescentou que tomou conhecimento de que essa fatia societária passou a ser ligada ao Banco BRB.

Até pouco tempo, Justus declarava que a gestora Reag era sócia minoritária da Steelcorp e que seu então CEO, João Carlos Falbo Mansur, representava o grupo no conselho de administração. Documentos da Junta Comercial de São Paulo obtidos pelo Jornal de Brasília, porém, indicam que a Reag nunca integrou formalmente o quadro societário da empresa. Além de Justus, aparecem como sócios a Potenza Administração e Empreendimentos e o SH Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia, administrado pela Reag e que tinha o Banco Master como cotista único.

Fundada em 2023 com o nome Dry Service Construction, a empresa fechou naquele ano um acordo de R$ 75 milhões com o SH FIP, que poderia render ao fundo até 30% de participação no negócio. O dinheiro seria usado para comprar máquinas, reforçar o caixa e ajudar na construção de uma fábrica própria. Justus diz que não sabia quem era o investidor por trás do fundo e que pediu a Mansur para representá-lo no conselho, para ter alguém com quem tratar diretamente.

Após a deflagração da operação Carbono Oculto, que apura suposta infiltração do PCC no sistema financeiro, Mansur foi destituído do conselho da Steelcorp. O fundo SH entrou em liquidação e transferiu seu patrimônio para outro veículo, momento em que o nome do Banco Master apareceu formalmente como cotista, segundo relatos do empresário. Justus diz que aportou R$ 300 milhões na companhia para elevar sua participação a 90%, afirma não saber como a fatia ligada ao Master chegou ao BRB e declara que pode recomprar a parte para evitar “sócios tóxicos”.

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