Ex-ministra do governo Bolsonaro, Damares Alves, vai ter que se explicar no Senado, sobre as declarações de tráfico e abusos sexuais de crianças no Pará. O requerimento para ela comparecer diante dos senadores foi aprovado na Comissão de Direitos Humanos, nesta terça-feira, 18. O convite aconteceu no mesmo dia em que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos solicitou ao Ministério Público Federal (MPF) mais 30 dias para esclarecer as afirmações da ex-titular.

O requerimento para o comparecimento da senadora eleita pelo Distrito Federal foi de autoria do senador Carlos Fávaro (PSD-MG). No documento é pedido que a ex-ministra informe “as providências que tomou ao descobrir os casos e se houve representação (denúncia) ao Ministério Público ou à polícia, bem como, a exposição de provas perante a sua fala”.

Caso as declarações sejam falsas, Fávaro destaca que o discurso de Damares pode ter sido utilizado para “alimentar discurso de ódio e tumultuar o processo eleitoral”. Por outro lado, se os fatos são reais, ele indica como sendo uma irresponsabilidade dela, uma vez que era ministra de Estado e nada teria feito. “Em caso de omissão do governo, a ex-ministra deve ser investigada por prevaricação”, frisou.

“Damares não apresentou nenhuma evidência do que falava, nem contou ter tomado alguma providência para punir os responsáveis, o que seria sua obrigação como ministra de Estado. De fato, as afirmações da ex-ministra causam preocupação e perplexidade, em especial porque pode se tratar de informações sigilosas às quais se teve conhecimento em razão do cargo público que ocupava”, afirmou Fávaro.

Após a declaração de Damares, o Ministério Público Federal do Pará (MPF-PA) exigiu informações ao ministério. Com a repercussão, a ex-ministro mudou a versão do que havia dito e alegou que os abusos eram “conversas que eu tenho com o povo na rua”. O MPF citou que há quatro inquéritos que investigaram denúncias sobre tráfico internacional de crianças na Ilha de Marajó, desde 1992. No entanto, nenhum deles possui qualquer semelhança com as falas da ex-ministra.