Um dia depois de dizer, em seu primeiro pronunciamento após a derrota no segundo turno, que não concorda com o cerceamento do direito de ir e vir, o presidente Jair Bolsonaro (PL) publicou em sua página oficial no Facebook.

O vídeo tem menos de três minutos, um pouco maior apenas que o tempo de sua fala à imprensa na terça-feira, 1º. Com semblante abatido, Bolsonaro se dirige a seu público se dizendo “tão chateado e tão triste quanto você” (por conta da derrota eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva), mas completando que é hora de “ter a cabeça no lugar”.

— Os protestos, as manifestações, são muito bem-vindas (sic), fazem parte do jogo democrático (…). Agora, tem algo que não é legal: o fechamento de rodovias pelo Brasil prejudica o direito de ir e vir das pessoas, [que] está lá na nossa Constituição. E nós sempre estivemos dentro dessas quatro linhas.

Em seguida, o presidente fala do prejuízo à economia que os atos estão causado e conclui: “Quero fazer um apelo a você: desobstrua as rodovias. Isso daí, não faz parte, no meu entender, dessas manifestações legítimas, não vamos perder essa nossa legitimidade”.

Em seguida, ele se refere e avaliza as manifestações nas cidades, em ruas e praças. “Faz parte do jogo democrático, fiquem à vontade”, ressaltando que “vocês estão se manifestando espontaneamente”. E, após fazer um apelo a si próprio: “Por favor, não pensem mal de mim. Eu quero o bem de vocês”. O recado é reforçado no fim do vídeo: “Estou com vocês e tenho certeza de que vocês estão comigo. O pedido é ‘rodovias’. Vamos desobstruir pelo bem da nossa Nação.”

Mais cedo, o vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos) também foi às redes para dizer que um golpe militar poderia deixar o Brasil malvisto pela comunidade internacional. No Twitter, ele – também senador eleito pelo Rio Grande do Sul – publicou: “Querem que as Forças Armadas deem um golpe e coloquem o País numa situação difícil perante a comunidade internacional.” E propôs um manifesto de esclarecimento, em que fosse afirmado a força para bloquear “as pautas puramente esquerdistas” que supostamente viriam no futuro governo Lula.