Quem conhece bem o presidente da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, diz que só toma decisões de maneira racional. No calor das emoções, não se posiciona — só depois de “esfriar” a cabeça.

Zé Mário, como é conhecido, vai apoiar quem para governador de Goiás: o governador Daniel Vilela, do MDB, o senador Wilder Morais, do PL, ou o ex-governador Marconi Perillo?

É preciso examinar duas posições. Primeiro, os indicados por Zé Mário permanecem no governo e apoiando a reeleição de Daniel Vilela. Segundo, o governador não pediu para nenhum dos aliados deixar o governo.

O líder dos produtores rurais tem simpatia por Daniel Vilela. Tanto que lutou, durante meses, para ser o seu vice. O governador era entusiasmado com seu nome (os dois são amigos). Mas a pressão evangélica falou mais forte — daí a indicação de Luiz do Carmo para vice.

Na semana passada, o Jornal Opção conversou com o líder ruralista Renato Ribeiro, do PL. O candidato a deputado disse que Zé Mário poderia apoiar Wilder Morais.

O bonzinho ficou para trás

Ouvido pelo Jornal Opção, numa conversa relativamente tensa mas civilizada, Zé Mário diz que fala por si e não autoriza nenhuma pessoa, como Renato Ribeiro, a divulgar uma opinião que ele não concedeu.

Na conversa com o Jornal Opção, Zé Mário disse que, para definir seu apoio, está ouvindo “todo mundo” (líderes ruralistas e aliados políticos, como Marussa Boldrin; a deputada apoia Daniel Vilela) antes de tomar uma posição. (Na semana passada, ele conversou com Marconi Perillo e sua vice, Jacqueline Zaiden. Tratou-se não de apoio, e sim de receber uma visita.)

“Quando tu [jornalista] quiser ouvir alguma coisa, ouça de minha boca. Eu tô ouvindo todo mundo, conversando, que é minha obrigação como líder classista”, advertiu, entre irritado e educado (trata-se de um gentleman).

Quando será divulgada a posição de Zé Mário? “Vocês vão saber no momento adequado”, frisou, peremptório.

Ante a insistência do repórter, Zé Mário disse, secamente: “O bonzinho ficou para trás. Então, a partir de agora, vou agir de uma forma mais rigorosa”.

A Faeg terá eleição, brevemente, e há dois nomes colocados para a presidência: Armando Rollemberg e Eduardo Veras. Zé Mário terá de optar por um dos nomes — o que tende a gerar desgastes. Não há como agradar todo mundo.

O Jornal Opção ouviu seis produtores rurais, que admiram José Mário, e todos disseram a mesma: “Mais consequente é o apoio de Zé Mário para Daniel Vilela. Até porque, durante todo o ano de 2026, nunca o ouvimos dizer que poderia ser vice de Wilder Morais ou de Marconi Perillo ou que poderia apoiá-los. Mas ouvimos, com frequência, que Daniel Vilela era o melhor candidato”.

Bem, é preciso esperar o posicionamento de Zé Mário, como ele cobrou do repórter. De fato, não se pode falar pelos outros. (Cilas Gontijo)