Zacharias Calil critica politização da produção de vacina para a Covid-19 e faz alerta grave

Membro da Comissão Externa de Combate ao Coronavírus, o deputado alerta que não será possível imunizar a população em janeiro e que é preciso manter prevenção

Dr. Zacharias Calil, médico e deputado: o governo federal precisa agir com mais responsabilidade, pois vidas estão em jogo | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

A expectativa criada na população de vacinação em massa contra o novo coronavírus a partir do mês de janeiro é um erro que pode ter consequências ainda mais graves na efetivação das medidas de controle da pandemia de Covid-19. O alerta é do médico, pesquisador e deputado federal Zacharias Calil (DEM-GO), e foi reforçado a partir de uma reunião técnica da Comissão Externa de Combate ao Coronavírus da Câmara dos Deputados, da qual Zacharias é membro, que contou com a participação da médica infectologista e epidemiologista Cristina Toscano, da Universidade Federal de Goiás (UFG), única brasileira integrante do grupo de estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a produção dos imunizantes contra o coronavírus (Sars-Cov-2).

Zacharias revela que considerou temerário o anúncio, na terça-feira, 20, pelo Ministério da Saúde, de que haveria vacinação em massa a partir de janeiro de 2021, percepção que ficou mais evidente depois da reunião com a participação da representante do grupo de estudos sobre vacinas da OMS, que acompanha os esforços que estão sendo empreendidos em dezenas de centros de pesquisa. “É preciso entender que as análises são lote a lote para ver a eficácia imediata e a segurança”, diz o deputado, acrescentando que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode adotar o regime diferenciado de compras (RDC) e fazer a regulamentação especial, mas, para isso, é necessário que se comprovem 50% de eficácia do produto. E isso demanda estudos, testes e tempo.

Cristina Toscano, epidemiologista: “Se por algum motivo a incidência de transmissão do coronavírus diminui, os eventos também diminuem, o que pode demandar mais tempo de pesquisa e, consequentemente, retardar as expectativas para disponibilização da vacina” | Foto: Reprodução

Cai incidência de transmissão

O médico-deputado chama a atenção ainda para uma particularidade técnica que tem passado ao largo dos noticiários e de discussões superficiais: há cerca de 60 eventos que devem ser estudados e avaliados antes da liberação. “Se por algum motivo a incidência de transmissão do coronavírus diminui, os eventos também diminuem, o que pode demandar mais tempo de pesquisa e, consequentemente, retardar as expectativas para disponibilização da vacina.”

A pesquisadora Cristina Toscano confirma que a incidência está diminuindo, o que é uma boa notícia para a população, mas compromete o andamento da pesquisa. “As taxas de infecção estão caindo e, por isso, estamos buscando ampliar o estudo inicialmente com o Peru, onde há elevadas taxas”, sublinha a médica da UFG.

Cristina Toscano acrescenta que os protocolos a serem atendidos nos estudos são rigorosos e, por todos esses móvitos, ela concorda com o deputado goiano que não haverá vacina contra o novo coronavírus disponível em larga escala no início do próximo ano. “Existe um tempo mínimo a ser observado e ainda rígidas regras de controle de qualidade”, assinala Cristina Toscano. A pesquisadora postula que falta de comunicação entre os órgãos de pesquisa envolvidos, o Ministério da Saúde e governos é preocupante, pois gera ainda mais dúvidas em um contexto em que são tão poucas as certezas. Zacharias Calil alerta que o momento, diante de todas essas conclusões, é de intensificar as medidas de prevenção, pois ainda não é possível dizer com segurança quando a vacina poderá estar disponível.

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