Wanderlei Barbosa deve disputar o governo do Tocantins e Carlesse está fora do páreo

O governador afastado pretendia disputar mandato de senador. Agora vai lutar para não ter os direitos políticos cassados e não ser preso

O Superior Tribunal de Justiça afastou Mauro Carlesse do governo do Tocantins na quarta-feira, 20, por seis meses.

O afastamento significa que, daqui pra frente, Carlesse deixa o centro da operação política para a disputa de 2022. Porque, ao assumir o governo, o vice, agora governador interino, Wanderlei Barbosa passa a ser o centro do poder.

Wanderlei Barbosa de Castro, governador interino, Mauro Carlesse, governador afastado do Tocantins | Foto: Reprodução

Carlesse não queria permitir que Barbosa assumisse o governo, tendo sugerido, inclusive, que o apoiaria para deputado federal. Mas, com sua queda, o líder do PSL agora não tem mais força política para articular e decidir nada, exceto a respeito da contratação de advogados (que terá de pagar com seus próprios recursos).

Barbosa, que estava sendo jogado para escanteio, agora é o dono da bola. Em tese, ele ficará no poder por seis meses — outubro (dez dias), novembro e dezembro de 2021 e janeiro, fevereiro, março e alguns dias de abril de 2022. Se a Justiça permitir a volta de Carlesse, em abril de 2022, e se ele reassumir o governo, não poderá disputar mandato em 2022 (ele era postulante a senador). O mais provável é que Carlesse não retorne ao governo. Sua luta, daqui pra frente, será muito mais para não ter os direitos políticos cassados e, mesmo, para não ser preso.

Ao assumir o governo, Barbosa passa a ser candidato natural a governador. A dúvida é: vai compor com quem? O senador Eduardo Gomes, segundo um ex-aliado, está “cabreiro” — dada a prisão do parceiro Carlesse (por isso quer distância do governador caído). O senador, por sinal, está sendo investigado pela Polícia Federal, devido seu suposto envolvimento no Tratoraço do governo de Jair Bolsonaro.

Sobre a queda de Carlesse, o comentário em todo o Estado, em todas as rodas, e não só de políticos, é um só: “Todo mundo sabia que iria cair. O que se pode dizer é que demorou muito”.

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