Quem assistiu o debate da TV Anhanguera, ocorrido na terça-feira, 29, percebeu um certo estresse entre os “aliados” Marconi Perillo e Wilder Morais, candidato a governador de Goiás, respectivamente, pelo PSDB e pelo PL.

Durante toda a campanha, Marconi “Morais” e Wilder “Perillo” fizeram uma dobradinha. Porém, na reta final, o tucano passou a insistir que Wilder Morais deveria desistir da disputa e permanecer no Senado, pois ainda tem quatro anos de mandato pela frente.

Wilder Morais poderá renunciar para compor com Marconi Perillo? Não se sabe. Apesar de “aliados”, os dois tendem a permanecer na disputa. Mas, se houver segundo turno, a dupla deve marchar junta. Fica a ressalva de que a maioria do PL vai marchar — e parte já marchando — com o governador Daniel Vilela, candidato à reeleição pelo MDB. (Basta mencionar que Márcio Corrêa e Carlinhos do Mangão, prefeitos de Anápolis e Novo Gama e líderes do PL, já estão na campanha do emedebista.)

Marconi Perillo percebeu alguma desidratação — ou ampliação do isolamento — no entorno de Wilder Morais?

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Daniel Vilela e Márcio Corrêa: MDB e chamado PL do Bem estão unidos em Goiás | Foto: Divulgação

Na verdade, é outra coisa. O que as pesquisas de intenção de voto estão mostrando é que, neste momento, está ocorrendo uma grande migração de eleitores para Daniel Vilela. Trata-se do chamado voto útil.

Dado o voto útil, Daniel Vilela tende a ser eleito no primeiro turno. A rigor, já tem 50% dos votos válidos, mas caminha para superar 51%.

Então, a luta de Wilder Morais e Marconi Perillo nem é para tentar superar Daniel Vilela no primeiro turno. É, a rigor, uma batalha para tentar garantir o segundo turno. Porque os dois, que não são néscios, perceberam que correm o risco de perderem na primeira etapa.

O populismo exacerbado de Marconi Perillo, com propostas tidas como mirabolantes, tem a ver mais com desespero do que com qualquer outra coisa. É o fantasma do voto útil. Ele e Wilder Morais talvez estejam sentindo o cheio da derrota. Talvez. (E.F.B.)