Vanderlan e Maguito, em Goiânia, e Roberto Naves, em Anápolis, têm de ficar de olho na classe média

A classe média concentra alto índice de indecisos? Talvez não. É provável que os eleitores são mais exigentes, autônomos e mais observadores

Qual é o eleitor mais difícil de convencido a votar no candidato “A”, no candidato “B” ou no candidato “C”? A pergunta foi feita a marqueteiros e pesquisadores. Todos concordam que se trata do eleitor de classe média.

A classe média é desconfiada, em geral acha que todo político é ou está querendo se tornar larápio, mas observa cuidadosamente suas propostas e biografias. Uma de suas reclamações mais frequentes é que os projetos dos candidatos, se contemplam os pobres, com os programas sociais, e os ricos, quase sempre a esquece. A média é uma classe sem padrinhos.

Por sua independência, e até irritação com os políticos, quando é pesquisada, a classe média se apresenta como “indecisa”. Há um alto contingente de seus integrantes na lista dos indecisos. Mas a classe média está mesmo indecisa?

Marqueteiros e pesquisadores postulam que não. Na verdade, dadas sua autonomia e sua descrença, a classe média está observando, com o máximo de atenção — ao contrário do povão, que está mais de olho no futebol e na novela do que em política —, o que estão dizendo os candidatos e, ao mesmo tempo, estão verificando o histórico de cada um. Candidato ficha suja não tem chance com a classe média — é excluído de cara.

Então, embora pareça indecisa, a classe média não está. Ela está dizendo, nas pesquisas de intenção de voto, que quer mais informações para definir o seu voto. Isto é diferente de estar indeciso.

O que os candidatos devem fazer? Na opinião de pesquisadores e marqueteiros, os postulantes a prefeito têm de conquistar os indecisos e os decididos da classe média que ainda não têm candidato.

Os políticos em geral não sabem falar para a classe média — que não tolera mentiras e enrolação. O candidato tem de dizer mais ou menos assim: “Olha, você poderá se sentar em qualquer praça de Goiânia e, a partir dela, fazer negócios com São Paulo ou Itumbiara. A wi fi estará funcionando. O sistema custa tanto e é fácil de implantar. Já existe na cidade ‘tal’, que é menor do que a capital goiana”. A classe média gosta de exemplos, de informações concretas.

Uma pesquisa qualitativa em Goiânia apurou que a classe média aprova totalmente as chamadas escolas militares do governo do Estado. Apreciam saber que, além de ter aulas todos os dias, seus filhos estão sob proteção. Não há, por exemplo, traficantes nas portas das escolas geridas por militares. Quando o político afirma que vai resolver o problema do transporte coletivo, os eleitores de classe média “viram a cara”, pois não acreditam.

A mesma pesquisa informa que os eleitores de classe média sabem que o senador Vanderlan Cardoso (PSD) e o ex-governador Maguito Vilela (MDB) foram “prefeitos eficientes” em, respectivamente, Senador Canedo e Aparecida de Goiânia. A primeira deixou de ser um “bairro” abandonado de Goiânia para se tornar uma cidade — com identidade. A segunda está deixando de ser uma cidade-dormitório e os eleitores sugerem que Maguito Vilela e Gustavo Mendanha foram responsáveis por sua modernização.

A classe média aprecia o político que tem experiência administrativa. O fato de Vanderlan Cardoso ter vencido na iniciativa privada, como empresário, agrada aos eleitores da classe média. O caráter conciliador de Maguito Vilela também agrada à classe média, que tem horror a candidato barraqueiro e histérico.

Há mais dois detalhes curiosos. Primeiro, os eleitores da classe média não se preocupam com padrinhos políticos. Eles só observam os candidatos. Porque, afirmam, quem vai governar não será o padrinho, mas o político que está disputando o pleito.

Segundo, os eleitores de classe média só observam dois candidatos, no máximo três como está acontecendo agora com Vanderlan Cardoso, Maguito Vilela e Delegada Adriana Accorsi (PT). Não é que avaliem que os demais candidatos são ruins. É que fazem questão de não prestar atenção no que estão dizendo. Não querem perder tempo e, por isso, se concentram naqueles que avaliam que realmente têm mais chances de vencer o pleito e passam a observá-los com mais atenção.

Portanto, Vanderlan Cardoso, Maguito Vilela, Adriana Accorsi e, em Anápolis, Roberto Naves, do partido Progressistas, têm de ficar de olho nos votos da classe média, os mais decididos dos indecisos.

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