Vacina Sputnik sugere que Caiado figura na lista dos que fazem e Mabel na lista dos que falam

O governador de Goiás busca acelerar a vacinação dos goianos e trabalha para importar 142 mil doses da vacina produzida pela Rússia

Ronaldo Caiado, governador do Estado de Goiás: seriedade e responsabilidade no combate à pandemia do novo coronavírus | Foto: Lucas Diener

Há uma diferença crucial entre o estadista e o político que — às vezes pensando unicamente na próxima eleição — adota a mera retórica como lema. Desde o início da pandemia do novo coronavírus, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, adotou uma posição de ampla proteção aos goianos. Ouve-se por aí uma explicação: “Porque ele, afinal, é médico”. A lógica deste raciocínio é correta, mas insuficiente. Na verdade, o gestor estadual é um humanista — daí sua ampla preocupação com a vida das pessoas.

Formado em Medicina no Rio de Janeiro e especializado em Ortopedia na França, Ronaldo Caiado tem uma visão ampla da Medicina — para além de sua especialidade. Por isso, desde o início, convocou cientistas para ajudá-lo a formular uma política de combate à Covid-Quase 500 mil. Sem alarde, reestruturou o setor de saúde, e em todo o Estado, com o objetivo de criar uma estrutura adequada para atender os pacientes. Sua ação rápida, e bem-informada, colaborou para preservar vidas. Por isso o conceito que se tem dele é o melhor possível: trata-se do governador que se preocupa com gente. É o que dizem nas ruas.

Há, por outro lado, pessoas que, tendo muito dinheiro, constituíram UTIs em casas, com oxigênio e tudo mais, para se proteger da Covid-19. O empresário paulista Sandro Antonio Scodro-Sandro Mabel, de 62 anos, se tornou conhecido como político atuante em Goiás e, no Congresso Nacional, em Brasília (é citado na questão do mensalão e pela ligação estreita com o deputado federal cassado Eduardo Cunha). Por certo, tem, pesando virtudes e defeitos, uma história positiva. Mas, no caso da Covid-Quase 500 mil, permanece nas redes sociais cobrando vacinação célere por parte do governo de Goiás. No caso, embora seja uma pessoa respeitável, está fazendo política, até porque planeja disputar mandato eletivo em 2022. Se faz cobranças do governador de Goiás, como se este fosse o responsável pela produção e compra de vacinas, não faz o mesmo do governo federal, ou, se o faz, não o faz com a mesma intensidade.

Sandro Mabel: o empresário deveria fazer menos política partidária e colocar sua história positiva a serviço dos goianos | Foto: Alexandre Malheiros

Não há notícia de que Sandro Mabel, sócio da empresa Mendez Alimentos — mais conhecida pela comercialização de pimenta —, tenha disponibilizado um centavo de seus milhões para comprar vacina para os goianos ou, pelo menos, para seus funcionários. O Banco Itaú Unibanco doou 1 bilhão de reais para o combate à pandemia. Outras empresas doaram milhões. O empresário doou quantos centavos ou milhões? Não se sabe. Espera-se que tenha feito doações individuais — ele que, dizem, figura na lista dos bilionários do país.

Há fatos e versões. O fato é que, antes, os governos estaduais não podiam, a rigor, comprar vacinas. Os laboratórios internacionais estavam negociando diretamente com o governo federal, que, como se sabe, agiu de maneira lenta — o que impediu de se comprar vacinas em grandes quantidades. Portanto, não se pode “culpar” nem Ronaldo Caiado, nem Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, nem Mauro Carlesse, do Tocantins, nem Rui Costa, da Bahia — aliás, nenhum governador —, pela falta de celeridade na vacinação. A responsabilidade, insista-se, é do governo federal. Mas pode se verificar que a estrutura do governo de Goiás foi colocada à disposição da vacinação. A vacina — CoronaVac, AstraZeneca e Pfizer — chega e imediatamente é distribuída a todos os municípios de Goiás. Fala-se em desvios em outros Estados, mas não em Goiás. O governo federal, por meio do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, atesta que o governo do Estado é de uma correção absoluta quanto à vacinação e aquisição de material de uso nas unidades de saúde.

Ronaldo Caiado e Marcelo Queiroz: ministro da Saúde admite que Goiás é um exemplo de correção no combate à pandemia do novo coronavírus | Foto: Divulgação

Sem alarde, ao contrário dos que estão fazendo política, como Sandro Mabel, o governador Ronaldo Caiado não parou um dia e sempre quis comprar vacina para além das que Goiás vem recebendo do governo federal. Como se disse, não é fácil, porque a prioridade das empresas é vender para o governo federal. Mas, assim que surgiu a oportunidade de adquirir vacina, Ronaldo Caiado se colocou em campo.

Goiás e seis outros Estados vão importar doses da vacina Sputnik V, fabricada na Rússia de Vladímir Putin e registrada em 67 países. O Estado vai adquirir 142 mil doses, que serão usadas para imunizar 71 mil pessoas (com as duas doses). Parece pouco, mas não é. Porangatu e Uruaçu, duas cidades do Norte goiano, têm, juntas, 86.234 mil habitantes — parte deles vacinados. As 142 mil doses da Sputnik V dariam para imunizar toda a população dos dois municípios — considerando, insista-se, que parte já foi vacinada.

O que importa não é apenas a quantidade de doses que vai ser adquirida, mas também a possibilidade de importação por parte dos governos estaduais. Se houver mais vacinas à venda, por parte de outros laboratórios, o governo poderá comprá-las.

Gestor responsável, Ronaldo Caiado ressalvou: “Temos que ter muita cautela. Não uso de nenhuma especulação. Agora, Goiás deu um passo à frente e conseguimos avançar com outra alternativa de vacinas para a população do Estado. Foi uma grande vitória a partir de negociação de longa data”. Depois, acrescentou: “Alguns Estados têm a autorização para a importação da Sputnik desde que todas as exigências da Anvisa sejam cumpridas. Não foi informado ainda o período de distribuição em decorrência destes critérios.”

Ronaldo Caiado figura na lista dos políticos que fazem — os que são comedidos e responsáveis. Sandro Mabel, por enquanto, lidera na lista do que falam… Há uma diferença abissal entre os dois. Mas há tempo para o empresário colaborar com os goianos — com mais ações e menos palavras, palavras, palavras…

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