O União Brasil é o partido do governador Ronaldo Caiado — eleito em 2018 e reeleito em 2022, as duas vezes no primeiro turno. Não há dúvida: é, no momento, o mais importante líder político de Goiás — tanto que pode ser candidato a presidente da República, em 2026, com chance de unir tanto o centro quanto a direita.

Se o União Brasil é forte, se Ronaldo Caiado é o político decisivo do Estado — inclusive, é o governador mais bem avaliado em Goiânia nas últimas duas décadas —, por que o partido está renunciando a lançar candidatos a prefeito nas quatro cidades — Goiânia, Aparecida, Anápolis e Rio Verde — com maior número de eleitores e maior PIB de Goiás?

É provável que haja algum significado oculto. Mas, se não houver, pode-se sugerir que falta lógica ao comportamento dos líderes do partido.

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Goiânia/Jânio Darrot/MDB

Em Goiânia, o MDB deve lançar o empresário Jânio Darrot — um gestor do mais alto quilate — para prefeito.

O União Brasil pode lançar o presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto, mas parece hesitar.

Chega-se a sugerir, até, que o ex-prefeito de Trindade, para ser candidato, poderá trocar o MDB pelo União Brasil. Pode até ser. Mas qual é mesmo lógica de trocar seis por meia dúzia?

A única coisa certa é que o candidato será Jânio Darrot ou Bruno Peixoto. Um deles vai espirrar.

É provável que Ana Paula Rezende — a filha de Iris Rezende — seja candidata a vice-prefeita na chapa governista. Pode ser o nome de Ronaldo Caiado na disputa.

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Anápolis/Márcio Corrêa/MDB

Em Anápolis fala-se que o candidato da base governista será o deputado federal e empresário Márcio Corrêa, do MDB e um dos políticos mais ligados ao vice-governador Daniel Vilela. No momento, comenta-se que ele poderá migrar para o PL, considerando a possibilidade de que o governador Ronaldo Caiado talvez queira bancar um candidato — como Marcio Cândido (que estaria tentando se filiar ao União Brasil, com o apoio do prefeito de Anápolis, Roberto Naves)  ou Amilton Filho (que trocaria o MDB pelo União Brasil.

Ao migrar para o PL, Márcio Corrêa não deixaria o vice-governador Daniel Vilela constrangido, no caso de ter de apoiar o candidato do governador Ronaldo Caiado no primeiro turno. Depois, todo mundo juntaria no segundo turno.

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Aparecida de Goiânia/Vilmar Mariano/MDB

Em Aparecida de Goiânia, se não houver nenhum terremoto político, o candidato da base governista será o prefeito Vilmar Mariano, do MDB. Ronaldo Caiado transferiu a coordenação política local para o ex-prefeito Gustavo Mendanha e para Daniel Vilela.

Noutras palavras, o União Brasil não terá candidato na segunda cidade com maior eleitorado de Goiás — abrindo espaço para o MDB firmar posição no município.

No momento, o deputado federal Professor Alcides Ribeiro, do PL, lidera as pesquisas de intenção de voto. Entretanto, acredita-se que assim que Gustavo Mendanha irmanar-se com Vilmar Mariano, puxando-o pela mão e apresentando-o como seu candidato, o quadro poderá ser outro.

Pode-se retirar Vilmar Mariano do páreo, se não deslanchar, e bancar outro postulante? Tudo é possível. Porém, é mais factível apoiar o candidato que está com o controle de uma máquina poderosa — a prefeitura.

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Rio Verde/Wellington Carrijo/MDB

Até o momento, o candidato a prefeito da base governista é o médico Wellington Carrijo, do MDB.

Porém, com a resistência da presidente da Comissão Provisória do MDB, deputada federal Marussa Boldrin, há a possibilidade de Wellington Carrijo disputar o pleito pelo União Brasil.

Há uma saia-justa. Marussa Boldrin tem um nome forte para a prefeitura? Não tem. O que se comenta é que ela gostaria de compor com o pré-candidato do PL a prefeito, Lissauer Vieira. Entretanto, se o fizer, entrará em choque com o presidente estadual do MDB, Daniel Vilela — que, certamente, não aceitará a composição.

Se Marussa Boldrin lançar candidato a prefeito, a cúpula do MDB, mesmo deixando de apoiá-lo, possivelmente não a impedirá. Entretanto, o mais certo mesmo é que o União Brasil e o MDB se unirão para apoiar Wellington Carrijo… que seria candidato pelo MDB.

Daniel Vilela será candidato a governador em 2026 e vai precisar de líderes fortes em cidades grandes, como Rio Verde, que é administrada pelo prefeito Paulo do Vale, do União Brasil.

Pai do deputado estadual Lucas do Vale, Paulo do Vale tem simpatia por Daniel Vilela e planeja apoiá-lo para governador. Mas não há política sem trocas de apoio. Para apoiar o vice-governador em 2026, o gestor municipal exigirá, por certo, que ele apoie seu candidato a prefeito em 2024, ou seja, Wellington Carrijo. (E.F.B.)