Três doleiros operaram o esquema para Joesley Batista, da JBS, pagar propinas a políticos

O diretor da JBS, Demilton Castro, articulou a operação com o apoio de dois doleiros uruguaios e um de São Paulo

Os irmãos Wesley e Joesley Batista usaram doleiros uruguaios e um de São Paulo para movimentar milhões de reais para políticos | Fotos: Reprodução

Sacar 500 mil ou 1 milhão de reais num banco deixa pistas objetivas. Então, para enganar o Coaf-Banco Central, a saída é recorrer a doleiros para saques vultosos e que não podem ser rastreados, exceto se houve uma investigação. A JBS-Friboi, empresa da família Batista — José Batista Sobrinho, Joesley Batista e Wesley Batista — sabiam os caminhos das pedras para pagar propinados com o mínimo de pistas possível. Quer dizer, usava doleiros, revela Fausto Macedo (o texto é de Pedro Leite), na quinta-feira, 25, no “Estadão”, na reportagem “JBS usou três doleiros para fazer 9 mil pagamentos de propinas a políticos”. O diretor financeiro da JBS, Demilton Castro, contou à Procuradoria da República como fazia os repasses ilícitos.

Francisco, o Paco, e Raul, doleiros uruguaios (vale lembrar da Operação Uruguai, articulada pelo ex-presidente Fernando Collor, na início da década de 1990), foram os “principais responsáveis por repassar dinheiro à JBS”. Um doleiro de São Paulo, Davi, era a ponte brasileira do grupo dirigido por Joesley e Wesley Batista. “A comunicação entre eles era feita por VPN (uma rede privada de internet), onde cada operador recebia um código em números. Castro passava, então, as instruções ao banco suíço Julius Baer, onde duas offshores do Panamá tinham conta-corrente. O Julius Baer é a instituição financeira que também manteve quatro contas de empresas offshores controladas pelo deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-presidente da Câmara preso pela Lava Jato em Curitiba”, informa o “Estadão”.

Com o dinheiro em mãos, Demilton Castro registrava todos os detalhes, de maneira precisa, incluindo “os valores da propina”. O diretor-delator afirma que “a JBS ordenava que os pagamentos saíssem de uma dessas empresas, por meio de depósitos em contas de doleiros, que os repassavam em reais no Brasil”. Os destinatários da propina eram decididos por Joesley Batista, mas o operador com os doleiros era Demilton Castro.

Suspeita-se que o esquema com o doleiros tenham sido usado não apenas para pagar políticos? Ainda não se comentou sobre isso, mas é bem possível.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.